15 de Julho de 2024

OPINIÃO Segunda-feira, 03 de Janeiro de 2022, 11:45 - A | A

O Tanque do Bahú

neila barreto

 Neila Barreto

O Tanque do Bahú foi construído no governo de Alexandre Manoel Albino de Carvalho, Presidente da província de Mato Grosso, nomeado por Carta Imperial de 21/05/1863, que governou de 15/07/1863 a 09/08/1865.

Pressionado pela população de Cuiabá, o presidente tomou a decisão de construir um açude próximo à igreja do Rosário e São Benedito, mais conhecido como Tanque do Bahú, para suprir as necessidades de água doce potável dos moradores.

Era um reservatório de água potável e aprazível local de passeio, mas que ficou caído no abandono público. Moutinho conta que o açude do Bahú teve arborização em torno, com bancos de madeira à sombra.

Os moradores da cidade de Cuiabá-MT em 1874 abasteciam de água doce potável em um “Tanque Público” no fim da rua Corumbá, no Bahú, além dos Chafarizes do Rosário, Prainha, Mandioca e Mundéu.

Havia também, mais ou menos próximos ao centro da cidade, outros pontos de abastecimento de água potável, como o Tanque Natural, o Poço da Lixeira, dois poços vizinhos ao Tanque do Baú, etc. Hoje ainda resta vestígios de água em um tanque representando o passado. Uma fonte ainda jorra no local, lá pelas bandas da Lixeira.

Em função da precariedade da água doce potável para o abastecimento da cidade em 1877, o presidente da província proibiu que roupas da Santa Casa de Misericórdia e da Enfermaria Militar fossem lavadas no tanque do Bahú, determinando que passassem a ser lavadas no rio Cuiabá.

A estrutura física do Tanque do Bahú foi demolida para dar lugar a Avenida Rubens de Mendonça e restou muito pouco no que se refere a documento sobre este extinto monumento da segunda metade do século XIX.

O Tanque do Bahú, emprestou o nome ao bairro do Baú cujo nome “Baú” originou-se de uma pepita de ouro, em forma de um baú, encontrada pelos bandeirantes às margens da Prainha, a partir daí todos passaram a chamar o local de Baú, constituindo sobremaneira parte fundamental da história cuiabana, conta a história, sem documento a provar.

Outra versão contada por moradores antigos é que tinha um buraco bem fundo, que, quando chovia muito, transbordava e se transformava em uma espécie de tanque, herança deixada pelos garimpos na região. E, como a região era muito rica em ouro, foi acrescentado ao nome a palavra baú, local onde se guarda tesouros e então o local passou a ser chamado de “Tanque do Baú”, que, mais para frente, se transformou em “Bairro do Baú”. Daí o nome Tanque do Baú. Deve ter outras versões por aí. Que apareçam.

Pontos de concentração de pessoas, fontes, chafarizes, cacimbas, tanques e bicas foram pontos urbanos sempre atentamente vigiados e (...) passam a ser normatizados os horários de coleta de água. As denúncias das autoridades policiais se intensificaram, obrigando a criação de sentinelas (...).

Essa região bem como muitas outras na área urbana de Cuiabá, existiam muitas minas de água. Provavelmente, esse Tanque era suprido com água de mina e o seu efluente desaguava a 100 metros, na margem esquerda do córrego da Prainha, informou o eng. Noé Rafael da Silva.

Infelizmente não existe possibilidade alguma de restaurar essa área muito menos o tanque, apenas conhecer a história da sua construção e a sua importância para a formação do bairro Baú.

 (*) NEILA BARRETO é Jornalista. Mestre em História, Membro da AML, atual presidente do IHGMT e escreve as sexta-feiras para o "A imprensa de Cuiaba".



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