Disputa por duas vagas ao Senado tem histórico de reviravoltas em Mato Grosso
Dante de Oliveira Disputa por duas vagas ao Senado em Mato Grosso carrega, desde a redemocratização, um histórico de reviravoltas. Nas quatro eleições em que o Estado escolheu dois senadores (1994, 2002, 2010 e 2018), candidatos apontados como favoritos ou integrantes de grupos políticos considerados fortes acabaram derrotados, enquanto nomes que corriam por fora conseguiram chegar a Brasília. O cenário de 2026, contudo, tem os principais levantamentos de intenção de voto colocando o ex-governador Mauro Mendes (União) e a deputada estadual Janaina Riva (MDB) nas primeiras posições, enquanto o senador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL) e o ex-governador Pedro Taques (PSB) correm por fora.
Disputa acirrada
Em 1994, a disputa envolveu Jonas Pinheiro (1941-2008), Carlos Bezerra e Antero Paes de Barros em uma eleição apertada. Antero contava com forte ligação política com Dante de Oliveira (1952-2006), que naquele ano venceu a eleição para o governo do Estado e carregava o peso simbólico de sua atuação nas Diretas Já. A expectativa era de que o grupo conseguisse garantir uma das duas cadeiras, mas Antero acabou em terceiro, atrás de Jonas e Bezerra. Os números oficiais mostram uma diferença de apenas 679 votos entre Bezerra e Antero, que recebeu 281.206 votos contra 281.885 do peemedebista. Jonas ficou com a primeira vaga.
Maior surpresa da história
Oito anos depois, foi a vez de Dante chegar à eleição cercado de força política e ser surpreendido. Reeleito governador em 1998, ele deixou o Palácio Paiaguás para disputar o Senado com boa aprovação, apesar do desgaste com o funcionalismo público, e enfrentou uma eleição marcada por fissuras dentro do PSDB e de sua própria base. O grupo que reunia Dante e Antero entrou em conflito com o então prefeito de Cuiabá, Roberto França, que pretendia disputar o governo. Nas urnas, Dante terminou apenas em terceiro, atrás de Jonas Pinheiro e da deputada estadual Serys Slhessarenko.
Antero também perdeu a disputa pelo Palácio Paiaguás para Blairo Maggi e a salvação do grupo governista foi a vitória da primeira-dama Thelma de Oliveira, que se elegeu deputada federal.
Outsider derruba velha política
Em 2010, o então ex-governador Blairo Maggi aparecia como franco favorito para a primeira cadeira, enquanto a segunda vaga era disputada principalmente por Antero Paes de Barros e Carlos Abicalil. O embate entre o tucano e o petista abriu espaço para a ascensão do então ex-procurador Pedro Taques, que estreava na política eleitoral com um discurso fortemente associado ao combate à corrupção, especialmente com a prisão do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Taques terminou em segundo, com 24,48%, superando Abicalil, que ficou com 18,43%, enquanto Maggi confirmou a liderança, com 37%.
Fenômeno bolsonarista
Na última disputa para a renovação de dois terços do Senado, a ascensão do bolsonarismo produziu outra virada de mesa. A então juíza Selma Arruda entrou na disputa, impulsionada pela notoriedade adquirida em processos que resultaram nas prisões e condenações do ex-governador Silval Barbosa e do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva. Apesar de não ter iniciado a campanha como principal nome nas pesquisas, Selma terminou em primeiro lugar e superou adversários de estruturas políticas consolidadas, entre eles o ex-governador Jayme Campos e o então vice-governador Carlos Fávaro.
A ex-magistrada, porém, permaneceu pouco mais de um ano no cargo e teve o mandato cassado por abuso de poder econômico. Fávaro venceu a eleição suplementar realizada posteriormente e completou o restante do mandato.
Insatisfação pode gerar surpresa
O agronegócio teve papel decisivo na derrota de Dante de Oliveira na disputa pelo Senado em 2006, segundo avaliação do historiador e analista político Alfredo da Mota Menezes. Para ele, o resultado foi consequência de uma insatisfação com o modelo político então predominante em Mato Grosso, marcado pela concentração de poder na capital, enquanto o Nortão vivia forte crescimento populacional e econômico. Na visão de Alfredo, o movimento do setor produtivo em busca de maior espaço político contribuiu para a vitória de Serys Slhessarenko e demonstrou como o desgaste com estruturas tradicionais pode produzir surpresas eleitorais.
"Quando há um cansaço com determinado grupo político, isso acaba provocando uma reação, e foi assim com Dante passou a buscar mais espaço. Depois aconteceu com Pedro Taques e Selma Arruda, que representavam a novidade. Hoje, a pergunta é se esse mesmo fenômeno pode se repetir com Mauro Mendes e Janaina Riva. Acredito que não na mesma proporção, porque o domínio do PSDB naquela época era maior, mas existe uma concentração de poder que pode gerar uma reação do interior. A questão é saber se há, hoje, um cansaço do Nortão e do agro com o modelo político atual e se isso poderá se refletir nas urnas", avalia o especialista.







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