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Dino derruba sigilo de operação que investiga verba para filme sobre Bolsonaro

Decisão do STF autoriza buscas e impede que investigados deixem o país sem comunicar previamente à Justiça

CONTEÚDO CBN
Dino derruba sigilo de operação que investiga verba para filme sobre Bolsonaro O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta quinta-feira (10) o sigilo da investigação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas à produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão também determina medidas cautelares contra os investigados, incluindo a proibição de deixar o Brasil sem comunicação prévia à Justiça.

A investigação, batizada de Operação Make Up, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Entre os principais alvos está o deputado federal Mário Frias (PL-SP), que teve sete armas de fogo apreendidas. A produtora Karina Gama, ligada à produção do filme, também é investigada.

Segundo a apuração da PF, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama. Os recursos foram pagos entre fevereiro e outubro de 2025, e os investigadores apuram se o dinheiro foi efetivamente empregado na produção do longa ou se houve desvio.

Durante a operação, além das armas, agentes apreenderam celulares e computadores relacionados aos investigados. As sete armas registradas em nome de Mário Frias, segundo a PF, estavam em um endereço diferente daquele informado pelo parlamentar. A situação dos armamentos também será alvo de apuração.

A Polícia Federal afirma investigar a possível existência de uma organização criminosa envolvendo agentes públicos e privados. A suspeita é de que recursos públicos tenham sido direcionados a empresas subcontratadas de maneira irregular, sem comprovação da realização dos serviços contratados.

Ainda conforme a investigação, as supostas tentativas de ocultar os desvios teriam continuado até julho de 2026. Levantamentos financeiros também identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas que estão sob investigação.

MEDIDAS CAUTELARES

No despacho publicado nesta quinta-feira, Dino avocou o caso para o STF e determinou a suspensão de novos repasses para empresas suspeitas de envolvimento nas irregularidades. Os investigados também ficam proibidos de deixar o território nacional sem comunicação prévia à Justiça. A decisão prevê ainda o recolhimento de eventuais passaportes emitidos em nome dos alvos.

Entre os crimes investigados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude em licitações.

Mário Frias e Karina Gama ainda não haviam se manifestado sobre a operação até a publicação desta matéria.

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