Governo de MT depositou R$ 448 milhões em fundo com conexões com o PCC, diz Taques
A informação foi revelada pelo ex-governador Pedro Taques em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado nesta quarta.
O Governo de Mato Grosso depositou, em 2023, R$ 448 milhões no MTPar Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (MTPar FIDC), um fundo de investimentos que depositou recursos no montante de R$ 1 milhão em um segundo fundo, o Monkey Market, que recebeu investimentos de fundos com conexões com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), original de São Paulo.
A informação de que o estado pagou R$ 448 milhões, em abril de 2023, para o MTPar FIDC foi revelada pelo ex-governador Pedro Taques em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado nesta quarta-feira (25.03). Os investimentos do MTPar FIDC foram revelados em reportagem do portal ICL Notícias, que demonstrou que o fundo investiu R$ 1,1 milhão no Money Market Fundo de Investimento Renda Fixa, que também recebeu investimentos de R$ 845 mil do Murren 41 Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios, ligado ao fundo Hans 95, acusado de movimentar recursos do PCC e de injetar R$ 1 bilhão em empresas do Banco Master.
O MT Par FIDC foi criado para comprar a dívida bancária de R$ 447 milhões da antiga Rota do Oeste, quando o Governo de Mato Grosso comprou a concessionária em um negócio que custou mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos e livrou a Odebrecht, controladora da Rota do Oeste, da dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Entretanto, o valor de R$ 447 milhões ainda consta no balanço do fundo de investimentos como sendo “Direitos Creditórios com Aquisição Substancial dos Riscos e Benefícios”. Em abril de 2025, o MT Par FIDC recebeu R$ 650 mil do Governo de Mato Grosso em um pagamento que foi classificado como “despesas referentes à manutenção de recursos”. O pagamento cita o Contrato 037/2023, que não foi localizado pela reportagem no Portal da Transparência.
Além da relação de investimentos do MTPar FIDC com fundos ligados com a facção criminosa paulista, Taques também apontou durante o depoimento as conexões com a empresa Reag Investimentos, que administra o fundo MTPar FIDC. Segundo o ex-senador, um ex-CEO da empresa foi nomeado no conselho de direção da Nova Rota do Oeste. Fato que, segundo ele, configuraria conflito de interesses.







COMENTÁRIOS