Documento obtido pela PF aponta que Lula orientou Vorcaro a não vender o Master ao BTG
Banco Master foi liquidado meses após reunião envolvendo Lula e Galípolo
Lula e Vorcaro Uma reunião realizada no Palácio do Planalto, no fim de 2024, colocou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um novo episódio envolvendo a crise do Banco Master. Segundo informações divulgadas pelo site UOL, com base em documentos obtidos pela Polícia Federal, Lula teria aconselhado o empresário Daniel Vorcaro a não aceitar a proposta de venda da instituição ao BTG Pactual.
O encontro aconteceu em dezembro daquele ano, quando o Banco Master já atravessava dificuldades financeiras. Conforme o relato atribuído ao banqueiro, o BTG, controlado por André Esteves, pretendia assumir a instituição por um valor simbólico de R$ 1. Diante do cenário, Vorcaro buscou orientação política sobre a continuidade do banco no mercado financeiro.
Ainda de acordo com o conteúdo obtido pela PF, Lula demonstrou resistência à negociação e teria incentivado a manutenção do Master em funcionamento. O presidente também teria feito críticas ao então chefe do Banco Central, Roberto Campos Neto, além de comentários direcionados ao comando do BTG.
A reunião contou ainda com a participação de Gabriel Galípolo, que meses depois assumiria oficialmente a presidência do Banco Central. A presença dele no encontro foi interpretada por Vorcaro como um sinal de respaldo institucional ao Banco Master em meio às dificuldades enfrentadas pela instituição.
Apesar disso, o cenário mudou drasticamente ao longo de 2025. Já sob a gestão de Galípolo, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, aprofundando a crise envolvendo a instituição financeira.
Outro ponto que chamou atenção na apuração foi o aumento expressivo de contatos entre representantes do banco e integrantes do Banco Central. Dados citados na reportagem apontam que, entre 2019 e 2024, durante a presidência de Roberto Campos Neto, ocorreram 24 reuniões presenciais entre o Master e o BC. Apenas nos primeiros meses da administração Galípolo, esse número teria saltado para 41 encontros.
O documento utilizado pela Polícia Federal ainda não teria sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, onde o caso é acompanhado pelo ministro André Mendonça dentro da Operação Compliance Zero.
A quebra do Banco Master provocou forte repercussão no mercado financeiro e acendeu alertas políticos em Brasília, principalmente pelo impacto causado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), considerado um dos maiores já registrados envolvendo instituições financeiras privadas no país.







COMENTÁRIOS