Falar com segurança é diferente de falar com arrogância
A forma como você se posiciona pode aproximar pessoas ou afastá-las sem que você perceba.
Luzimar Collares À primeira vista, pode até soar parecido. Afinal, tanto a pessoa segura quanto a arrogante falam com firmeza. Por isso, tem gente que confunde segurança na fala com arrogância. Mas o efeito que essas duas atitudes causam nos outros é completamente diferente.
A segurança na fala tem como base o equilíbrio. É resultado de alguém que conhece o assunto, organiza o pensamento e, principalmente, não sente a necessidade de se mostrar superior.
Essa pessoa se posiciona com clareza, mas não transforma sua opinião em uma verdade absoluta. Há firmeza, porém também há espaço.
A arrogância, por outro lado, costuma vir acompanhada de rigidez. Em vez de abrir caminhos para o diálogo, impõe barreiras. Quem fala com arrogância, muitas vezes, não está preocupado em construir uma conversa, e sim em estabelecer superioridade, ainda que de forma sutil.
Essa diferença fica ainda mais evidente quando observamos situações do cotidiano. Veja a diferença na prática:
- Uma pessoa segura diz:
“Na minha experiência, esse caminho costuma funcionar bem. O que você acha?” - Uma pessoa arrogante diz:
“Isso aí não funciona. O certo é fazer desse jeito.”
Outro exemplo:
- Segurança:
“Com base nos últimos fatos, vejo essa situação por esse ângulo…” - Arrogância:
“Não tem outra forma de ver isso.”
Uma pessoa segura tende a expor seu ponto de vista com argumentos consistentes, ao mesmo tempo em que demonstra interesse pelo que os outros têm a dizer. Ela pode afirmar que determinado caminho parece mais eficaz com base na sua experiência, sem descartar a possibilidade de ouvir novas perspectivas. Demonstra autoridade sem ser autoritária
Já uma postura arrogante costuma se revelar no tom de quem invalida ideias antes mesmo de compreendê-las completamente. Em vez de argumentar, interrompe. Em vez de dialogar, corrige. E, com frequência, transforma uma troca que poderia ser produtiva em um ambiente desconfortável.
O curioso é que a arrogância, em muitos casos, não nasce do excesso de segurança, mas justamente da falta dela. É uma tentativa de compensar inseguranças internas por meio de uma comunicação impositiva e pouco aberta.
Outro ponto que merece atenção é a escuta. Pessoas seguras não têm receio de ouvir. Elas compreendem que a comunicação não se sustenta apenas na fala, mas na capacidade de considerar o outro. Já a arrogância costuma se manifestar em falas longas e pouco espaço para respostas, como se comunicar fosse apenas transmitir, e não compartilhar.
Quando há muitas vozes disputando espaço, talvez o verdadeiro diferencial não esteja em falar mais alto ou com mais firmeza, e sim em encontrar o ponto de equilíbrio entre convicção e respeito. Porque comunicar com segurança é, acima de tudo, saber que a força da sua fala não precisa diminuir a voz de ninguém.
Luzimar Collares nasceu em Rondonópolis, é graduada em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo pela UFMT, pós-graduada em Jornalismo Digital e em Comunicação Assertiva, Influência e Negociação. Além de mais de 25 anos de experiência como editora e apresentadora de televisão e rádio, faz pesquisas e ministra palestras sobre diferentes aspectos da comunicação humana. "A coluna Comunicação de Primeira traz o resultado desses estudos e das experiências vividas como jornalista. Saber se comunicar é essencial em qualquer área de atuação e abre portas para o sucesso profissional. Toda semana vamos trazer dicas para melhorar a comunicação e provocar reflexões sobre a capacidade humana de se comunicar".








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