A alma cuiabana ganha vida em exposição especial de aniversário
“Cuiabá em Cores Onde o Calor Vira Arte”, em cartaz no Museu do Morro da Caixa D’Água Velha
Cuiabá não apenas celebra mais um aniversário ela se reinventa em cores, memórias e sentimentos. E confesso: poucas vezes vi a alma cuiabana traduzida de forma tão sensível quanto na exposição “Cuiabá em Cores Onde o Calor Vira Arte”, em cartaz no Museu do Morro da Caixa D’Água Velha.
Logo na abertura, na última quinta-feira, o que se viu foi mais do que visitação: foi encontro. Encontro com a história, com a identidade e, principalmente, com aquele calor que não é só do clima, mas do jeito de ser de quem vive aqui. Em pleno aniversário de Cuiabá, a mostra surge como um presente que toca, emociona e provoca.
Entre um olhar e outro, o público se reconhece. As cores vibrantes saltam das telas como se contassem histórias antigas, ao mesmo tempo em que revelam uma cidade viva, pulsante e em constante transformação. Há algo de afetivo em cada obra — uma lembrança, um cheiro, um fim de tarde quente que parece nunca ir embora.
A curadoria de Ellém Pellicciari acerta em cheio ao propor uma leitura poética da capital. Não se trata apenas de observar, mas de sentir. Cada visitante constrói sua própria narrativa, revisita memórias e redescobre uma Cuiabá que, muitas vezes, passa despercebida na correria do dia a dia.
E que riqueza de olhares. Artistas como Stephanie Reiter, Rita Ximenes, Dilson de Oliveira, Antônio Vieira e João Karamuri entregam ao público um mosaico de interpretações que passeia pela fauna, pela arquitetura, pela religiosidade e pelas tradições locais. Tudo isso com uma assinatura em comum: a intensidade.
É bonito ver também como a exposição atravessa gerações. Dos mais experientes aos pequenos curiosos, todos encontram ali um motivo para parar, olhar e se conectar. Porque arte, quando é verdadeira, faz exatamente isso aproxima.
E há ainda o cenário que abriga tudo isso. O museu, cada vez mais consolidado como espaço de cultura viva, se transforma em palco de experiências que vão além do visual. É quase como se as paredes também contassem histórias.
Em tempos em que tanto se fala em identidade, “Cuiabá em Cores” faz um convite simples, mas poderoso: olhar para a própria cidade com mais carinho. Valorizar o que é nosso. Reconhecer beleza onde, às vezes, só vemos rotina.
A mostra segue aberta até o dia 25 de maio tempo mais do que suficiente para aceitar esse convite. Porque, no fim das contas, celebrar Cuiabá é também aprender a enxergá-la com novos olhos.







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