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Kardec prevê pressão por RGA na AL e defende escola integral

Candidato diz que servidor não pode esperar mais por reajuste; ele propõe educação com esporte e artes

JONAS DA SILVA - MIDIA NEWS
Kardec prevê pressão por RGA na AL e defende escola integral O candidato a deputado estadual Allan Kardec (Podemos)

O candidato a deputado estadual Allan Kardec (Podemos) defendeu a recomposição da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos e afirmou que, caso o Estado não consiga pagar todo o percentual reivindicado, o reajuste pode ser parcelado ao longo dos próximos quatro anos.

 

Não vai conseguir chegar nos 19%, que se chegue a 10%, 12%, 15%, mas precisa fazer esse reajuste

Segundo Kardec, a próxima composição da Assembleia deverá ter uma atuação mais independente e ampliar a representação dos servidores públicos nas discussões com o Executivo.

 

“Eu não acredito, por exemplo, que os servidores públicos vão passar novamente quatro anos sem ter pelo menos 10, 12 deputados fazendo a defesa daquilo que estamos cobrando há oito anos”, disse em entrevista ao MidiaNews. 

 

“Não vai conseguir chegar nos 19%, que se chegue a 10%, 12%, 15%, mas precisa fazer esse reajuste. Parcela em quatro anos, com ganho real acima da inflação”, acrescentou.

Durante a entrevista, Kardec também colocou entre suas prioridades, caso seja eleito, a ampliação das escolas em tempo integral, com a oferta de atividades esportivas, culturais e artísticas aos estudantes.

 

“Além de ter todas as proficiências de leitura, de matemática, de aprendizagem, da educação formal, ele [aluno] vai aprender a tocar violão, aprender dança, artes e ser atleta”, disse.

 

Kardec também fez projeções sobre o desempenho do Podemos nas eleições. Segundo ele, a sigla deve eleger seis deputados estaduais e alcançar cerca de 450 mil votos. Para sua própria candidatura, estima receber entre 25 mil e 30 mil votos.

 

O candidato ainda falou sobre sua experiência como deputado estadual e sua passagem pelo Governo de Mato Grosso. Entre 2019 e este ano, ele comandou as secretarias de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).

 

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria): 

 

MidiaNews – Uma das questões na relação entre o Executivo e o Legislativo são as emendas parlamentares, que ajudam o Governo a construir uma maioria política. Esse modelo de formação de maioria por meio das emendas não enfraquece justamente o papel principal da Assembleia, que é fiscalizar o próprio Executivo?

 

Allan Kardec – Com certeza. Mas isso é o jogo democrático e é o que está posto, inclusive, no Brasil. Se as emendas impositivas fossem tratadas igualmente, eu acho que o jogo estaria equilibrado.

 

Mas, para além das emendas impositivas, há as indicações dos deputados, aquelas que são acatadas e as que não são acatadas. Isso é do jogo democrático, e quem tem a base fazendo a defesa dos projetos do Governo, com certeza, vai poder ter uma liberação um pouco maior.

 

O que eu acredito que possa acontecer nessa nova legislatura é termos alguns deputados com um pouco mais de independência na hora de fazer a defesa de determinadas áreas. Eu não acredito, por exemplo, que os servidores públicos vão passar novamente quatro anos sem ter pelo menos 10, 12 deputados fazendo a defesa daquilo que a gente está cobrando há oito anos.

 

MidiaNews – O senhor tem defendido nesta campanha a valorização permanente do servidor público. Quais são os três projetos concretos voltados aos servidores que o senhor defende e que precisam ser implementados caso seja eleito?

 

Allan Kardec – Primeiro de todos, da minha categoria, nós tivemos uma lei, a 510 de 2013, que foi derrubada na Justiça, e a gente teve apenas 45% do acesso ao projeto da dobra do salário

dos professores. Então, eu tenho dialogado, inclusive, com o próprio governador Otaviano Pivetta que nós precisamos ter uma proposta para melhorar efetivamente o salário dos professores. De todos os profissionais da Educação. Não adianta ter apenas a gratificação por resultado no final do ano, mas o salário em si não mexeu.

