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José Carlos Pereira e a Igreja Matriz de Sant' Ana


José Carlos Pereira e a Igreja Matriz de Sant' Ana Benjamin Duarte Monteiro Neto

 A influência de José Carlos na Igreja Matriz de Sant' Ana em Chapada dos Guimarães (MT) foi determinante para o seu acabamento artístico e ornamentação interna durante o século XVIII. Ele se destaca pelos seguintes pontos, na Contratação do mestre dourador e pintor João Marcos Ferreira em Cuiabá, o contratou de por escritura pública para realizar todo o trabalho de pintura e douramento necessário na igreja de Chapada. Ele foi buscar doações significativas para as obras. Um exemplo notável foi o acordo com o padre Francisco Xavier Leite de Almeida, que doou 780 oitavas de ouro para o douramento após o Dr. José Carlos conseguir seu provimento na referida igreja, evitando que o padre fosse transferido para uma região mais remota e através de sua influência, ele garantiu que recursos de testamentos, como o do pároco João Alves Torres (que legou 64 oitavas de ouro), fosm aplicados diretamente na finalização estética do templo.

Diferente das personalidades contemporâneas, José Carlos Pereira foi um magistrado português cuja atuaçã foi decisiva para a construção do templo barroco. Ele atuou como Juiz de Fora e administrador na Capitania de Mato Grosso durante o final do século XVIII. Ao chegar à Chapada em 1778, ele descreveu a capela anterior como uma "palhoça na verdade indecentíssima", o que o motivou a liderar a construção da nova matriz que vemos hoje.

Embora não existam registros detalhados de sua vida pessoal (nascimento ou falecimento) em biografias populares, seu nome aparece em documentos do Arquivo Público de Mato Grosso como o articulador político e financeiro que transformou a Igreja de Sant'Ana no maior legado arquitetônico colonial do estado. Não encontrei precisamente o local de falecimento registrado documentos digitais de fácil acesso, o que é comum para autoridades coloniais menores do século XVIII. O destino mais provável para juízes de fora e administradores coloniais após o término de seus mandatos (geralmente de três anos, podendo ser prorrogados). Muitos faleciam em Lisboa ou em suas terras natais em Portugal após servirem no Brasil. Caso tenha permanecido na região após suas funções oficiais, ele teria falecido na antiga capital, Vila Bela da Santíssima Trindade, ou em Cuiabá, que eram os centros administrativos e residenciais da elite colonial de
Mato Grosso no final do século XVIII.

Abaixo a transcrição do Livreto do Prof. Doutor Carlos Rosa, feito por encomenda do empresário jurandir spinelli na ocasião da 2º Cavalgada “TOPE DE FITA” Esbarro no Hoje, Recuo no Tempo, Galope na História, titulo este de autoria do amigo Jurandir.

Passados 10 anos, o Juiz de Fora da Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, Dr. José Carlos Pereira, "Por ocasião de certa diligência do Real serviço, havia passado, em Novembro do ano passado [1778] à Missão de Santa Ana”

(...). "Por ocasião de certa diligência do Real serviço, havia passado, em Novembro do ano passado [1778] à Missão de Santa Ana Teve ele então ocasião de ver a palhoça na verdade indecentíssima em que se celebravam o santo sacrifício do altar e mais divinos ofícios; e o mais é que servia de Matriz, por ser a dita Missão freguesia separada, com muitos aplicados de fora, além dosíndios dela”.


Tendo decidido "erigir uma igreja que houvesse de servir de Matriz" em substituição à "palhoça" que encontrara, retornou o Juiz de Fora à Missão de anta Ana com "artífices" e constatou existirem nas imediações "paus para das às qualidades de madeira de que necessitava". De maio a julho de 1779 o Juiz de Fora edificar

