Promotora se revolta com oração em evento público: "Me senti extremamente ofendida"
Representante do Ministério Público afirmou que manifestações religiosas em cerimônia pública ferem o princípio da laicidade do Estado; episódio gerou debate durante encontro de conselheiros tutelares
Uma declaração da promotora de Justiça Elayne Rodrigues durante a abertura do Fórum Permanente de Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares provocou repercussão nesta última sexta-feira (3), em Duque de Caxias (RJ).
A representante do Ministério Público criticou a referência a Deus feita na cerimônia de abertura do evento e afirmou que a manifestação contrariava a Constituição Federal.
O encontro, realizado no Teatro Raul Cortez, reuniu conselheiros tutelares, autoridades da área da infância e adolescência, além da vice-prefeita Aline do Áureo e do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), que anunciou durante o evento o envio de recursos para a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Ceperj).
Durante sua fala, a promotora afirmou que havia sido surpreendida por uma manifestação religiosa na abertura da cerimônia e disse que a fé é um direito individual, que não deve ser estendida aos participantes de um evento promovido em espaço público.
"Ao início do evento eu fui assolapada por uma oração evangélica. Preciso esclarecer à organização do evento e à associação que a fé é um direito privado que não deve ser estendido a outras pessoas em um evento público. Eu não sou evangélica e me senti extremamente ofendida com o início da apresentação", declarou.
Segundo relatos, a manifestação ocorreu durante uma apresentação de crianças. Enquanto os participantes trocavam de figurino, o instrutor leu um poema com referências ao "abraço de Deus", momento que motivou a reação da promotora.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram que, durante o pronunciamento, a presidente da Associação dos Conselheiros e Ex-Conselheiros Tutelares do Estado do Rio de Janeiro (Acterj) tentou conversar com a promotora. No entanto, o conteúdo do diálogo não pôde ser identificado no vídeo.
Na sequência, Elayne Rodrigues esclareceu que, em sua avaliação, não houve exatamente uma oração formal, mas uma "chamada a Deus" na abertura do evento.
Ela também afirmou que havia comunicado previamente à organização que deixaria o local caso uma oração fosse realizada durante a cerimônia.
Ao ser interrompida, a promotora reagiu afirmando que sua manifestação representava o posicionamento institucional do Ministério Público.
"Se a senhora começar a interferir na minha fala, na fala do Ministério Público, eu me retiro. Aqui represento o Ministério Público e tenho garantia constitucional para estar nesse local e ocupar esse espaço. Esse deboche ofende o Ministério Público e a Constituição", afirmou.
O episódio gerou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a laicidade do Estado, os limites das manifestações religiosas em eventos públicos e a liberdade de expressão em cerimônias oficiais. Até o momento, a organização do fórum não havia se pronunciado oficialmente sobre o caso.
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