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Vorcaro relata pagamento de R$ 30 milhões para filme sobre Lula

Ex-banqueiro afirma que negociações envolveriam R$ 30 milhões para documentário sobre Lula e repasses de até 10% dos recursos captados pelo Master; PGR e PF rejeitaram proposta de delação por falta de provas

CNN Brasil
Vorcaro relata pagamento de R$ 30 milhões para filme sobre Lula

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relatou em uma proposta de colaboração premiada um suposto esquema de pagamentos a integrantes do PT em troca de acesso a fundos de pensão de servidores públicos federais. Segundo informações divulgadas pela revista Veja, os relatos mencionam um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões, em dinheiro vivo, relacionado ao financiamento de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de supostas cobranças de propina sobre recursos captados pelo banco. 

As alegações teriam sido apresentadas em um anexo encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em junho, durante as negociações para uma possível delação premiada. A proposta, no entanto, não avançou. Integrantes da Polícia Federal informaram à CNN Brasil que a colaboração foi recusada por falta de elementos mínimos capazes de conferir credibilidade aos relatos. A PGR teria chegado à mesma conclusão. 

De acordo com a reportagem, Vorcaro afirmou que as negociações foram articuladas por seu então sócio e executivo do Master, Augusto Lima, com a participação de interlocutores ligados ao PT. Entre os nomes citados está o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto, que teria atuado nas tratativas para viabilizar a entrada do banco nos fundos de previdência. 

O senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo Lula no Senado, também é mencionado na reportagem como suposto intermediário do primeiro encontro com Vaccari. 

No relato atribuído a Vorcaro, o empresário afirmou que teria sido sugerido um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões para custear despesas de um documentário sobre Lula produzido no exterior, além de recursos destinados ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto. 

“Um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente R$ 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”, diz o trecho atribuído ao ex-banqueiro. 

O filme mencionado seria Lula, documentário dirigido por Oliver Stone, que reúne depoimentos de pessoas próximas ao presidente e de aliados políticos. 

Segundo a publicação, Vaccari também teria exigido uma comissão de 10% sobre os valores que o Banco Master conseguisse captar junto a fundos de previdência ligados à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil, à Petrobras e aos Correios. A estimativa apresentada no relato seria de R$ 1 bilhão destinado ao PT e R$ 9 bilhões ao banco. 

As informações, contudo, fazem parte de alegações atribuídas a Vorcaro e não representam conclusões judiciais comprovadas. 

A reportagem também apresentou um áudio atribuído a Vorcaro no qual ele comenta supostos pagamentos relacionados ao Instituto Lula e ao documentário sobre o presidente. 

Em outro trecho, o ex-banqueiro teria comparado o financiamento dessa produção ao patrocínio de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

Na gravação divulgada, Vorcaro teria afirmado que o financiamento do documentário sobre Lula ocorreu de maneira irregular, enquanto o apoio à produção sobre Bolsonaro teria sido feito por meio de patrocínio formal. 

Uma fonte da PGR ouvida reservadamente pela CNN Brasil afirmou, porém, que o áudio não foi encaminhado à equipe responsável pelas tratativas de colaboração premiada. Também existe a suspeita de que a gravação tenha sido produzida depois do fracasso das negociações. 

A mesma fonte apontou diferenças entre o conteúdo divulgado e os relatos apresentados pelos advogados de Vorcaro durante as tratativas. Segundo ela, os documentos eram escritos de forma esquemática e em terceira pessoa, diferentemente da linguagem em primeira pessoa atribuída ao ex-banqueiro na reportagem. 

As supostas negociações também envolveriam pessoas ligadas à Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Entre os nomes citados estão Alexandre Padilha, que comandava a pasta à época, e seu então secretário-executivo, Olavo Noleto. 

Conforme a Veja, um operador identificado como “Júlio” teria intermediado contatos entre Vorcaro e integrantes do governo, além de facilitar aproximações com dirigentes de fundos de previdência. 

Mensagens atribuídas aos envolvidos indicariam conversas sobre reuniões em Brasília, contatos com representantes da Previ, da Petros e do Postalis e tentativas de viabilizar operações financeiras. 

Em uma das trocas reproduzidas pela publicação, Vorcaro pergunta sobre o andamento das tratativas com os fundos. O interlocutor responde que os contatos estavam evoluindo e menciona novas reuniões para discutir as operações. 

A reportagem também aponta que, em 29 de abril de 2024, o Banco Master passou a integrar a chamada “lista exaustiva”, relação oficial de instituições financeiras autorizadas a receber recursos de fundos de previdência estatais. 

Segundo as mensagens divulgadas, no mesmo dia teria ocorrido uma conversa sobre um pagamento de R$ 500 mil. O conteúdo, por si só, não comprova que o valor tenha sido pago em troca da autorização nem estabelece eventual vínculo entre os fatos. 

Apesar das conversas e das tentativas de aproximação, as operações pretendidas pelo Banco Master não teriam alcançado os resultados esperados. Um dos negócios mencionados envolvia a tentativa de negociar R$ 500 milhões em letras financeiras com a Caixa Econômica Federal, operação que acabou comprometida após um vazamento. 

Mensagens de outubro de 2024 também mencionariam uma possível reunião de Vorcaro com Lula. Os diálogos citados pela reportagem, entretanto, não comprovam que o encontro tenha efetivamente ocorrido. 

Em junho de 2025, o ex-banqueiro teria demonstrado insatisfação com a falta de resultados após mais de um ano de tentativas para concluir operações. Nas conversas, ele cobra avanços e ameaça encerrar o trabalho do intermediário caso nenhum negócio fosse concretizado. 

Procurado, Lula negou ter solicitado ou recebido qualquer vantagem financeira relacionada a Vorcaro e afirmou que não autorizou terceiros a receber recursos em seu nome. 

Alexandre Padilha também negou relação com o ex-banqueiro. 

As acusações ainda não foram comprovadas judicialmente. Vorcaro teve duas propostas de colaboração premiada rejeitadas, e a ausência de avanço nas negociações significa que os relatos não foram formalizados em um acordo de delação homologado. 

O caso reúne alegações sobre possíveis pagamentos irregulares, tentativas de acesso a fundos de previdência e contatos com integrantes do meio político. A confirmação de eventuais crimes depende da existência de provas independentes, da apuração pelas autoridades competentes e da análise judicial.  

*Com informações da CNN Brasil

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