CBF apresenta modelo brasileiro de Fair Play Financeiro para 2026
Diferente do modelo europeu tradicional, o plano brasileiro não estabelece teto para investimentos de proprietários ou investidores, mas cria barreiras
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) revelou, nesta quarta-feira (26), as linhas mestras do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), pacote de regras que passará a valer a partir da temporada 2026 com o objetivo de promover maior equilíbrio econômico entre os clubes do país.
Diferente do modelo europeu tradicional, o plano brasileiro não estabelece teto para investimentos de proprietários ou investidores, mas cria quatro barreiras principais para evitar descontrole financeiro:
1. Controle rigoroso de dívidas em atraso
2. Obrigação de equilíbrio operacional (receitas ≥ despesas correntes)
3. Limite de gastos com o departamento de futebol (elenco, comissão técnica e categorias de base)
4. Restrição à capacidade de endividamento de curto prazo
Durante evento realizado pela CBF Academy em São Paulo, o presidente Samir Xaud destacou que o novo sistema foi desenhado para proteger a saúde financeira dos clubes sem inibir aportes de capital, característica essencial do mercado brasileiro.
“Queremos que os clubes possam receber investimentos sem limite, mas que façam isso de forma responsável. O objetivo é evitar que um clube quebre ou que alguns disputem campeonatos em vantagem financeira insustentável”, resumiu o dirigente.
A fiscalização e aplicação das novas regras ficarão a cargo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), órgão independente que será criado especificamente para essa função.
O modelo brasileiro tomou como referência experiências bem-sucedidas na Premier League, LaLiga, Ligue 1 e nas competições da UEFA, porém com adaptações à realidade local, especialmente a ausência de qualquer “salary cap” ou restrição a injeções de capital por parte de investidores, ou donos.
A implementação será gradual ao longo de 2026, com período de transição para que os clubes ajustem suas contas e estruturas financeiras às novas exigências. Clubes que descumprirem as metas poderão sofrer punições que vão desde multas até perda de pontos ou rebaixamento administrativo, dependendo da gravidade e da reincidência.
Com o anúncio, a CBF dá mais um passo na profissionalização da gestão do futebol nacional, buscando reduzir o histórico ciclo de endividamento excessivo que afeta grande parte das agremiações brasileiras há décadas.








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