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IPTU de Cuiabá sob sigilo

ehfonte
IPTU de Cuiabá sob sigilo Adriana Mendes

Dados cruciais sobre o aumento do IPTU em Cuiabá seguem ocultos na gestão de Abilio Brunini (PL). Inicialmente, foi anunciado um reajuste de até 40% e depois uma trava que limita o aumento à metade, mas faltam informações sobre os números. A populaçao ainda não sabe quem está pagando mais e quanto.

A prefeitura da capital mato-grossense não respondeu à coluna  a real dimensão do reajuste aplicado em cada região.

Muitos moradores estão indignados com o aumento de até 20%. Com a cidade cheia de problemas estruturais, não faltam reclamações. “Se ao menos as praças estivessem limpas e arrumadas, houvesse creches com vagas, ruas transitáveis, pagaríamos com gosto (o IPTU). Mas nesse caos não dá para ficarmos quietos”, diz a empresária Maristela Campos.

O motorista de Uber Danilo Bonatto também reclama do reajuste. Segundo ele, os buracos na cidade só aumentaram. “É até estranho, porque a gente vê um monte de obras na rua, acha que vai melhorar e piora”, desabafa.

Com apoio da bancada governista, Abilio não teve dificuldade em aprovar um projeto tributário na Câmara de Vereadores de Cuiabá, em regime de urgência, no apagar das luzes, em dezembro de 2025. O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) criticou o “rito a toque de caixa”. Vale lembrar que, durante a campanha, Abilio Brunini se posicionou publicamente contra o aumento de impostos. A promessa e o boleto de 2026 contam histórias diferentes. “O que interessa é o boleto”, afirma Monteiro, destacando a contradição do gestor municipal.

Outro ponto questionado é a aprovação da isenção do IPTU para moradores de ruas sem pavimentação, o que os opositores consideram uma “jogada política”, porque não houve levantamento prévio, e as ruas localizadas em bairros sem regularização fundiária já são isentas. “Eu jamais iria votar um projeto populista e enganoso como esse”, afirma a vereadora  Maysa Leão.  A proposta foi aprovada por unanimidade pela Câmara.

De acordo com a prefeitura, cerca de 19 mil imóveis atendem aos critérios e deixaram de pagar o imposto. E quantos tiveram aumento de 20%  e qual foi o escalonamento? Indagado, o Executivo não respondeu aos questionamentos da coluna. Neste ano, o imposto alcançou 323.499 imóveis ativos na base cadastral do município.

No papel, o mecanismo parece razoável: a prefeitura atualizou a Planta Genérica de Valores, espécie de tabela que estima quanto vale cada imóvel da cidade. A última atualização venal dos imóveis era de 2010 e o IPTU acompanha essa valorização.

Bairro que melhorou, imposto que sobe. O raciocínio faz sentido. O que não faz sentido é aprovar a atualização às pressas, em dezembro, sem divulgar os critérios, sem mostrar o escalonamento e ainda colocar uma trava de 20% de aumento nos valores cobrados como se isso fosse um favor ao contribuinte. Transparência não é favor, é obrigação.

Para quem ainda não pagou o imposto com desconto de 10% em 2026, a prefeitura de Cuiabá agora deu prazo até o dia 10 de abril. O pagamento pode ser parcelado e a novidade é que também pode ser feito no cartão de crédito. O Executivo ainda não informou a expectativa de arrecadação.

No fim, o contribuinte segue pagando a conta sem ter retorno. Os números existem e parece faltar disposição de mostrá-los. Quando o assunto é imposto, omissão também tem preço.

Adriana Mendes - adrianam@ehfonte.com.br

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