Lula admite reunião com Vorcaro
Presidente confirmou que recebeu o então controlador do banco em dezembro de 2024, após pedido de Guido Mantega, em encontro realizado fora da agenda oficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, admitiu nesta quinta-feira (10) que se reuniu com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, no Palácio do Planalto. A confirmação ocorreu durante sabatina promovida pelo SBT Brasil.
Segundo Lula, o encontro aconteceu em dezembro de 2024, cerca de um mês depois de o Banco Central iniciar uma investigação sigilosa sobre problemas de liquidez da instituição financeira. A reunião teria durado aproximadamente 30 minutos e foi intermediada pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
De acordo com o presidente, Vorcaro procurou o governo para reclamar de uma suposta perseguição contra o banco. Lula afirmou que a orientação dada ao empresário foi de que o Banco Master seria submetido às mesmas regras aplicadas às demais instituições financeiras.
“Daniel Vorcaro veio conversar comigo no Palácio do Planalto”, afirmou Lula. “Ele e outro rapaz disseram que estavam perseguindo o banco dele. Eu disse que o Banco Master seria analisado como qualquer banco.”
O presidente também declarou que o governo não tinha interesse em fechar a instituição, mas que o banco precisaria atuar dentro das normas estabelecidas pelos órgãos reguladores.
“Ninguém tem interesse em fechar banco. Agora, você tem que estar correto. Como não estava, nós fechamos”, disse.
Além de Lula e Vorcaro, participaram da reunião o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, que à época havia sido escolhido pelo Senado para comandar o Banco Central, mas ainda não havia tomado posse. O encontro ocorreu fora da agenda oficial do presidente.
A revelação ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master e o avanço das investigações sobre a relação de Vorcaro com autoridades. Mensagens obtidas pela Polícia Federal colocaram o empresário em contato com integrantes do poder público e ampliaram a pressão por esclarecimentos sobre eventuais relações e interferências envolvendo o caso.
Na mesma entrevista, Lula também afirmou que qualquer autoridade sob suspeita deve ser investigada, independentemente do cargo ocupado. O presidente citou nominalmente ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Alexandre de Moraes, André Mendonça e Edson Fachin.
“Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo e a verdade sempre soberana”, declarou.







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