 

Então, precisa haver urgentemente, para a categoria da Educação, apoio técnico e professores, uma melhora real do salário. Esse é um ponto, de uma categoria específica. Outra questão: tem que haver negociação da RGA.

 

Não vai conseguir chegar lá nos 19%, que chegue a 10%, 12%, 15%, mas precisa fazer esse reajuste. Esse reajuste é constitucional, é um reajuste das perdas inflacionárias.

 

Todo o mercado, todo trabalhador do serviço privado, recebe o seu reajuste anual, e nós, servidores públicos, ficamos para trás.

 

E uma categoria que eu acho muito importante, entre todas as categorias da Segurança Pública, eu acredito que a gente precisa ter uma atenção especial para a Polícia Penal. Houve uma transformação de agentes prisionais para a Polícia Penal. Os técnicos que trabalham lá, que são especialistas, são um foco importante de combate à criminalidade, estão dentro dos presídios, mas é uma categoria penalizada. Tem uma ação forte da Justiça, tem cobranças muito fortes, mas, se você for comparar, é a categoria que tem o menor salário e que também não tem uma área especializada para a Polícia Penal.

 

Então, nós temos um projeto também para que essas distorções que aconteceram no passado, que foi o esquecimento do Estado para alguns policiais militares e bombeiros militares, a gente consiga promoção na reserva para eles.

Todo o mercado, todo o trabalhador do serviço privado, recebe o seu reajuste anual, e nós, servidores públicos, ficamos para trás

 

MidiaNews - O senhor comentou agora há pouco a relação de pagamento da RGA, e neste caso tem uma demanda de cerca de 20%, 19%. É possível fazer essa recomposição aos poucos? Qual é a tese que o senhor defende?

 

Allan Kardec - O Estado chegou em um nível de responsabilidade fiscal com a folha de pagamento abaixo de 40%. Nós estamos em 39%.

 

Nós pegamos o Estado realmente lá nos 65%. Então, foi arrochando, arrochando, arrochando, melhorando a arrecadação e diminuindo a relação da arrecadação com a folha de pagamento. Isso é saudável até certo ponto, mas esse arrocho foi grande ao ponto de deixar a RGA para trás.

 

Então, o que eu penso? Não dá para dar tudo de uma vez? Parcela em quatro anos, ganho real acima da inflação. Tem que pagar a inflação e essa diferença poderia ser parcelada em 4 de 5. Eu acredito que o impacto não seria tão grande, faria justiça para nós, servidores públicos, que somos poucos, frente aos desafios do Estado. Entre aposentados e dativos, não chegamos a 100 mil, e nós temos 4 milhões de pessoas que a gente cuida.

 

MidiaNews – Allan Kardec, nos últimos 14 anos, o senhor passou por diferentes partidos. Saiu do PT, passou pelo PDT e PSB e agora está no Podemos. O eleitor pode entender essas mudanças como uma adaptação às circunstâncias, maturidade política ou conveniência eleitoral?

 

Allan Kardec – Nós tivemos oportunidades em cada um dos partidos e, em determinadas circunstâncias, como na saída do PDT e do PSB, onde eu estava muito confortável, foi por ocasião do momento. No PDT, eu estava na presidência do partido, com o qual tenho total identidade. Sou declaradamente brizolista, sou declaradamente trabalhista, sou declaradamente um estudioso da social-democracia, sou um estudioso de Darcy Ribeiro. Mas, com a saída de Otaviano Pivetta, houve um esvaziamento do PDT.

 

E, com a morte do Eduardo Capistrano, nós tivemos uma perda muito grande na possibilidade de chapa. Então, eu tive um convite para ir ao PSB, para ir a federal, sair do conforto da disputa de estadual, que era a minha reeleição em 2022, e o compromisso do vereador Lilo, à época, e do vereador Ícaro de montar uma chapa com vereadores, e eu saindo para uma disputa de deputado federal para ajudar essa chapa.

