20 de Julho de 2024

OPINIÃO Domingo, 04 de Dezembro de 2022, 18:01 - A | A

Língua com purê de batatas

Conheci esse prato, que se tornou um dos meus prediletos, em 1953

gabriel novis neves gde

 Gabriel Novis Neves 

A cozinheira atual é uma craque na arte do fogão, e a semana toda só falta adivinhar meu pensamento para preparar o quitute, não repetindo o prato na mesma semana.

Nas suas folgas tenho uma cuidadora, estudante do curso técnico de enfermagem, e também ótima cozinheira.

Em um domingo pedi que ela me preparasse um prato de língua com purê de batatas.

Eis a receita do prato: A língua, após ser descongelada, é colocada na panela de pressão com água por quinze minutos para cozinhar.

Depois é feito a sua retirada da panela para a limpeza.

Corta-se em rodelas, temperando com sal, alho, cebola, vinagre, pimenta do reino.

Coloca novamente na panela de pressão por mais vinte e cinco minutos.

Dá uma fritada e está ao ponto para ser servida.

O purê de batatas é feito de acordo com o número de pessoas que irão almoçar.

Para duas pessoas, descasca-se quatro batatas e coloque dentro de uma panela com água para cozinhar por vinte minutos.

Retires as batatas já cozidas, amasse com garfo e tempere com manteiga, leite, sal e um pouco de creme de leite.

Ponha novamente na panela, retorne ao fogo até chegar ao ponto, quando é retirada e servida junto à língua.

Conheci esse prato, que se tornou um dos meus prediletos, em 1953, quando fui estudar no Rio de Janeiro.

Certa ocasião colegas veteranos, me convidaram para jantar no tradicional bar e restaurante Recreio, na Praça José de Alencar, no Flamengo.

Já ia pedir bife, dois ovos fritos em cima do arroz branco, quando notei que meus amigos tinham escolhidos língua com purê de batatas.

O garçom me deu explicações sobre o prato e resolvi experimentá-lo.

O bar e restaurante Recreio era muito frequentado por estudantes, jornalistas, intelectuais e boêmios.

Gente boa, mas com pouca grana, e a língua era o prato que mais saía, por ser gostoso e barato.

O dinheirinho que sobrava era para o chope sem colarinho.

Durante os anos que morei no Rio sempre ia ao Recreio.

O garçom já me trazia o chope, outra novidade para mim, pois aqui em Cuiabá não existia, e língua com purê de batatas.

Gabriel Novis Neves é médico e ex-reitor da UFMT



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