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Lula leva fotógrafo de campanha em avião oficial durante agenda presidencial

Ricardo Stuckert deixou equipe do governo para atuar na campanha de reeleição, mas acompanhou presidente em compromisso oficial no Amapá

Da Redação - Folha do Estado
Lula leva fotógrafo de campanha em avião oficial durante agenda presidencial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou o fotógrafo de sua campanha à reeleição, Ricardo Stuckert, em uma aeronave da Presidência da República durante uma agenda oficial no Amapá, na segunda-feira (17).

O episódio ocorreu um dia depois do início oficial da campanha eleitoral de 2026 e levantou questionamentos sobre o uso da estrutura pública no período eleitoral. 

Stuckert havia deixado, em julho, a equipe do governo para se dedicar exclusivamente à campanha de Lula. Mesmo assim, acompanhou o presidente durante a visita a um navio-sonda da Petrobras, onde foi anunciada uma descoberta de petróleo em águas ultraprofundas da Margem Equatorial. 

Durante a agenda, o fotógrafo registrou imagens de Lula. Parte do material foi posteriormente publicada pela equipe de campanha do presidente nas redes sociais. A Petrobras também utilizou registros feitos por Stuckert  

Fotógrafo deixou cargo no governo

Ricardo Stuckert trabalha como fotógrafo há cerca de 30 anos e acompanha Lula há 23. Até julho deste ano, ele ocupava o cargo de secretário de produção na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. 

Após deixar a função, passou a atuar exclusivamente na campanha de reeleição do petista. Segundo a equipe de Lula, Stuckert participou da viagem ao Amapá como fotojornalista convidado e sua presença não teria gerado custos aos cofres públicos. 

Apesar da justificativa, o fato de um profissional que atualmente trabalha para a campanha presidencial ter acompanhado uma agenda oficial em avião da Presidência passou a ser questionado justamente no início do período eleitoral. 

Legislação restringe uso da estrutura pública

A legislação eleitoral estabelece restrições ao uso de bens e serviços públicos durante as eleições. O artigo 73 da Lei nº 9.504/1997 prevê, entre outras proibições, o uso de bens móveis ou imóveis da administração pública em benefício de candidatos. 

O Tribunal Superior Eleitoral também considera que a utilização efetiva de bens públicos para favorecer uma candidatura pode configurar conduta vedada pela legislação eleitoral, sujeitando os envolvidos a sanções, como multa e, em determinadas situações, cassação do registro ou do diploma. 

No caso de Stuckert, a discussão envolve a participação do fotógrafo em uma agenda oficial de Lula depois de sua saída do governo para trabalhar na campanha eleitoral.  

O episódio deverá ser acompanhado em meio ao início da corrida presidencial de 2026, especialmente diante das regras que buscam impedir que candidatos utilizem a estrutura do Estado para obter vantagens eleitorais.

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