 

Por isso, eu fui ao PSB. E o que aconteceu? Do PSB, sai todo mundo para o Podemos. E, como eu estava na base, perdi a eleição de 2022, estava na base de Otaviano Pivetta e Mauro Mendes, junto com Max Russi, Beto Dois a Um e Fábio Tardin. O grupo inteiro sai para o Podemos e o PSB vai para o Pedro Taques. Eu não tinha condição nenhuma de ficar no PSB.

Veja bem que, nas duas últimas mudanças de partido, nós fomos direcionados a fazer essas mudanças, o que, confesso, não é saudável para quem trabalha politicamente, porque você acaba confundindo, às vezes, quem debate um pouco as questões partidárias.

 

 

 

MidiaNews – Em 2020, o senhor deixou a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer para defender os servidores públicos durante o primeiro mandato do governador Mauro Mendes. Houve algum posicionamento do Governo naquela ocasião do qual o senhor discordou?

 

Allan Kardec – Eu quero aqui falar para você que é servidor público, para você que é da ativa, para você que é aposentado, civil e militar. Em 2020, nós passamos pela reforma da Previdência, que foi uma reforma ampla, que não só aumentou a alíquota da Previdência Estadual e Nacional de 11% para 14%, como foi avançando sobre direitos já adquiridos do aposentado, por exemplo.

 

Eu não tive dúvida quando apertou. Recebi muitas ligações de colegas nossos do serviço público, como, por exemplo, o Oscarlino, que é da Saúde, colegas meus da Educação, e eu não poderia ficar confortável na secretaria, mesmo com a arrecadação que a gente já tinha feito naquele momento. Eu não poderia ficar confortável lá na Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer com a reforma da Previdência passando, e eu na condição de professor da rede estadual, casado com uma professora, filho de uma professora aposentada. Entreguei o cargo e fui para a Assembleia Legislativa votar contra a reforma da Previdência.

 

MidiaNews – Isso pesou até hoje na sua relação com o ex-governador Mauro Mendes ou não?

 

Allan Kardec – Foram seis a sete meses em que o governador Mauro ficou chateado, mas eu mostrei para ele que eu tenho lado e, quando eu ponho minha palavra, ela não volta atrás. E depois voltei, fui secretário dele por três anos e seis meses, numa missão lá na Secretaria de Ciência e Tecnologia.

 

O Mauro é um homem visionário, ele com certeza entendeu o meu posicionamento. A gente discorda em alguns pontos, por exemplo, o serviço público. Eu acho que tem que pagar a RGA, não tem como não pagar, e tem que valorizar os aposentados. Fora isso, em muitos projetos nós trabalhamos juntos, mas da minha posição eu não abri mão.

 

MidiaNews – Allan Kardec, o senhor já esteve dos dois lados: como deputado, fiscalizando o Executivo, e como secretário de Cultura, Esporte e Lazer e de Ciência e Tecnologia, integrando o Executivo. Como essas experiências mudaram sua visão sobre o papel da Assembleia Legislativa?

 

Allan Kardec – A Assembleia se empoderou muito, especialmente depois de 2018 e 2022, com recursos das emendas impositivas. E os deputados de base, especialmente no último ano do Governo Mauro e Pivetta, tiveram recursos também da fonte 100. Você pega os deputados mais fortes, eles conseguiram, para além das suas emendas, duplicar ou triplicar o orçamento destinado para prefeituras, para instituições.

 

O deputado acabou sendo um demandante de ações na sociedade. Mas faltam dois papéis importantes: o da fiscalização e o papel realmente de legislar. Eu acho que nisso a Assembleia Legislativa ainda pode avançar.

 

No primeiro mandato, a gente foi da oposição, na época do Governo Pedro Taques, e algumas ações em que nós avançamos na oposição deram resultado, como, por exemplo, a CPI do Fundeb e a CPI do Fethab. Nós entramos em 2017, o Governo estava devendo o Fundeb para os municípios, quase 500 milhões de reais em desvio de finalidade, pagando outras contas e deixando a Educação sucateada. Aquela CPI implementou um Conselho Estadual do Fundeb com vez e voz, e nunca mais atrasou os recursos para os municípios.

