13 de Julho de 2024

VARIEDADES Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2023, 06:25 - A | A

LUTO NA IMPRENSA

Pioneiro no jornalismo mato-grossense, Ademar Andreola morre após sofrer parada cardíaca

Ademar foi lembrado como uma pessoa festeira, de bom coração e inteligente

Alexandra Lopes - HNT

Andreoli

 

Figura histórica para o jornalismo mato-grossense, Ademar Andreola morreu nesta segunda-feira (13), após sofrer uma parada cardíaca, aos 65 anos.

O assessor de imprensa da Secretaria de Estado de Fazenda estava internado para tratamento de uma enfermidade considerada grave. Ele chegou a ficar na UTI do Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, por 30 dias, mas não conseguiu reestabelecer a saúde e morreu por volta das 16h50 desta segunda. 

Natural da região serrana de Santa Catarina, Andreola veio a Mato Grosso na década de 1980. Seu compadre, o jornalista Ronaldo Pacheco, em entrevista ao HNT se referiu a Ademar como pessoa de ‘alma bondosa”, festeira e extremamente inteligente. Ele ainda dedicou a música “Pau Rodado” do trio Pescuma, Henrique e Claudinho na última homenagem ao amigo de longa data.

Coração muito bondoso. Ajudou muita gente. Ele é igual aquela música de Pescuma, Henrique e Claudinho: ‘eá, eá, eá, só não nasci em Cuiabá, mas no que eu cresci, meu bom Jesus mandou buscar'. Ele é da Região Serrana de Santa Catarina. Cresceu no Paraná. Em 1982 veio a Cuiabá”, iniciou Pacheco.

Pacheco elogiou a importância política ao destacar que o jornalista recebeu do então deputado estadual Humberto Bosaipo título de cidadão mato-grossense pela Assembleia Legislativa e de cidadão cuiabano das mãos de Júlio Pinheiro (já falecido) título de cidadão cuiabano pela Câmara de Cuiabá.

Pacheco, que trabalhou com Andreola na Rádio Industrial de Várzea Grande e fez outras parceria no meio, conta que o jornalista era bastante engajado com pautas sociais. 

Eu comecei a trabalhar com ele na Rádio Industrial de VG. Ele era coordenador de jornalismo e eu era repórter. Durante muitos anos, Ademar fazia vaquinha entre os colegas, comprava cestas básicas para entregar para famílias de bairros carentes e ele nunca permitiu que isso fosse divulgado. Ele pegava as cestas e saia para entregar”, lembrou.

A veia social teria sido aflorada após a passagem do jornalista pelo setor de comunicação da Fundação de Promoção Social (Prosol), presidida por Izabel Campos (já falecida). “Quando ele chegou em Mato Grosso, ele foi trabalhar na Rádio Industrial e depois foi para a Prosol, hoje, chamada Setas (Secretaria de Estado de Assistência Social). Ele foi assessor da Prosol. Presidente era a primeira-dama Isabel Campos então esposa do governador Julio Campos”, emendou.

O assessor de imprensa do senador Jayme Campos (UB), Edilson Aguiar, que ao lado de Andreola, Auro Ida (falecido), George Almeida (falecido) e do assessor do Tribunal de Contas José Roberto Amador, o Bebeto, fundou o site Mídia News em 1999, lembrou de Andreola como pessoa que gostava de aglutinar e entregar profundidade nas notícias.

BLOCO IMPRESSANDO O BEBUM

Festeiro, Ademar ajudou a criar o Bloco Impressando o Bebum, do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (SindJor). “Ele era festeiro. Ele foi diretor do bloco. Ele conseguia muitas doações do bloco tamanha sua envergadura, para confecção das camisetas, que custavam R$150, mas a gente vendia por R$ 30. Mais de 400 foliões, metade era jornalista, desciam a avenida Mato Grosso”, lembrou Ronaldo Pacheco com saudade.

JORNALISMO ONLINE

O jornalista Edilson Almeida relata ao HNT que o lançamento do Mídia News causou no, bom sentido, muito alvoroço na época. Segundo ele, a questão do aspecto da novidade e da agilidade em divulgar as notícias era o diferencial que conquistou os leitores.

Era tudo online. A gente era uma mídia de jornalistas independentes. Sempre buscávamos informações bem apuradas. Fomos nós que descobrimos a máfia do Fisco, fomos nós que demos o assassinato do juiz Leopodino Amaral, investigamos na época a questão da venda sentenças. Participamos de vários momentos. Isso foi um marco para o jornalismo de Mato Grosso no sentindo de aprofundar nas informações de forma mais conectada com aquilo que a imprensa nacional vinha fazendo. E o Ademar participou disso como editor”, declarou Almeida.

Para Edison, Ademar foi peça principal nesse processo. Nesse contexto, Almeida destaca a capacidade de Ademar de aglutinar pessoas e na insistência em investir no jornalismo investigativo.

Uma pessoa maravilhosa. Ser humano inteligente, de capacidade de aglutinar pessoas, de aglutinar informações. Para ele não bastava só receber a informação ele aprofundava e buscava sua importância. Ademar fazia isso. Ele é uma pessoa que nos ajudou a compreender as informações que chegavam. Era uma pessoa que investiu muito nesse aspecto do jornalismo investigativo em Mato Grosso trabalhava na busca da profundidade das notícias que eram entregues para população”, finalizou Almeida.

MAIS SOBRE ADEMAR

Ademar Andreola é formado pela Universidade de Curitiba (PR). Chegou a Mato Grosso em 1982. Seu primeiro emprego foi na Rádio Industrial de Várzea Grande. De lá para cá, ocupou cargos de editor em sites e também atuou na Comunicação do Estado e da Prefeitura de Cuiabá. Ele é pai da da jornalista Noelisa Andreola.

PESAR

Em nota, o governador Mauro Mendes (UB) e a primeira-dama Virgínia Mendes lamentaram a morte. 

"Recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento do nosso jornalista Ademar. Uma personalidade do jornalismo mato-grossense, Ademar também muito contribuiu com a história do Governo de Mato Grosso. Ficamos consternados e desejamos que Deus console a todos os amigos e familiares neste momento difícil", declararam.

A secretária de Estado de Comunicação, Laice Souza, também externou o luto lembrando do profissionalismo e caráter do jornalista.

"Ele é, acima de tudo, um grande companheiro e amigo. Um jornalista que ensinou muita gente e de um grande caráter. O jornalismo, a família e os amigos perdem um grande homem. Que Deus conforte a sua filha Noelisa e toda família", manifestou.

O secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, com quem o jornalista trabalhou pelos últimos 10 anos, disse que o legado de Andreola permanecerá vivo.

"Ele foi um conselheiro leal para mim, muito mais do que um assessor. Me auxiliou nas primeiras entrevistas que concedi como um pai assiste a um filho. Tinha uma obsessão pela comunicação direta, fácil, objetiva. Com ele, temas áridos tornavam-se fáceis. Excelente jornalista, pai, amigo. Superando as fraquezas, colecionou inúmeras qualidades. Uma delas a de ser palmeirense fanático. Fará falta a todos nós como um dos últimos da sua geração de jornalistas de Mato Grosso, porém, seu legado não será esquecido. O seu legado será eterno. Quem o conheceu sabe", afirmou Gallo.



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