PF: consultor do TCE recebeu R$ 2,14 milhões em apenas um dia
Grhegory Paiva recebeu R$ 32,3 milhões em 217 pagamentos; ele teria tentado dificultar rastreamento
O ex-consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, recebeu R$ 2,14 milhões em apenas um dia, por meio de sete transferências bancárias realizadas pelo órgão em 21 de outubro de 2025, segundo investigação da Polícia Federal.

Vislumbra-se a pretensão de segmentar os dados, a fim de que nenhuma das instituições detenha a visão de toda a movimentação bancária
Ele foi preso pela PF no último dia 29 de outubro e exonerado do TCE-MT no na última terça-feira (3).
Os pagamentos foram distribuídos entre sete contas bancárias mantidas em diferentes instituições financeiras, com valores individuais que variaram de R$ 89,1 mil a R$ 383,1 mil.
A movimentação faz parte de um conjunto de 217 pagamentos, que somaram R$ 32,31 milhões, recebidos pelo consultor entre 1º de janeiro e 22 de outubro de 2025.
Segundo a PF, Grhegory utilizou 12 contas bancárias em nove instituições financeiras (veja abaixo), sendo o servidor do TCE que apresentou a maior diversidade de bancos para receber valores registrados como parcelas remuneratórias.
Os investigadores suspeitam que a distribuição dos recursos entre diferentes contas tenha sido uma estratégia para dificultar o rastreamento da movimentação financeira.
"Vislumbra-se, nesse aspecto, a pretensão de segmentar os dados, a fim de que nenhuma das instituições financeiras detenha a visão de toda a movimentação bancária", afirma a Polícia Federal.
A investigação acrescenta que os valores movimentados eram tão elevados que poderiam comprometer a eficácia da suposta estratégia.
Grhegory, que é procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso desde 2014, está cedido ao TCE desde fevereiro de 2020, onde exerce a função de consultor jurídico-geral.
Conforme os registros bancários analisados pela PF, as sete transferências de 21 de outubro de 2025 foram realizadas para contas mantidas no Bradesco, C6 Bank, Inter, Itaú, Nubank, BTG Pactual e XP.
Os pagamentos em um único dia:
Instituição financeira | Valor recebido |
|---|---|
Bradesco | R$ 383.150,11 |
C6 Bank | R$ 371.001,95 |
Inter | R$ 358.198,08 |
Itaú | R$ 355.267,01 |
Nubank | R$ 318.089,56 |
BTG Pactual | R$ 267.144,63 |
XP | R$ 89.163,84 |
Total | R$ 2.142.015,18 |
As transferências aparecem vinculadas ao mesmo documento bancário, de número 12518, indicando a realização dos pagamentos em um único bloco. O mesmo padrão foi identificado em outras datas.

Grhegory foi o maior beneficiário individual dos pagamentos no período, superando inclusive empresas que mantinham contratos com o Tribunal
Em 1º de outubro de 2025, Grhegory recebeu R$ 2,02 milhões em sete transferências. Já em 22 de setembro, foram R$ 2 milhões, também distribuídos em sete pagamentos.
Segundo a PF, os repasses eram frequentemente realizados em blocos no mesmo dia, com valores semelhantes, embora raramente idênticos.
A investigação também constatou que as transferências de maior valor partiam da conta do TCE no Banco do Brasil e ocorriam, predominantemente, fora do calendário regular de pagamento dos servidores, previsto para o último dia útil do mês.
A Polícia Federal identificou contas utilizadas pelo consultor no Banco do Brasil, Itaú, Sicoob Integração, XP, C6 Bank, Bradesco, Nubank, BTG Pactual e Inter.
Banco | ||
|---|---|---|
Banco do Brasil | ||
Itaú | ||
Itaú | ||
Sicoob Integração | ||
XP | ||
C6 Bank | ||
Bradesco | ||
Bradesco | ||
Bradesco | ||
Nubank | ||
BTG Pactual | ||
Inter |
A multiplicidade de contas chamou a atenção dos investigadores, sobretudo porque os pagamentos eram feitos diretamente pelo TCE e alcançavam valores muito superiores à remuneração mensal ordinária de um servidor público.
Segundo a PF, Grhegory foi o maior beneficiário individual dos pagamentos identificados no período, superando inclusive empresas que mantinham contratos com o Tribunal.
Outro ponto destacado pela investigação foi a evolução dos valores recebidos pelo consultor. O relatório aponta crescimento acentuado dos pagamentos durante 2025, com pico em outubro, quando Grhegory recebeu R$ 7.612.224,84 somente até o dia 22.
A PF considera a movimentação atípica tanto pelo volume financeiro quanto pela forma de distribuição dos recursos.
Os investigadores também analisaram a evolução patrimonial do consultor. Segundo o relatório, Grhegory constituiu, em julho de 2025, a empresa Maia Reining Horses Ltda., voltada à criação e reprodução de cavalos da raça quarto de milha, comercialização de material genético e realização de eventos ligados à modalidade de rédeas.
Para a Polícia Federal, a constituição da empresa, em meio ao crescimento dos pagamentos recebidos do TCE, merece investigação diante do possível risco de lavagem de dinheiro, considerando a dificuldade de estabelecer valores objetivos para determinados animais e materiais genéticos.
O relatório também relaciona o consultor a veículos de alto valor comercial, entre eles um Land Rover Defender, avaliado em R$ 735,2 mil, e um Mini Countryman, estimado em R$ 214,3 mil.
As informações integram a investigação da Polícia Federal que deu origem à Operação Tomada de Contas, deflagrada para apurar suspeitas de irregularidades envolvendo pagamentos, movimentações bancárias e possíveis desvios de recursos do TCE-MT.
A apuração aponta que os pagamentos atribuídos a Grhegory, somados aos recebidos por outros investigados, alcançaram dezenas de milhões de reais no período analisado.
A PF busca esclarecer a natureza dos repasses, sua justificativa administrativa e a destinação final dos recursos. As suspeitas apresentadas pela investigação não representam comprovação definitiva de esquema de corrupção.







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