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Pela primeira vez desde 2014, direita supera esquerda em identificação dos brasileiros

Pesquisa mostra mudança no perfil ideológico do eleitorado, impulsionada principalmente por pautas de comportamento, segurança e valores


Pela primeira vez desde 2014, direita supera esquerda em identificação dos brasileiros

Pela primeira vez desde 2014, a parcela de brasileiros que se identifica com a direita ou centro-direita superou a que se declara de esquerda ou centro-esquerda.

É o que revela pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (3), que aponta 44% dos entrevistados alinhados à direita ou centro-direita, contra 39% que se identificam com a esquerda ou centro-esquerda. Outros 17% se posicionam no centro. 

A diferença de cinco pontos percentuais está acima da margem de erro de dois pontos e representa uma mudança em relação ao cenário registrado em 2022, quando a esquerda reunia 49% das identificações ideológicas, enquanto a direita somava 34%, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro. 

O levantamento foi realizado presencialmente entre os dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-09956/2026. 

A classificação ideológica dos entrevistados foi definida a partir de um questionário com 16 afirmações relacionadas a valores sociais, culturais e econômicos. Dez perguntas abordaram temas como posse de armas, criminalidade, religião, homossexualidade e pobreza, enquanto outras seis trataram de economia, incluindo impostos, leis trabalhistas e o papel do Estado. 

Segundo o Datafolha, a principal mudança ocorreu nas chamadas pautas de comportamento. Em 2022, direita e esquerda apareciam tecnicamente empatadas nesse recorte, com 39% e 42%, respectivamente. No levantamento atual, a direita passou a reunir 52% das respostas, contra 29% da esquerda e 20% do centro. 

Já no campo econômico, as posições tradicionalmente associadas à esquerda continuam predominando, indicando que o deslocamento ideológico observado está concentrado em temas ligados a costumes, segurança pública e valores, e não necessariamente em mudanças de opinião sobre a atuação do Estado na economia. 

A pesquisa também identificou alterações na percepção da população sobre o porte de armas. Em 2022, 63% defendiam a proibição da posse de armas, enquanto 35% apoiavam o direito de possuir arma legalizada. No levantamento mais recente, esse percentual caiu para 55%, enquanto o apoio ao direito de possuir armas legalizadas subiu para 41%. 

Outro ponto analisado foi a percepção sobre as causas da pobreza. A parcela dos entrevistados que atribui a pobreza à falta de vontade de trabalhar aumentou de 22% para 40% entre 2022 e 2026. Por outro lado, aqueles que relacionam a pobreza à falta de oportunidades diminuíram de 76% para 58%. 

Na divisão dos entrevistados em cinco grupos ideológicos, o Datafolha registrou, em 2022, 9% de identificação com a direita, 24% com a centro-direita, 17% no centro, 32% na centro-esquerda e 17% na esquerda. No levantamento atual, os percentuais passaram para 15% na direita e 29% na centro-direita, consolidando o avanço desse campo político em relação à pesquisa anterior. 

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