24 de Julho de 2024

OPINIÃO Sábado, 29 de Junho de 2024, 12:52 - A | A

Leopoldina da Gama e Silva

A proprietária da escrava Bonifácia

neila cadeira

 Neila Barreto

Todos agora sabem por meio da imprensa que realmente a escrava Bonifácia existiu. A certidão de óbito encontrada pelos pesquisadores Neila Barreto e Nedson Capistrano já tornaram público esse documento.

O documento informa que Bonifácia faleceu aos dezenove dias do mês de fevereiro de 1867, faleceu nesta paróchia com o sacramento da penitência aos 80 anos de idade, solteira, natural desta cidade, escrava de Dona Leopoldina da Gama e Silva, foi sepultada no cemitério da cidade. E para constar fiz este assento. Cônego José Jacinto da Costa e Silva. Então, Bonifácia nasceu em Cuiabá em 1787.

É um fato.

Faleceu em Cuiabá e possuía uma proprietária.  Temos um documento que prova a sua existência na cidade de Cuiabá. Bonifácia pertencia a Leopoldina da Gama e Silva.

E agora queremos conhecer um pouquinho dessa sua benfeitora – Leopoldina da Gama e Silva. Era religiosa. Pertencia a congregação das servas devotas da religião católica, a Imperial Confraria das Servas Devotas de Nossa Senhora do Bom Despacho, onde era Priora da mesma congregação. Foi benfeitora das obras físicas da Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho, em Cuiabá-Mato Grosso, onde contribuiu com 100$000, no ano de 1881, conforme jornal A Província de Matto-Grosso, do ano de 1881.

A dedicação de Leopoldina à religião a fez construir em sua própria residência um oratório particular, onde também eram realizados casamentos, como foi o caso do casamento do Tenente Pedro Fernandes Póvoas e Galdina Virginia da Silva, filha do tenente falecido Manuel Escolástico Virginio. 

Dona Leopoldina possuía imóvel na Rua da Emancipação, depois Avenida da Prainha e atual, Tenente Coronel Duarte, centro de Cuiabá, bem como na Rua Antônio João, na Rua do Coxim, atual Isac Póvoas, bem como outros escravos, como é o caso de Benedito, pardo, boa estatura, olhos grandes, cabelos grenho, com falta de dentes na frente, levou camisa de Algodoim, calça branca, e jaqueta de pano roxo, em 21 de julho de 1804.

Leopoldina também era dedicada a Santa Rita e, após o seu falecimento foi homenageada com sua fotografia na sala de recepção do Asilo Santa Rita, como sua benfeitora. 

(*) NEILA BARRETO é jornalista, historiadora, membro da AMLe presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.



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