 

Talvez a Assembleia Legislativa precise atuar mais forte nesse sentido. Na época do Pedro Taques, nós atuamos, atuamos forte, e as coisas aconteceram. Eu acho que falta um pouco disso.

Está mais forte para a distribuição de recursos. Precisa melhorar a questão de legislação e fiscalização.

Muitos colegas nossos passam em mestrado, doutorado e não conseguem avançar para fazer a sua qualificação profissional

 

MidiaNews – Como profissional da Educação, o senhor avalia que houve uma melhora no nível de ensino e aprendizagem em Mato Grosso. Esse avanço é efetivo ou apenas atende a uma demanda que já era cobrada pela sociedade?

 

Allan Kardec – Eu acredito que as duas coisas aconteceram. Obviamente, houve melhoria da infraestrutura nas escolas. Eu sou servidor público da Educação, vivo a Educação, convivo com professores, com alunos, moro em bairro, conheço a realidade. Melhorou muito a questão da infraestrutura.

E também a Seduc entendeu como ela é avaliada no Saeb, como consegue fazer com que os alunos se preparem para o Saeb, com ampliação da carga horária da Matemática, da Língua Portuguesa, preparando os alunos nas provinhas que fazem, como se fossem simulados para o Saeb. Mas está faltando muito. Está faltando valorização do servidor.

 

Vou dar alguns exemplos. Com a municipalização e o repasse para os municípios dos anos iniciais, nós temos um exército de pedagogos que estão em desvio de função. E você, pedagogo, está hoje em sala de aula fazendo acompanhamento de alunos neurodivergentes.

 

E nós temos condição de ter esses pedagogos sendo muito melhor aproveitados no processo de ensino-aprendizagem no decorrer de todo o Ensino Fundamental, dos anos iniciais, dos anos meios e dos anos finais, na recomposição dessa aprendizagem, com salas especiais de uma turma para outra.

 

Eu acredito muito que os pedagogos devem, podem, por exemplo, ter espaços nas coordenações, nos espaços de direção. Os pedagogos são mais de mil e foi feita a municipalização, o redimensionamento. Muitos municípios não estavam preparados ainda para isso. E o pedagogo ficou ali de um lado e do outro. Isso é um ponto.

 

Outro ponto é a questão do apoio, a questão dos técnicos. São 600 metros quadrados para limpeza, merendeira, nossa técnica de nutrição, com 250 alunos ou mais. Ou seja, aumentou o trabalho, mas não aumentou a remuneração. Aumentou o trabalho, não aumentou a remuneração.

 

Quando nós instituímos a gratificação por resultado, que é algo importante, o professor, o técnico vai doente trabalhar porque ele não quer perder o seu dinheirinho no final do ano. Mas tem que lembrar que isso não vai ser levado para sua aposentadoria, porque isso não é salário, isso é uma gratificação.

 

Muitos colegas nossos passam em mestrado, doutorado e não conseguem avançar para fazer a sua qualificação profissional. Então, falta esse carinho com o pedagógico. Foi feito um esforço muito grande na questão da infraestrutura, melhoria do material. Tem uma questão do material didático sendo questionado, mas melhorou a infraestrutura do digital para dentro das escolas. Mas quem ensina é o professor.

 

Quem atende o aluno é o profissional que está dentro da escola. O que tem que melhorar é a condição de trabalho de quem vai fazer essa relação de ensino-aprendizagem. Se isso não acontecer, nós vamos ter muita coisa ainda melhorando a infraestrutura, mas precarizando a vida funcional de quem faz a Educação todo dia.

 

 

 

 

MidiaNews – Allan, como professor de Educação Física, ex-deputado estadual por dois mandatos e ex-secretário do Governo em duas ocasiões, quais são hoje as principais deficiências dos projetos voltados ao esporte e à cultura? O que o senhor efetivamente defende para ampliar o acesso, principalmente de jovens e crianças, a essas áreas?

