Pesquisas de âmbito nacional, como a 'Retratos da Leitura no Brasil', revelam que o brasileiro lê, em média, menos de 5 livros por ano, número inferior ao de países com renda e escolaridade semelhantes, como Argentina, Chile ou Portugal.
Além disso, cerca de 30% da população declara não ter lido nenhum livro nos últimos 12 meses.
Esses dados revelam uma barreira cultural e educacional que só será superada com políticas persistentes de estímulo à leitura e com a ampliação do acesso a acervos de qualidade e gratuitos como o oferecido pela Biblioteca.
Por sua vez, o Atlas Digital de Desastres (atlasdigital.mdr.gov.br/), estruturado com rigor técnico e base científica, oferece informações detalhadas sobre a incidência, frequência e impactos de desastres naturais em todo o território nacional desde 1991.
Trata-se de um recurso indispensável para gestores públicos, pesquisadores, jornalistas e cidadãos interessados em compreender a dinâmica desses eventos.
Em um país periodicamente fustigado por enchentes, secas, deslizamentos e queimadas, a inteligência territorial torna-se condição indispensável para mitigar tragédias e preservar vidas.
Estimativas oficiais indicam que, apenas entre 2010 e 2020, os prejuízos econômicos acumulados por desastres no país ultrapassaram R$ 300 bilhões, além do custo inestimável de vidas ceifadas e comunidades devastadas.
Diante disso, mapear a incidência, a recorrência e a dinâmica desses eventos deixa de ser um exercício acadêmico e torna-se imperativo de gestão pública. Informações confiáveis permitem planejar obras de infraestrutura, orientar políticas de prevenção, treinar equipes de resposta rápida e, sobretudo, proteger vidas.
O Atlas Digital de Desastres é uma ferramenta estratégica para transformar tragédias anunciadas em eventos mitigáveis.
Essas plataformas são expressões concretas de uma atuação pública proativa e eficaz: a que investe na produção e disseminação de conhecimento.
E é justamente por isso que precisam ser mais conhecidas, mais acessadas e, sobretudo, preservadas.
Não podem ficar sujeitas à descontinuidade, ao abandono ou ao sucateamento — riscos infelizmente crônicos na nossa tradição administrativa.
A Biblioteca Digital do MEC e o Atlas Digital de Desastres são exemplos de como o Estado e a academia podem produzir bens públicos de relevância e valor.
São instrumentos que ampliam horizontes, reduzem desigualdades e fortalecem a cidadania.
Numa sociedade marcada por assimetrias profundas, democratizar informação é semear futuro e esperança.
LUIZ HENRIQUE LIMA é professor, escritor e conselheiro independente certificado.



Luiz Henrique Lima 



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