Com rachaduras e afundamentos, Orla do Porto só terá obra em 2027
Calçadão apresenta pisos quebrados, trechos interditados e pontos com afundamento do solo; Estado prepara projeto de recuperação, enquanto Prefeitura adota medidas emergenciais de segurança
Com enormes rachaduras, afundamentos do solo, pisos quebrados e trechos interditados, a Orla do Porto I, às margens do Rio Cuiabá, deverá atravessar o restante de 2026 sem uma solução definitiva para os problemas estruturais. A previsão é de que uma ampla obra de recuperação do complexo turístico tenha início somente em 2027.
Enquanto isso, a Prefeitura de Cuiabá e o Governo do Estado articulam um plano de contingência para reduzir os riscos aos frequentadores e preparar a requalificação do espaço.
A Orla do Porto I está localizada entre as pontes Júlio Muller, conhecida como Ponte Velha, e Maria Eliza Bocaiúva, a Ponte Nova, no bairro Porto. O calçadão se estende por aproximadamente 1,35 quilômetro às margens do rio.
Inaugurada em 2016, a estrutura transformou a região em um dos espaços de lazer e turismo da Capital. Desde então, porém, diferentes pontos do complexo passaram a apresentar problemas de conservação e estruturais.
Atualmente, praticamente todo o percurso apresenta algum tipo de deterioração. Há ladrilhos soltos ou trincados, rachaduras de grandes proporções e locais onde ocorreu afundamento do solo.
Em alguns trechos, a situação levou à instalação de barreiras de concreto, os chamados “gelos baianos”, para impedir a circulação e reduzir o risco de acidentes.
A última grande intervenção na região ocorreu em dezembro de 2021, com a reconstrução da Vila Cuiabana. No início deste mês, a Prefeitura também reabriu o Mirante Rio Cuiabá, após trabalhos de recuperação de áreas deterioradas, da estrutura metálica e pintura do piso e do guarda-corpo.
Os serviços pontuais, contudo, não solucionam os problemas existentes ao longo do calçadão.
PROJETO ATÉ O FIM DO MÊS - Segundo a secretária adjunta de Cidades da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), Rafaela Damiani, o Estado trabalha agora na elaboração do projeto para uma intervenção mais ampla.
A proposta deverá contemplar a recuperação dos gabiões nos pontos onde forem identificados problemas, substituição dos pisos danificados e melhoria da iluminação da orla.
Também está prevista uma intervenção geral no prédio do Museu do Rio, localizado ao lado do Aquário Municipal.
A expectativa é concluir o projeto até o final deste mês. Depois disso, o Governo pretende realizar a contratação da obra até dezembro, permitindo que os trabalhos comecem em 2027.
O cronograma foi apresentado ao secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura, Fellipe Corrêa.
“O Governo do Estado se comprometeu com o projeto e já está trabalhando na elaboração. A previsão é que o projeto fique pronto até o final do mês, que a contratação ocorra até o final do ano e que a obra possa começar no ano que vem”, afirmou.
O valor previsto para a recuperação ainda não foi informado.
SEGURANÇA ENQUANTO OBRA NÃO COMEÇA - Até que a intervenção estrutural seja realizada, a Prefeitura afirma que pretende reforçar medidas de segurança na região.
Uma das ações anunciadas é a instalação de 200 câmeras de monitoramento no Mercado do Porto e em áreas próximas. A proposta é ampliar a vigilância e contribuir para a retomada da utilização dos espaços públicos.
A recuperação da iluminação, por sua vez, ficará incluída no projeto elaborado pelo Governo do Estado. Com isso, o município pretende concentrar sua atuação nas demais medidas sob sua responsabilidade, especialmente na segurança.
A situação da Orla I contrasta com o potencial turístico da região, que reúne o Museu do Rio, Aquário Municipal, Mercado do Porto e outros equipamentos localizados em uma das áreas históricas da Capital.
CONCESSÃO É ESTUDADA - Além da recuperação física, a Prefeitura avalia mudanças no modelo de administração de equipamentos existentes na região.
Entre as possibilidades em estudo está a concessão de estruturas à iniciativa privada após a conclusão das obras.
A proposta busca encontrar parceiros para assumir a manutenção e exploração de determinados equipamentos, numa tentativa de evitar uma nova deterioração depois dos investimentos públicos na recuperação.
Segundo a administração municipal, o objetivo é criar condições para que a Orla do Porto volte a funcionar plenamente como espaço de convivência, lazer e turismo.
Até que isso ocorra, porém, moradores e visitantes terão de conviver com interdições e áreas deterioradas, enquanto o projeto definitivo é elaborado e a obra aguarda contratação.







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