 

A cultura é libertadora, ela é fantástica e ela é multifacetada: música, dança, artes plásticas, história, geografia, literatura.

Allan Kardec – Quando nós entramos na Secel, em 2019, nós pegamos um caos. Só para se ter ideia, a pequena empresa de limpeza da piscina da Arena Pantanal estava há seis meses sem receber; a empresa de manutenção da Arena Pantanal, há cinco meses. Veículo, carro, combustível, Bolsa Atleta, dois anos sem pagar a Bolsa Atleta; Jogos Abertos, quatro anos sem acontecer.

 

Nós organizamos tudo isso e montamos, em 2019, um grande planejamento para o esporte. E não tinha recurso para nada, devíamos quase R$ 40 milhões. Na época, eu peguei R$ 1,5 milhão das minhas emendas de deputado, emenda individual, coloquei R$ 1,5 milhão no esporte, R$ 1,5 milhão na cultura, chamei a equipe e colocamos editais para que pudesse começar o trabalho. E pensamos na retomada do Bolsa Atleta, em outras bolsas, como Bolsa Técnico, Bolsa Olímpicos e Bolsa Pódium, Ponto de Esporte, que nunca teve antes.

 

Nós buscamos, lá no Ponto de Cultura que já existia, estabelecer regras para aquelas atividades que acontecem todos os dias nos bairros, na área do esporte e lazer, que não tinham recurso. Implantamos o Bolsa Atleta. Quando eu saio da secretaria, nós tínhamos arrecadado mais de R$ 30 milhões pelo Funded, que é o fundo do esporte, e R$ 52 milhões pela cultura, com as leis Aldir Blanc e também Luiz Gustavo, mais os recursos próprios.

 

Eu saio, o secretário Beto Dois a Um pega a casa arrumada, pavimentada e dá luz nisso. Mas ainda falta a ampliação dos recursos para o esporte e lazer. Hoje, o David Moura faz um belo trabalho, mas nós precisamos fazer com que esses recursos cheguem mais à ponta.

 

Algumas federações já se estabeleceram e sabem buscar o recurso, mas tem muita gente que ainda está fazendo sem o recurso da Secel. Tem muitos trabalhadores da área do esporte que precisam desse apoio. Nós precisamos captar mais recursos, isso é algo que temos que fazer via esporte.

 

A cultura é libertadora, ela é fantástica e ela é multifacetada: música, dança, artes plásticas, história, geografia, literatura. A gente precisa estabelecer os editais que já acontecem e fazer de um jeito que aqueles artistas e aqueles grupos culturais que nunca receberam tenham editais específicos. Quem nunca recebeu um recurso da cultura? Quem nunca publicou um livro com dinheiro da cultura?

 

Esse edital é para você. Eu tenho falado isso para o meu amigo Jean Moura, tenho falado isso para as pessoas. Não é tão simples, nós estamos aqui fora e sabemos dessas dificuldades, mas talvez mais um defensor nato da cultura.

 

Eu, na condição de mestre, doutor em Estudo de Cultura Contemporânea, consigo entender que nós temos condição de fazer diferente, porque, quando você está dentro da secretaria, você é levado por aquela rotina do Executivo e acaba replicando, ano a ano, as mesmas ações.

 

Nós precisamos fazer diferente, buscar, fazer busca ativa em artistas e grupos culturais que ainda não receberam fomento.

 

 

 

MidiaNews – Como jogador de basquete e campeão pela Escola Técnica, atual IFMT, o senhor acredita que Mato Grosso ainda tem talentos a serem descobertos, não apenas no basquete, mas em outras modalidades, como o atletismo? Tivemos, por exemplo, Wendel Jerônimo no atletismo e Varjão, de Barra do Garças. É preciso fomentar mais esses talentos?

