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Taques aciona PGR para pedir prisão de Mauro Mendes por quebra de cautelar e suposta milícia digital

Lázaro Thor - PNB
Taques aciona PGR para pedir prisão de Mauro Mendes por quebra de cautelar e suposta milícia digital ex-governador e advogado Pedro Taques (PSB)

Uma nova petição protocolada junto à Procuradoria-Geral da República coloca sob risco direto de prisão preventiva o ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União) e o deputado federal Fábio Garcia (União). O terceiro aditamento à representação criminal no âmbito da Operação Heritage, assinado pelo escritório do ex-governador e advogado Pedro Taques (PSB), aponta o descumprimento ostensivo de medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal, além de levantar suspeitas de emprego irregular de verbas publicitárias do Estado para financiar uma campanha coordenada de ataques à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao próprio STF.

A controvérsia central decorre de ordens judiciais expedidas em julho de 2026 pelo ministro Flávio Dino, relator do Inquérito 1822 na Suprema Corte. Na ocasião, o magistrado determinou buscas e apreensões, bloqueios de bens e, expressamente, a proibição de contato entre os investigados da Operação Heritage, que apura crimes contra o sistema financeiro, peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Segundo a acusação, contudo, a restrição de comunicação imposta como alternativa menos gravosa à custódia cautelar foi abertamente ignorada pelos políticos durante um ato público realizado no último dia 5 de setembro no município de Sinop.

De acordo com os documentos encaminhados ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet Branco, Mauro Mendes e Fábio Garcia compareceram ao lançamento da candidatura do deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União), ocasião na qual dividiram o mesmo palanque, permaneceram em espaço contíguo, cumprimentaram-se pessoalmente e trocaram palavras em interlocução reservada. O episódio, amplamente registrado em vídeo e divulgado por veículos de comunicação regionais, contou inclusive com citação nominal direta no microfone, quando Garcia saudou publicamente o ex-governador diante do público e de autoridades presentes.

A petição rebate formalmente as alegações oferecidas pelos investigados à imprensa, de que poderiam estar no mesmo ambiente contanto que não conversassem. A defesa do representante argumenta que o Código de Processo Penal veda a manutenção de contato de forma ampla, abrangendo a aproximação física deliberada e a coordenação  política presencial. Destaca-se ainda que, por disputarem cargos no pleito eleitoral deste ano — Mendes ao Senado Federal e Garcia a Vice-Governador —, a convivência deliberada em eventos públicos representa um risco contínuo e diário de contaminação probatória e de alinhamento de versões na janela de maior sensibilidade da investigação policial.

Além da violação do distanciamento físico, o aditamento denuncia uma suposta estratégia comunicacional massiva e patrocinada voltada a deslegitimar as instituições encarregadas da persecução penal. Logo após a deflagração da Operação Heritage em agosto, pronunciamentos de Mauro Mendes classificando os relatórios policiais e perícias contábeis como “armação eleitoral”, “sacanagem” e “copia e cola” de adversários foram impulsionados nas redes sociais, atingindo centenas de milhares de contas.

O ponto mais crítico levantado no documento refere-se ao alinhamento quase literal do texto publicado por portais de notícias regionais e aos fluxos de liquidação orçamentária da Secretaria de Estado de Comunicação. O levantamento anexado à representação indica que, na semana seguinte à operação policial, o Estado despendeu mais de 2,6 milhões de reais em comunicação social, com picos de pagamentos no dia imediatamente posterior às buscas. A petição sugere que a estrutura estatal possa ter sido instrumentalizada, por meio de agências de publicidade contratadas, para financiar a propagação de narrativas de defesa privada, o que configuraria novos indícios de desvio de recursos públicos para interesse particular.

Em razão dos fatos apresentados, a representação pede ao Ministério Público Federal que formalize no Supremo Tribunal Federal o pedido de prisão preventiva dos dois investigados ou, de forma subsidiária, a imposição de medidas cautelares mais severas. Entre as alternativas propostas estão a instalação de tornozeleira eletrônica com alerta automático de aproximação, a proibição de frequência conjunta a atos de campanha, a suspensão de funções públicas e a retenção de verbas estaduais de publicidade para manifestações relativas ao inquérito.

O documento solicita ainda a realização de diligências probatórias urgentes pela Polícia Federal, incluindo a perícia nos vídeos originais do evento em Sinop, a requisição de contratos e planos de mídia da Secretaria de Comunicação do Estado, a oitiva dos proprietários de portais e dos organizadores do ato político, além da apuração autônoma sobre eventual crime de embaraço a investigação de organização criminosa.

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