PCC se torna referência para organizações criminosas internacionais, afirma especialista italiano
Autoridades do Brasil e da Itália alertam para expansão global da facção brasileira, que teria deixado de atuar apenas no sistema prisional e ampliado operações no tráfico internacional e na economia ilegal
O Primeiro Comando da Capital (PCC) passou a ser visto por organizações criminosas estrangeiras como um modelo de atuação, segundo avaliação do especialista italiano Giovanni Tartaglia, assessor jurídico do Ministério das Relações Exteriores da Itália. A declaração foi feita durante uma conferência que reuniu autoridades brasileiras e italianas para discutir o avanço do crime organizado internacional.
Segundo Tartaglia, a facção brasileira deixou de ser apenas um grupo criminoso ligado ao sistema prisional e passou por uma transformação estrutural, tornando-se uma rede com atuação internacional. Na avaliação do especialista, o PCC se consolidou como um dos exemplos mais relevantes da nova dinâmica do crime organizado global.
O italiano afirmou que a organização ampliou sua presença para além das fronteiras brasileiras, especialmente no tráfico internacional de cocaína, além de desenvolver mecanismos de influência econômica e territorial. O grupo teria passado de uma estrutura violenta para uma organização com características de rede e capacidade de expansão transnacional.
Dados apresentados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, apontam que o PCC possui milhares de integrantes e presença em dezenas de países. A expansão internacional da facção tem levado autoridades a defenderem maior cooperação entre governos no combate ao narcotráfico, à lavagem de dinheiro e à infiltração do crime organizado em atividades legais.
Durante o evento, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e ex-ministro das Relações Exteriores Francisco Rezek também destacou a dimensão internacional alcançada pela organização. Segundo ele, o PCC nasceu dentro do sistema prisional paulista, mas rapidamente demonstrou uma vocação para ultrapassar fronteiras.
O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, ressaltou a importância do enfrentamento à corrupção de agentes públicos, afirmando que organizações criminosas dependem, em muitos casos, de apoio ou facilitação dentro do próprio Estado para ampliar suas operações.
A conferência reforçou a necessidade de uma atuação conjunta entre países para combater um fenômeno que, segundo especialistas, deixou de ser restrito à segurança pública nacional e passou a representar um desafio internacional envolvendo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e controle de mercados ilegais.






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