 

Allan Kardec – Meus colegas das categorias e dos esportes coletivos vão ficar chateados comigo, mas vão me entender. Quando você investe numa equipe coletiva, como o basquete, são 12 atletas. Ou, em algumas competições mais reduzidas, são 10 atletas.

 

E temos hoje o 3x3, que é olímpico, que é importante. Quando você investe nas modalidades individuais, você tem vários atletas, mas, na competição, vai um, vão dois. Você consegue investir mais.

 

E o atletismo é o caminho para que a gente encontre pódios mato-grossenses em várias competições internacionais. Estão aí, por exemplo, esses nomes que você acabou de falar. E lá, em Barra do Garças, é um celeiro com o nosso amigo professor Severino, que é vice-prefeito pela segunda vez, mas é professor de Educação Física.

 

Mas nós temos Araputanga, Sorriso, Sinop, nós temos Cáceres, Cuiabá. Os Águias aqui, que treinam no Ginásio do Aquino, nós temos a AVA, a Associação Várzea-grandense de Atletismo, com o professor Gilson. O atletismo precisa de um olhar diferenciado. Se inspirar, como agora o nosso recordista mundial do atletismo dos 400 com barreiras, Alison Santos.

 

Ele simplesmente alcançou um nível fantástico, bateu um recorde mundial. O atletismo é barato de se praticar. O atletismo é a pista.

 

Mas a Associação Várzea-grandense de Atletismo não tem pista de atletismo. Os atletas vêm treinar aqui em Cuiabá. Quero aproveitar aqui a oportunidade e reafirmar meu compromisso, voltando à Assembleia Legislativa, de a gente buscar recursos e construir uma pista de atletismo para a associação.

 

O atletismo é fundamental. Outras modalidades que também são fáceis de trazer resultado, porque são baratas de se praticar, são as modalidades individuais, como a natação, e também as modalidades de artes marciais e lutas que vão para a Olimpíada, como, por exemplo, o judô e o taekwondo.

 

MidiaNews – No esporte, o senhor foi atleta e também gestor público. Hoje, Mato Grosso consegue captar novos talentos para o esporte de alto desempenho? O que é necessário para estabelecer uma política que crie uma trajetória desde o esporte escolar até o alto rendimento, como ocorre em outros países?

 

Allan Kardec – Eu falei isso quando eu entrei na Secel e vou falar isso hoje de novo. Nós precisamos emplacar, definitivamente, uma liga universitária. Sem uma liga universitária que dê sequência naqueles jogos que eu acabei de falar, categoria B, que são os alunos adolescentes do sétimo, oitavo e nono ano, que estão ali com 12, 13, 14 anos, ele está louco para jogar na categoria A, que é o Ensino Médio, quando ele tiver 15, 16 e 17 anos.

 

Só que, quando ele faz 17, 18, acabou para ele, porque nós temos jogos universitários enfraquecidos, em que, pese a gente ter uma FMEU, a Federação Mato-grossense de Esportes Universitários, e eu valorizo o trabalho do Elvis na FMEU. Só que precisamos ter uma política de bolsa para alunos universitários atletas. Atenção, Universidade Católica, que recebe recursos, contratos com a Seduc para ter alunos no Ensino Superior, Unic, Univag, a FCAR, de Araputanga, as privadas, nós precisamos ter fomento de atleta universitário.

 

Nós fomentamos bem o estudantil, mas matamos o sonho do menino no ápice da transformação dele para o adulto. Que pode virar uma vida profissional.

 

Como eu sou brizolista, eu acredito na escola de tempo integral, especialmente até o primeiro ano do Ensino Médio

E, muitas vezes, esse menino da família pobre, como eu vim da família pobre, quando ele está terminando o seu Ensino Médio, agora a gente tem oferta de curso profissionalizante, ele vai estar fazendo o quê? Estudando à noite, trabalhando de dia, porque ele precisa levar dinheiro para dentro de casa. Agora, se ele tiver uma Bolsa Atleta, ele vai se dedicar ainda ao esporte. E não tem como. Para as modalidades coletivas, precisa ter competição. E o menino e a menina que fazem 17 e 18 anos precisam ter um sonho de ser aluno universitário, bolsista, atleta.

