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Eleição da Mesa vira teste de força e pode ampliar cerco contra Flávia em VG

Cerqueira convocou sessão extraordinária para esta quinta e tenta garantir recondução ao comando da Câmara em meio a articulações que podem resultar na cassação de Flávia

Alline Marques - Leiagora
Eleição da Mesa vira teste de força e pode ampliar cerco contra Flávia em VG Prefeita de VG Flávia Moretti e vereador Wanderley Cerqueira (MDB)

A eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande deixou de ser apenas uma disputa interna pelo comando do Legislativo e se transformou em mais um capítulo da crise política que atravessa a gestão da prefeita Flávia Moretti (PL).

O presidente da Casa, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), convocou sessão extraordinária para esta quinta-feira (14), às 10h, com o objetivo de eleger a Mesa Diretora para o biênio 2027/2028. A data escolhida também é estratégica: véspera do aniversário da cidade, que completa 159 na sexta (15).

Cerqueira tenta se manter no comando da Câmara em um momento de forte tensão entre o Legislativo e o Executivo. Nos bastidores, a movimentação é vista por aliados da prefeita como uma tentativa de consolidar uma maioria parlamentar capaz de impor derrotas mais duras à Flávia, incluindo a eventual abertura de um processo de cassação contra a chefe do Executivo.

O ato de convocação, assinado por Wanderley no dia 12 de maio, chama os 23 vereadores para a sessão extraordinária destinada exclusivamente à eleição da Mesa Diretora. A antecipação da escolha, no entanto, acirrou ainda mais o ambiente político em Várzea Grande, especialmente porque o resultado pode definir quem terá o controle da pauta legislativa nos próximos anos.

Além do poder de agenda dentro da Câmara, a presidência do Legislativo ganhou peso ainda maior após a renúncia do vice-prefeito Tião da Zaeli (PL), oficializada no fim de março. Com a saída dele, Várzea Grande ficou sem vice-prefeito. Na prática, em caso de afastamento, viagem ou qualquer ausência da prefeita, quem assume temporariamente o comando do município é o presidente da Câmara.

Foi justamente a renúncia de Tião que agravou a instabilidade política no município. Ao deixar o cargo, o ex-vice rompeu publicamente com Flávia, alegando falta de alinhamento na condução da gestão. Na ocasião, afirmou que continuava “na página do discurso da campanha”, enquanto a prefeita teria “mudado de página”. Ele também apontou a nomeação de Sílvio Fidelis para a Secretaria de Governo como a “gota d’água” do rompimento.

Desde então, a gestão de Flávia passou a enfrentar um cenário de isolamento político mais evidente. A crise deixou de ser apenas administrativa e passou a ter reflexos diretos na relação com a Câmara, onde Wanderley se consolidou como um dos principais polos de oposição à prefeita.

A disputa pela Mesa Diretora também passou a ser lida como uma prévia da correlação de forças entre a base de Flávia e o grupo de Cerqueira. De um lado, Wanderley lidera a Chapa 1 e tenta garantir a recondução. De outro, o vereador Lucas Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita, entrou na disputa pela Chapa 2 com o discurso de buscar harmonia, diálogo e equilíbrio entre os Poderes.

A candidatura de Lucas surgiu justamente em meio às acusações de que haveria uma articulação para enfraquecer a prefeita e preparar terreno para um processo político contra ela. A eleição desta quinta, portanto, pode indicar se Flávia terá alguma margem de reorganização dentro da Câmara ou se enfrentará uma legislatura ainda mais hostil daqui para frente.

A antecipação do pleito já vinha sendo questionada por parte dos vereadores. Em março, cinco parlamentares pediram o adiamento da eleição da Mesa Diretora para dezembro, sob o argumento de que a escolha antecipada poderia prejudicar a isonomia e reduzir as chances de grupos minoritários participarem da disputa em condições de igualdade.

Wanderley, por outro lado, sustenta que o processo segue dentro da legalidade e já vinha demonstrando confiança na recondução. Em abril, o presidente da Câmara chegou a afirmar que teria consolidado apoio de 16 dos 23 vereadores para seu projeto de reeleição ao comando do Legislativo.

A sessão desta quinta-feira, portanto, tende a ser decisiva não apenas para o futuro da Câmara, mas para o próprio equilíbrio político da cidade. Em um município sem vice-prefeito, com uma prefeita pressionada e um Legislativo em rota de colisão com o Executivo, a eleição da Mesa pode definir se Flávia terá espaço para tentar recompor sua base ou se enfrentará, a partir de agora, um cerco político ainda mais organizado.

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