"(...) uma formosa igreja coberta de telha, rebocada e calada, com capela-mor, sacristia e casa para os párocos, pegada a mesma igreja. No último deste mês [maio, 1779], em que a igreја reza de Santo Inácio de Loyola, logo de manhã se benzeu a igreja nova com toda a solenidade, na forma do ritual romano, pelo reverendo Vigário da Vara [da Vila do Cuiabá] José Correa Leitão que depois de paramentado o altar, celebrou a primeira missa que ali se disse. De tarde houve solene e muito pomposa procissão que saiu da igreja avelha palhoça, em que iam as três imagens (...),em seus andores ricamente armados, e ultimamente o Santíssimo Sacramento em Custódia carregada pelo mesmo Vigário debaixo de pálio, assim como os ditos andores, pelas pessoas de melhor distinção e nobreza destas minas (...) e só mencionarei os daqueles que carregavam o andor mais principal, em que ia o orago da Freguesia, a mãe da mãe de Deus e avo de Jesus Cristo, a Senhora Santa Ana, que eram o nosso devoto Ministro, como Ouvidor Geral e Corregedor da Comarca, o Mestre de Campo Comandante Antônio José Pinto de Figueiredo, o Capitão Mor das Ordenanças desta Vila Antônio Luís da Rocha e o Capitão-mor da Missão, Agapito Leme, que a ver depois de dar dor uma grande volta se recolheu à Matriz, onde se colocaram em sacrário o Santíssimo Sacramento e as imagens no altar-mor, que era o único que até então tinha, postos na mesma forma que haviam estado na igreja velha, impondo-se a aquela nova igreja o nome e invocação de Freguesia de Santa Ana do Sacramento, em cuia contemplação mandou depois o devoto Sacramento, em cuja contemplação mandou depois o devoto Ministro vir do Rio de Janeiro uma nova imagem da Santa, com uma cinco palmos de alto, com a menina do lado esquerdo e na mão direita uma custódia de prata dourada para nela se expor o Santíssimo
Sacramento, cuja colocação até aquele dia Não havia e foi um dos principais móveis da sua devoção. Além dos muitos toques de sinos com que se aplaudiu esta grandiosa procissão, houve muitos de trompas clarins caixas de guerra e outros mais houve muitos de trompas, clarins, caixas de guerra e outros mais instrumentos; assim como também muitos tiros de roqueiras dados de um fingido fortim que se armou, para conciliar melhor vista e agrado aos que estavam presentes; na verdade pasmos e alegres do que viam. A procissão não foi somente acompanhada dos homens de toda a qualidade, como também das pessoas do sexo feminino da primeira nobreza da terra logo atrás do pálio que continuamente continuam derramando lágrimas de gosto, sucesso que também aconteceu que aos mesmos homens. Homens. No dia seguinte, 1° gosto, em que rezava a igreja da sua dedicação, se do mês de Agosto, em que rezava a igreja da fez a solenidade da dedicação da nova, de que se trata da Senhora Santa Ana do Sacramento, pelo nosso religiosíssimo Ministro que assistiu banhado em lágrima que destilava aquele abrasado coração pelos olhos, à solene missa cantada que houve com o Senhor exposto e sermão (...); a cuja festividade, sem embargo da grande longitude de nove léguas que dista aquela freguesia desta Vila e também da elevada serra que medeia no caminho, que trabalhosamente se gasta mais de uma hora de viagem, acudiram gentes de todas as partes, classes qualidades e, o que mais fez admirar, muitas senhoras da primeira nobreza e que até então não haviam ainda viajado maior distancia do que a de uma légua quando muito, e até a mesma música se conduziu desta mesma Vila com grande trabalho e despesa. Como esta Freguesia da Senhora Santa Ana do Sacramento é do Padroado Freguesia da Senhora Santa Ana do Sacramento o da Coroa, até parece que foi providência misteriosa chegarem vésperas da festa os retratos das a estas minas já quase nas vésperas da festa os retratos de Suas Majestades reinantes, D. Maria e D. Pedro, nossos senhores para assistirem a ela, como sucedeu, porque, tendo o se não aa Câmara desta Vila [Cuiabá] mandado vir os ditos retratos para os colocar na casa da dita Câmara, antes que assim se verificasse foram a aquela Missão e lá se os puseram na igreja, nos lados de uma e outra banda do arco da capela-mor capela - mor e por cima do
dito arco na a imagem da Santa, com a custódia na mão. (...) Como o fervor do nosso devoto protetor era bastante mente excessivo, passou do festejo da igreja ao profano com uma excelente cavalhada, que satisfez muito aos expectadores, e outros festins de representação, com que também se alegraram”.

É possível que futuras pesquisas venham a revelar relações culturais tão ou mais significativas entre a Vila do Senhor Bom Jesus do Cuiabá e a Chapada, no século VIII. Até o momento, porém, as provas documentais que sustentem tais elações ainda não foram identificadas. O fascínio, contudo, da transcrição feita cima, não deveria obscurecer mais um novo detalhe no processo de denominações formais historicamente elaboradas e apostas à Chapada: com a nova Matriz, outra inflexão, agora quanto à Padroeira: Freguesia de Santa Ana do Sacramento. A nova a imagem de Santa Ana substituirá, simbolicamente, a catequese Dela síntese/custódia do Santíssimo Sacramento, Mistério Maior.

Em 1781 o Dr. José Carlos Pereira, escreve.

"(... ainda se demora nestas minas porque quer ver concluídas as causas de suas fadigas (...), de sorte que o [templo de Santa Ana do Sacramento já está acabada de todo a obra projetada, e até a do excelente adro que lhe fez, todo empregado de seixos rolados conduzidos com bestas desde rio Coxipó, que dista da Missão seis léguas com o grave incômodo de subir a serra; porém, como lhe falta o douramento dos altares, arco e tudo o mais que é de talha, assim соmо a pintura de tudo o que se acha em forro liso, não sossega enquanto não da as providencias para sua efetiva conclusão. Tinha vindo das minas de Goiás para estas, para estas, justo pelo Capitão de Cavalos José Pereira Nunes, o mestre dourador e pintor João Marcos Ferreira para dourar o retábulo da capela-mor da Matriz desta Vila [Cuiabá], em cuja obra se achava trabalhando: aproveita-se da ocasião o nosso devoto protetor e fundador e ajusta com ele todo o이 douramento e pintura de que precisasse o templo de Santa Ana do Sacramento. de que logo se lavrou escritura pública".

Benjamin Duarte Monteiro Neto é Historiador, cavaleiro e um apaixonado por Chapada dos Guimarães.

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