Mensagens revelam que Roberta Luchsinger apresentava Lulinha como seu sócio; ouça áudio
Em depoimento à Polícia Federal, lobista afirmou que relação com filho de Lula era apenas de amizade; oito mensagens obtidas pela imprensa fazem referência a uma sociedade entre os dois
Novas mensagens atribuídas à lobista Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência, colocam em evidência a relação dela com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quinta-feira (17), oito conversas de texto e áudio mostram Roberta se referindo a Lulinha como “meu sócio” em diferentes ocasiões entre 2023 e 2024.
A revelação contrasta com o depoimento prestado por Roberta à Polícia Federal em maio deste ano. Na ocasião, segundo a reportagem, ela teria reduzido a relação com Lulinha a uma amizade e negado ter realizado repasses financeiros a ele.
Em uma das mensagens, de 25 de junho de 2024, Roberta conversa com um contato identificado como “Adelaida Borg – Gerente Le Bristol”, aparentemente relacionado ao luxuoso hotel Le Bristol, em Paris.
Ao explicar por que não havia encontrado a pessoa durante uma passagem pela cidade, escreveu que estava acompanhada do “meu sócio”, identificando-o como filho do presidente Lula.
Em outra conversa, de 13 de maio de 2024, Roberta afirma que estava permanecendo entre terça e quinta-feira em Brasília “com o meu sócio q é filho do pr”.
Em 3 de março daquele ano, ela encaminhou uma mensagem de Lulinha a uma pessoa identificada como Ana Carolina Alencar e pediu que fosse mostrada a Marcelo, apresentando Fábio como “meu sócio”.
Em áudio enviado em fevereiro de 2024, Roberta também afirmou: “E o Fábio, meu sócio, já viajou para Barcelona”.
As mensagens apresentadas na reportagem também incluem referências anteriores.
Em janeiro de 2024, Roberta afirmou que viajaria para Genebra acompanhada das filhas e que Fábio, identificado por ela como “meu sócio”, estaria no mesmo destino com a esposa e os filhos.
Em outro áudio, enviado em 10 de janeiro de 2024, ela mencionou uma empresa que teria com Fernando Bittar e Fábio, filho do presidente, novamente utilizando o termo “sócio”.
Já em outubro de 2023, em conversa com um advogado de São Paulo, escreveu: “O Fábio eh meu sócio. Eu ele e o Fernando Bittar.”
Lulinha é alvo de três investigações da Polícia Federal autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e possíveis relações com negócios junto a órgãos públicos. Ele nega ter cometido irregularidades.
Uma das investigações apura suspeitas relacionadas a uma tentativa de negociação envolvendo medicamentos à base de cannabis e o Ministério da Saúde. Outra apuração envolve a Dataprev. Uma terceira frente também trata de suspeitas relacionadas à atuação de Lulinha e às relações de Roberta com pessoas do entorno do governo federal.
A Polícia Federal também analisou mensagens trocadas diretamente entre Roberta e Lulinha. Em uma delas, de março de 2024, os dois conversaram sobre negócios e contatos dentro do governo federal.
Em entrevista concedida anteriormente, Roberta Luchsinger afirmou que sua relação com Lulinha é antiga e começou antes de Lula voltar à Presidência.
Ela declarou que os dois são amigos e negou ter utilizado essa proximidade para obter vantagens junto ao governo. Também afirmou que chegou a ter intenção de realizar negócios com Fábio, mas que não teria concretizado essas iniciativas no âmbito público.
A defesa de Lulinha também nega irregularidades. Uma das investigações chegou a motivar pedido da Procuradoria-Geral da República para que o caso fosse remetido à primeira instância, sob o argumento de que não haveria autoridade com foro privilegiado envolvida na apuração.
O conteúdo das novas mensagens deverá ser considerado no contexto das investigações, que ainda estão em andamento e não representam, por si só, comprovação de crime ou de uma sociedade empresarial formal entre Roberta Luchsinger e Lulinha.







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