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Com Maduro na mira, Trump reposiciona os EUA e pressiona o continente

Movimentação militar dos EUA expõe que o alvo real da nova estratégia é Maduro e não só o narcotráfico

Luana Ogiwara - Folha do Estado Imagem : BRUNO SPADA
Com Maduro na mira, Trump reposiciona os EUA e pressiona o continente

Os Estados Unidos anunciaram, nas últimas semanas, uma série de mudanças na política de segurança nacional voltada para a América Latina. As medidas incluem reposicionamento militar, atualização estratégica e ações diretas relacionadas à Venezuela, país que tem sido citado com frequência pelo presidente Donald Trump em declarações recentes. 

De acordo com documento divulgado pela Casa Branca, a nova diretriz amplia a atenção do governo norte-americano ao hemisfério ocidental, retomando princípios que remetem à Doutrina Monroe, formulada no século XIX. O texto afirma que Washington buscará impedir a presença de “forças ou capacidades ameaçadoras” de atores externos na região. 

Desde agosto, operações norte-americanas têm sido conduzidas no Caribe e no Pacífico, com o objetivo declarado de intensificar o combate ao tráfico de drogas. Navios de guerra, fuzileiros navais, aeronaves F-35 e o porta-aviões USS Gerald R. Ford foram deslocados para áreas estratégicas. Segundo dados do Pentágono, ao menos 23 embarcações foram abordadas ou interceptadas durante essas ações. As autoridades norte-americanas, porém, não divulgaram evidências públicas detalhando a relação das embarcações com organizações criminosas. 

“Negaremos a competidores extrarregionais a capacidade de posicionar forças ou outras capacidades ameaçadoras, ou de possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais em nosso hemisfério”, diz um trecho do documento. “Esse ‘Corolário Trump’ à Doutrina Monroe é uma restauração lógica e poderosa do poder e das prioridades americanas, consistente com os interesses de segurança dos EUA”. 

A Venezuela permanece como um dos principais focos das ações e declarações recentes do governo dos Estados Unidos. O país é mencionado em relatórios oficiais e em discursos do presidente, que se refere ao governo de Nicolás Maduro em meio às medidas de segurança adotadas na região.

Washington classifica o grupo conhecido como cartel de Los Soles como organização terrorista internacional, o que habilita mecanismos legais utilizados pelos EUA para operações em territórios estrangeiros com base no combate ao terrorismo. 

Nos últimos dias, a Casa Branca orientou cidadãos norte-americanos a deixarem a Venezuela, citando riscos à integridade física, possibilidade de detenções indevidas e instabilidade institucional. A recomendação ocorre após outras sinalizações, como o anúncio do fechamento unilateral do espaço aéreo venezuelano por parte de Washington. 

A movimentação dos EUA também envolve a Colômbia. Declarações de Trump mencionaram o presidente colombiano, Gustavo Petro, em um contexto relacionado ao comércio e à circulação regional de drogas, assunto que historicamente envolve cooperação e disputa entre os dois países. 

A reformulação da estratégia norte-americana ocorre em meio a um cenário de tensão geopolítica no continente, marcado pela presença crescente de atores internacionais e por disputas de influência em áreas consideradas sensíveis para os Estados Unidos. Medidas semelhantes, como evacuação preventiva de pessoal e restrições aéreas, já foram adotadas pelo governo norte-americano em outros contextos que antecederam operações militares em regiões de conflito. 

Os próximos desdobramentos dependerão das decisões de Washington e das respostas dos governos latino-americanos, especialmente Caracas e Bogotá, que acompanham as movimentações enquanto a nova política de segurança dos EUA começa a ser implementada.

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