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Mais de 900 atendimentos por escorpiões colocam Cuiabá em alerta

Capital registra quase mil atendimentos por animais peçonhentos em 2025; maioria dos casos é leve, mas vigilância segue intensificada

Evelyn Souza - Única News
Mais de 900 atendimentos por escorpiões colocam Cuiabá em alerta

A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), intensificou as ações de prevenção, orientação e vigilância diante do aumento no número de acidentes envolvendo escorpiões e outros animais peçonhentos na capital. Apesar do crescimento das notificações, o município afirma que mantém uma rede de atendimento estruturada e preparada para garantir respostas rápidas e reduzir riscos à população.

Dados do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) apontam que, em 2025, Cuiabá contabilizou 979 atendimentos relacionados a acidentes com animais peçonhentos, número superior aos 881 registros de 2024. Os escorpiões lideram as ocorrências, impulsionados principalmente por fatores ambientais e pelo período chuvoso, quando esses animais se deslocam com mais facilidade em busca de abrigo e alimento.

A secretária municipal de Saúde, Danielle Carmona, destaca que o trabalho da gestão municipal envolve tanto a assistência quanto a prevenção. Segundo ela, a estrutura disponível tem sido decisiva para evitar desfechos graves.
Cuiabá conta hoje com uma rede organizada, com atendimento especializado no Hospital Municipal e no Ciatox, o que garante resposta rápida e segura. Mas a prevenção começa dentro de casa, com cuidados simples que reduzem significativamente o risco de acidentes”, afirmou.

De acordo com a SMS, embora exista uma tendência de aumento da atividade dos escorpiões nos meses mais quentes e chuvosos, em Cuiabá os registros apresentam relativa estabilidade ao longo do ano, já que as temperaturas elevadas predominam na maior parte do tempo. Ainda assim, períodos de chuva e de estiagem costumam concentrar maior número de ocorrências.

A espécie mais comum na capital é o Tityus confluens, conhecido como escorpião amarelinho. Adaptado ao ambiente urbano, ele está distribuído de forma homogênea em toda a cidade e, atualmente, não é classificado pelo Ministério da Saúde como de interesse médico. Em Cuiabá, a maioria dos acidentes envolvendo essa espécie é considerada de baixa gravidade.

O biólogo Jessé Martins, responsável técnico pelo Laboratório de Entomologia do Centro de Vigilância em Zoonoses, explica que o comportamento da espécie favorece sua presença nas áreas urbanas.
Esse escorpião encontra com facilidade abrigo e alimento em residências e terrenos urbanos. Por isso, aparece em praticamente toda a cidade, e a maior parte dos acidentes registrados é leve”, explicou.

Apesar do cenário considerado controlado, a Secretaria de Saúde chama atenção para o registro, em 2024, da espécie Tityus serrulatus, o escorpião amarelo, responsável pelos casos mais graves no país. No estado, também há ocorrência do Tityus obscurus, conhecido como escorpião preto da Amazônia, principalmente na região norte de Mato Grosso, ambos classificados como de interesse médico.
O simples registro dessas espécies no estado e na capital já exige atenção permanente, monitoramento constante e reforço das ações preventivas”, alertou o biólogo.

Prevenção começa dentro de casa

A SMS reforça que o principal método de combate aos escorpiões é o manejo ambiental, com a eliminação de condições que favorecem a presença desses animais. Entre as orientações estão manter quintais e terrenos limpos, evitar acúmulo de entulho, restos de obra, telhas e madeira, controlar baratas — principal fonte de alimento dos escorpiões —, eliminar focos de umidade e vedar ralos, frestas e pias com telas ou tampas adequadas.

Essas medidas fazem parte do chamado combate aos “quatro As”: água, alimento, abrigo e acesso.

Em caso de acidente, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, preferencialmente no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que abriga o Centro de Informação e Atendimento Toxicológico (Ciatox), referência no atendimento a vítimas de animais peçonhentos.
O atendimento rápido é fundamental para evitar complicações. A pessoa não deve esperar nem recorrer a tratamento caseiro”, reforçou Danielle Carmona.

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