 

Isso acontece nos Estados Unidos, no Canadá, na China, isso acontece no Japão, na Rússia, na Europa, e precisa acontecer no Brasil. E aqui em Mato Grosso, se nós não começarmos uma sequência de quatro a oito anos de um circuito universitário, aproveitando esses meninos e meninas que vêm dos jogos escolares, nós vamos acabar com o sonho de ter atletas de nível olímpico, de alta performance, nas coletivas especialmente, quando ele entra na universidade. Nas individuais, ele permanece ainda, porque acaba tendo o Bolsa Atleta, acaba tendo outras referências. Outros fomentos.

 

MidiaNews – Allan, há estudos do professor Riller Riverdito que mostram que a integração entre a educação formal e a Educação Física melhora o desempenho escolar como um todo. Quais são esses resultados e o que eles demonstram sobre o uso do esporte como estratégia para melhorar o futuro profissional dos jovens?

 

Allan Kardec – O professor Riller Riverdito, um craque, professor doutor na área dos esportes, da pedagogia do esporte, tem uma pesquisa comparada, já longa, em que ele pega a Escola Arena e as escolas vocacionadas ao esporte e faz comparação com aqueles alunos que são direcionados ao esporte com outros alunos, de escola em tempo integral, inclusive de escola militar.

 

E sabe o que acontece? Esses alunos que são vocacionados ao esporte têm uma performance no Ideb melhor ou igual à dos alunos que ficam vocacionados só para o estudo, porque eles conseguem ter melhora na sua performance cognitiva.

 

A Educação Física, o esporte, lazer, a atividade física, não têm muito segredo. Aceleram o seu metabolismo, aceleram o seu ritmo sanguíneo, e você faz sinapse, um encontro de neurônio com axônio, um pouco mais rápido. O aluno atleta é disciplinado, porque ele tem regras, ele aprende a ganhar, aprende a perder e, perdendo ou não conquistando determinados resultados, ele tem que se superar, ele tem que se superar.

 

É aquela história antiga: gosta de jogar bola, não é bom de escola. Ao contrário. O professor Riller levou essa pesquisa para longe, publicou fora do país e está de parabéns. E é uma defesa que a gente faz: a ampliação das escolas de tempo integral.

 

Como eu sou brizolista, eu acredito na escola de tempo integral, especialmente até o primeiro ano do Ensino Médio. No segundo, quando o adolescente começar a ir buscar um emprego, eu já acredito que tem que diminuir o tempo da escola e ir aumentando o tempo do trabalho.

 

Escola de tempo integral vocacionada ao esporte e às artes. É isso. Você imagina um filho do pobre, do trabalhador, ter quatro refeições e ele, além de ter todas as proficiências de leitura, de Matemática, de aprendizagem, da educação formal, vai aprender a tocar violão, um instrumento musical, vai aprender dança, artes e ser atleta.

 

A ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola se dá com arte e com Educação Física, esporte e lazer.

 

MidiaNews – O Podemos, segundo a projeção do presidente Max Russi, deve eleger a maior bancada da Assembleia Legislativa. Alguns falam em seis deputados, outros em sete, a depender das circunstâncias e do andamento eleitoral. Essa tendência já prepara o partido para assumir um protagonismo em 2030? O senhor também se prepara para isso? O Podemos pode disputar o Governo do Estado ou outro cargo majoritário?

 

Allan Kardec – Eu acredito muito no deputado Max Russi, na capacidade que ele tem de aglutinar pessoas em torno de projetos comuns. Ele é um homem moderado, um homem de centro, inclusive, que consegue trazer pessoas e lideranças de esquerda, de direita, de centro-esquerda, de centro-direita. Então, isso faz com que a gente aprove a gestão do deputado Max Russi.

