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Pelo Portão da Guarda transitam heróis e covardes


Pelo Portão da Guarda transitam heróis e covardes Jober Rocha

O Portão da Guarda, nas organizações militares, é mais do que uma entrada física: é um símbolo. Por ele passam diariamente homens e mulheres fardados, investidos de autoridade, dever e responsabilidade. 


À primeira vista, todos parecem iguais — mesma farda, mesmas insígnias, mesmo juramento. No entanto, é justamente por esse portão que transitam naturezas profundamente distintas: heróis e covardes, patriotas e oportunistas, servidores do país e traidores de sua própria missão.


Entre os que cruzam esse limiar estão os heróis de verdade. Não os heróis de discursos fáceis ou de condecorações exibidas, mas aqueles que silenciosamente se sacrificaram e ainda se sacrificam pelo país. 


São os que colocam o dever acima do conforto, a missão acima do interesse pessoal, a pátria acima do medo. Muitos não terão seus nomes registrados na história oficial; porém, carregam em seus corpos e em suas consciências, o peso das escolhas difíceis feitas em nome do bem comum. Esses compreendem que servir é, antes de tudo, renunciar.


Mas pelo mesmo portão passam também os covardes e pusilânimes. Aqueles que vestem a farda apenas como instrumento de poder, proteção ou vantagem. São os que se calam diante da injustiça por conveniência, que se escondem atrás da hierarquia para não assumir responsabilidades, ou que traem princípios em troca de ouro, privilégios ou ascensão pessoal.


Não faltam os que vendem a pátria aos poucos, em decisões pequenas, acordos obscuros e lealdades desviadas — sempre justificando seus atos como “necessários” ou “inevitáveis”.


A tragédia é que, externamente, heróis e covardes atravessam o mesmo portão, marcham no mesmo pátio e, muitas vezes, recebem o mesmo tratamento. 


A diferença não está na farda, mas no caráter. Não está na patente, mas na coragem moral. O verdadeiro divisor não é o Portão da Guarda, mas o momento da escolha: obedecer à consciência ou ao interesse, defender o país ou a si mesmo, honrar o juramento ou relativizá-lo.


Assim, o Portão da Guarda torna-se metáfora da condição humana dentro das instituições. Ele não seleciona virtudes; apenas permite a passagem. Cabe a cada um decidir quem, verdadeiramente, será ao cruzá-lo todos os dias. 


Porque, no fim, a história não se lembrará de quantas vezes alguém entrou ou saiu por aquele portão, mas do que fez enquanto esteve do lado de dentro — e a quem serviu de verdade.

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