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Tucunaré 'híbrido' de 62 cm é pescado no Lago de Manso em Chapada dos Guimarães

Exemplar de 62 centímetros apresenta características de tucunaré-azul e pinima; outro peixe pescado no reservatório também despertou curiosidade pela aparência incomum.

Haillyn Heiviny - PP
Tucunaré 'híbrido' de 62 cm é pescado no Lago de Manso em Chapada dos Guimarães

O peixe foi registrado por Thiago Henrique Fantini, advogado, publicitário, produtor audiovisual e apresentador do programa de viagens de pesca Pesca e Rancho. Ao Primeira Página, ele contou que o exemplar media 62 centímetros e apresentava características que chamaram a atenção pela aparência incomum.

Em um dos registros, Thiago identificou um peixe como híbrido entre o tucunaré-azul e o pinima. Outro exemplar, porém, chamou ainda mais a atenção pela aparência diferente.

Segundo o pescador, o peixe apresenta características que lembram os tucunarés azul, amarelo e pinima, o que levantou a possibilidade de um hibridismo envolvendo três espécies.

Um peixe pode ser híbrido de três espécies?

Para entender se essa possibilidade existe, o Primeira Página conversou com o biólogo especialista em peixes Thiago Paiva. Segundo ele, a hibridização entre duas espécies é totalmente possível e já é utilizada há anos pela engenharia de pesca. “Duas espécies é totalmente possível”, explicou.

Entre os exemplos citados pelo biólogo estão o tambacu, resultado do cruzamento entre tambaqui e pacu, e a tambatinga, outro híbrido produzido na piscicultura.

Já a possibilidade de um peixe reunir material genético de três espécies não seria esperada em um processo natural de hibridização, segundo Paiva. Técnicas de reprodução e manipulação genética podem produzir organismos com características específicas em ambientes controlados, mas isso não permite concluir que seja essa a origem do exemplar encontrado no Lago do Manso.

Sem testes específicos, portanto, não é possível determinar apenas pela aparência se o peixe é híbrido nem quais espécies estariam envolvidas em sua origem.

Hibridismo já foi registrado entre tucunarés

A ocorrência de hibridização entre espécies de tucunaré já foi documentada cientificamente. Estudos encontraram evidências de cruzamentos naturais entre espécies do gênero Cichla, ao qual pertencem os tucunarés.

O fenômeno pode ocorrer quando espécies diferentes, mas geneticamente próximas e compatíveis para reprodução, convivem no mesmo ambiente. Os descendentes podem apresentar características intermediárias, como diferenças na coloração, nas manchas e nos padrões corporais.

Ainda assim, a aparência não é suficiente para confirmar a origem híbrida de um peixe. Variações de coloração, idade, sexo e desenvolvimento também podem alterar as características visuais dos tucunarés. Por isso, a identificação segura pode exigir análises genéticas, bioquímicas ou outros métodos científicos.

No caso do exemplar registrado no Lago do Manso, a aparência incomum permanece como ponto de partida para uma investigação. Sem uma análise científica do peixe, não é possível cravar se ele é híbrido ou quais espécies poderiam estar envolvidas.

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