Hoje, ele tem um fiel escudeiro na Assembleia Legislativa, que é o deputado Beto Dois a Um, com quem eu tive a oportunidade de trabalhar junto, é meu amigo pessoal, e eu não tenho dúvida alguma de que o Podemos fará seis cadeiras na Assembleia Legislativa. Nós vamos superar 450 mil votos na urna. O Max tem chances reais de chegar a 100 mil votos e o Beto tem chances reais de chegar a 60 mil votos.

 

Acredito que o Fábio Tardin tenha uma votação ampliada, ele já fez 29 mil votos na passada. Tem a minha candidatura, a gente está trabalhando nessa casa de 25 mil a 30 mil votos. A Alessandra, de Rondonópolis, nessa casa de 25 mil a 30 mil votos.

 

Essa Baixada Cuiabana precisa ter mais investimento. Sou um defensor do Pantanal, sou pantaneiro raiz, sou de Bocaiuval, Mimoso, então tem pautas de que eu não abro mão.

Nós temos a Sheila, ex-primeira-dama de Sinop, nós temos o deputado Mauro Savi, o ex-prefeito de Acorizal, Meraldo Sá, nós temos um brilhante vereador em Cuiabá, que é o Alex Rodrigues. Nós temos uma grata surpresa eleitoral, que é o sargento lá de Sinop, craque nas redes sociais, bigodão da década de 80. Nós temos uma chapa de mulheres fantásticas: a Karen, a Valdeniria, a ex-prefeita de São Félix do Araguaia, Janailza Taveira, a ex-primeira-dama de Alto Araguaia, Priscila. Nós temos uma chapa completa com 25 nomes.

 

Se a gente pegar as nossas mulheres, as nove mulheres vão bater 100 mil votos. Eu acredito muito que isso vai acontecer. Mas 2030 está longe. Eu acredito que a gente vai se preparar para, em 2026, estar dentro da Assembleia Legislativa, voltar a comandar a Assembleia Legislativa, participar bem efetivamente do Governo e disputar as grandes cidades.

 

O partido que quer crescer tem que disputar a Prefeitura em Cuiabá, Várzea Grande, Sinop, Sorriso. Acredito que, para isso, o Podemos está preparado, tanto é que, na ida do Max ao Podemos, nós levamos muitos prefeitos, vices e vereadores.

 

MidiaNews – O senhor disse que 2030 está longe, mas 2028 está próximo. Allan Kardec pode ser candidato à Prefeitura de Cuiabá para consolidar essa força no Executivo, considerando que o partido já tem uma presença expressiva no Legislativo na Baixada Cuiabana?

 

Allan Kardec – Eu e a minha família nos propusemos a colocar o nome à disposição. Então, a gente está preparado para estar na Assembleia Legislativa, e a ideia é que a gente retorne à Assembleia Legislativa e retome alguns projetos que estão paralisados, como a defesa do servidor público, o investimento maciço em Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio, Chapada. Essa Baixada Cuiabana precisa ter mais investimento. Sou um defensor do Pantanal, sou pantaneiro raiz, sou de Bocaiuval, Mimoso, então tem pautas de que eu não abro mão.

 

Caso a gente tenha uma performance agora nas eleições em Cuiabá e o Podemos nos convocar em 2028, óbvio que a gente vai colocar o nome à disposição também. Mas eu acredito que o Podemos, com um arco de aliança de companheiros que vão estar seguindo conosco, vai colocar um nome para Cuiabá.

 

Tem diversos nomes, como o deputado Beto Dois a Um, muito forte, o próprio Alex Rodrigues, a nossa vereadora de Cuiabá, que é a deputada federal, a Katiúscia, se mostrou firme lá no Parlamento. Então, não tenho dúvida de que a gente vai ter vários nomes à disposição. E eu, na condição de cuiabano, morador da mesma casa, no mesmo bairro, na mesma rua há 41 anos, vereador, dois mandatos de deputado estadual, duas vezes secretário e continuei morando no mesmo bairro, e a gente tem os amores e os desafios de viver em bairro, em Cuiabá, a gente está preparado para o debate também.

 

Assista à ìntegra da entrevista:

 

 

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