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Mais de 60% dos produtores rurais relatam dificuldade para contratar mão de obra em MT

Pesquisa do Imea aponta que a falta de qualificação técnica e a transição geracional elevam o risco de um apagão de profissionais nas propriedades rurais de Mato Grosso.

Marcos Salesse - PP
Mais de 60% dos produtores rurais relatam dificuldade para contratar mão de obra em MT

A escassez de trabalhadores qualificados no campo tornou-se um dos gargalos mais críticos para a agropecuária mato-grossense. Um levantamento divulgado nesta terça-feira (14) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com o Senar-MT, revela que 62,62% dos produtores rurais do estado enfrentam alta dificuldade para contratar novos funcionários.

Os dados fazem parte do projeto ‘Mapeamento de Indicadores do Estado de Mato Grosso‘, que ouviu 415 produtores em todas as sete macrorregiões entre março e abril de 2026. A pesquisa, que possui margem de erro de 5%, destaca que a falta de qualificação técnica (69,16%) e a incompatibilidade entre o perfil dos candidatos e as exigências das funções (23,37%) são os principais entraves.

A demanda por profissionais é alta: 83,82% dos produtores buscam novas contratações, com foco principal em operadores de máquinas (63,77%), seguidos por serviços gerais (38,65%) e técnicos agrícolas (14,25%).

Para o superintendente do Imea, Cleiton Gauer, o cenário exige uma análise cautelosa sobre um possível “apagão” de profissionais. Segundo ele, o diagnóstico precisa ser dividido por níveis de complexidade.

Para a mão de obra mais qualificada, como engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, estamos passando por uma transição geracional, onde vemos jovens buscando essas carreiras como oportunidade. Mas, para funções braçais e operacionais específicas, o risco de um apagão é real”, analisa Gauer em entrevista ao Portal Primeira Página.

O superintendente aponta a figura do vaqueiro como o exemplo mais emblemático dessa transformação.

Essa função tem deixado de existir no formato tradicional. Com o avanço da tecnologia e a mudança do perfil da atividade, é cada vez mais difícil encontrar profissionais com o padrão do passado. Estamos em um momento em que o setor precisa se reorganizar para motivar as pessoas a permanecerem na atividade ou buscar alternativas tecnológicas para a execução desse trabalho”, explica.

Veja abaixo as principais dificuldades apontadas pelos produtores no momento das contratações:

📊 Desafios da Mão de Obra
ProblemaImpacto
🎓 Falta de qualificação técnica69,16%
🧩 Perfil incompatível23,37%
⏳ Permanência no cargo17,83%
🤝 Dificuldade de relacionamento13,49%
📋 Outros7,47%
⚡ Falta de dedicação6,02%
😴 Falta de interesse5,78%
*Nota: a somatória ultrapassa 100%. Fonte: Mão de Obra na Agricultura de Mato Grosso, Imea (2026).

A barreira geracional

Outro ponto central revelado pelo estudo e reforçado por Gauer é a dificuldade de sucessão e atração de talentos jovens para o setor. Segundo o superintendente, é comum que produtores rurais estimularam seus filhos a buscarem carreiras fora do campo, tentando poupá-los do desgaste físico que enfrentaram no passado.

Existe um processo histórico cultural em que os pais diziam aos filhos: ‘não quero que você passe o trabalho que eu passei’. Isso criou um desafio para que os jovens enxerguem a fazenda como uma carreira viável”, pontua Gauer.

Apesar disso, o superintendente observa uma mudança gradual.

Estrutura e retenção de talentos

A pesquisa também expôs a fragilidade administrativa nas propriedades: 53,98% dos produtores não possuem uma estrutura formal de Recursos Humanos, o que torna o processo de recrutamento mais informal e dependente de redes de contato. Os dados mostram ainda que 91% dos produtores utilizando a indicação como principal método para encontrar novos talentos.

Por outro lado, o setor busca estratégias para frear a rotatividade e reter os profissionais. A pesquisa aponta que 85,92% dos produtores oferecem algum tipo de bonificação aos colaboradores fixos, sendo o bônus por produtividade o mecanismo mais adotado (58,64%).

Contudo, esse incentivo é significativamente menor quando se trata de mão de obra temporária, onde apenas 10,61% dos produtores adotam algum tipo de bonificação

O desafio, contudo, é enfrentado por alguns produtores com investimento em capacitação: 81,20% das fazendas entrevistadas promovem treinamentos para seus colaboradores.

Leia o estudo completo abaixo:

📖 E-book: Mão de Obra na Agricultura

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