Em meio ao ataque no Acre, evento da Abin em Cuiabá discute violência nas escolas
Evento vai discutir sobre a atuação da organização na prevenção e reação aos crimes
O Encontro SISBIN Centro-Oeste 2026, realizado em 6 de maio de 2026 em Cuiabá, foca centralmente na discussão e prevenção de ataques extremistas violentos em escolas. O evento reúne autoridades da ABIN, parlamentares e acadêmicos para abordar o tema sob diversas perspectivas técnicas e sociais.
As principais temáticas exploradas na programação incluem a atuação da Inteligência de Estado na prevenção de ataques, diretrizes nacionais de segurança escolar e experiências práticas de núcleos de inteligência estaduais e centros integrados de proteção, painéis que discutem o histórico e a reação a esses ataques, o papel do parlamento e das comissões de inteligência na criação de leis preventivas, legislações estaduais de combate à violência escolar e debate sobre educação inclusiva e os desafios do distanciamento geracional entre pais e filhos no contexto atual.
O evento é encerrado pela diretoria-geral da ABIN, consolidando as estratégias de inteligência para o enfrentamento desse fenômeno no Brasil.
ATAQUE EM ESCOLA NO ACRE
O encontro ocorre em momento chave. Na tarde desta terça-feira (05), um menino de 13 anos assassinou duas funcionárias do colégio Instituto São José, em Rio Branco, em que ele estudava em um ataque planejado à instituição, Alzenir Pereira da Silva e Raquel Sales Feitosa.
Outra funcionária e uma aluna de 11 anos também foram atingidas pelos disparos, mas já foram liberadas do Pronto Atendimento e passam bem.
A arma, uma pistola calibre 380, era do padrasto do menino, um advogado. A criança e o responsável legal dele já estão sob custódia do estado. O celular do jovem também foi apreendido.
Autoridades relataram que os disparos ocorreram em um corredor que dá acesso à sala da diretora e que o aluno não teve acesso às salas de aula. As funcionárias que morreram tentaram deter o ataque e defender os alunos.
A comandante-geral da PM-AC, coronel Marta Renata, explicou que agentes que atuam no Centro da capital acreana comunicaram sobre a emergência por meio de um grupo de mensagens, momento em que a primeira guarnição foi mobilizada.
Quando os policiais chegaram, o adolescente já havia deixado o local. A comandante disse que o aluno se entregou no Comando-Geral da PM, a cerca de 550 metros do colégio.
Duas linhas de investigação estão sendo conduzidas: apuração do ato infracional do adolescente e investigação da falta de cuidado que o padrasto teve na guarda do armamento.
VÍTIMAS
Em uma postagem nas redes sociais da escola, a instituição lamentou o falecimento das funcionárias Raquel e Alzenir. Disseram que o “zelo, responsabilidade e afeto deixarão lembranças eternas em todos nós que tivemos o privilégio de conviver com elas”, manifestaram condolências aos amigos, familiares e comunidade pela “perda irreparável” e finalizaram: “que suas memórias permaneçam vivas em nossos corações”.
Foi informado que Alzenir Pereira da Silva era inspetora do Instituto São José e é lembrada por alunos e colegas por sua postura acolhedora. Alunos a descrevem como uma pessoa bondosa, paciente e inesquecível no convívio diário. Ela era conhecida como "Tia Zena".
Raquel Sales Feitosa era inspetora na escola há cinco anos. Além do trabalho no Instituto São José, também cursava enfermagem. Ela deixa um filho.
PROVIDÊNCIAS
O Governo do Acre rapidamente tomou providências sobre o caso. No mesmo dia publicaram uma nota explicando e lamentando o ocorrido. Por meio dela informaram que a Polícia Civil do estado já estava investigando o caso e buscando entender a motivação e dinâmica e identificar os culpados.
A suspeita é que o menino não agiu sozinho e que mais alunos tinham conhecimento do ataque. Eles já foram identificados pela polícia.
A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) está acompanhando as vítimas, a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) prestou apoio psicológico e social às famílias atingidas, incluindo os familiares do adolescente autor do ato infracional análogo ao crime de homicídio e a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do estado suspendeu as aulas e decretou luto de três dias.
O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública do Acre (Sejusp), José Américo Gaia, informou: “Todas as redes estaduais, municipais e, inclusive, as particulares aderiram à suspensão das atividades por três dias. O setor de segurança pública adotará em todo o Acre protocolos de segurança nas escolas, com detectores de metal e averiguação de mochilas e bolsas, para que possamos evitar de forma eficiente um crime como esse ocorrido hoje em Rio Branco”.
AUTORIDADES LAMENTAM
Em postagem nas redes sociais, a Governadora do Acre, Mailza Assis, afirmou que a “tragédia abalou o nosso estado” e se solidarizou com todos os afetados pelo ataque.
“Como mãe e governadora, quero me solidarizar com as famílias e garantir que as investigações irão até o esclarecimento total do ocorrido."
Informou que o Governo está agindo no atendimento das vítimas e investigação e que está acompanhando o desenrolar da situação: “Minhas orações estão com as famílias e com todos que foram atingidos por essa tragédia”.
O Ministro da Educação, Leonardo Barchini, também publicou nas redes uma mensagem de luto. Disse que já está em contato com Mailza e enviou uma equipe do Programa Escola que Protege, especializada em situação de crise e violência extrema, para auxiliar nos procedimentos. Segundo o político, a prioridade é o cuidado com os afetados pelo ataque.








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