TikTok é multado em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de crianças e adolescentes
Agência identificou tratamento irregular de dados de menores na plataforma e determinou exclusão das informações coletadas; empresa ainda pode recorrer
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões à ByteDance, empresa responsável pelo TikTok, por irregularidades no tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes no Brasil. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (25).
A punição ocorreu após uma fiscalização identificar falhas na forma como a plataforma trata informações de usuários menores de idade, tanto entre pessoas cadastradas quanto entre aquelas que acessam o TikTok sem criar uma conta.
Segundo a ANPD, foram identificadas situações em que dados pessoais de crianças e adolescentes eram tratados sem uma hipótese legal adequada, contrariando as exigências previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
“Nas duas formas de acesso à rede social, constatou-se o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes sem hipótese legal adequada”, informou a agência.
Na avaliação da autoridade, os mecanismos utilizados pelo TikTok não foram suficientes para impedir, desde o início, o tratamento considerado irregular.
Entre as irregularidades apontadas estão:
tratamento de dados de crianças e adolescentes para cadastro na plataforma sem hipótese legal válida;
ausência de medidas suficientes para impedir o tratamento de dados de menores no feed sem cadastro;
falta de mecanismos eficazes capazes de comprovar o cumprimento das regras de proteção de dados.
Além da multa, a ANPD determinou que a ByteDance elimine todos os dados coletados de forma irregular e apresente medidas para reforçar a proteção de crianças e adolescentes na plataforma.
A decisão também estabelece novas exigências para o funcionamento do TikTok no Brasil.
Contas de usuários com menos de 16 anos deverão receber automaticamente as configurações mais restritivas de privacidade. Qualquer alteração dependerá de autorização dos responsáveis.
A empresa também terá que reforçar os mecanismos de supervisão parental e tornar mais rigorosos os filtros de conteúdo destinados ao público infantojuvenil.
Na versão do TikTok acessada sem cadastro, as medidas serão ainda mais restritivas. A plataforma deverá suspender anúncios, limitar a exibição a conteúdos considerados adequados para todas as idades, reduzir o tratamento de dados pessoais e estabelecer limite de uso de 12 horas.
Usuários sem cadastro também ficarão impedidos de realizar transmissões ao vivo, assistir a lives ou enviar mensagens diretas para outros perfis.
A ByteDance ainda poderá recorrer da decisão.
Em outra decisão anunciada nesta terça-feira, a ANPD aprovou um plano de conformidade apresentado pela ByteDance.
A empresa se comprometeu a implementar mecanismos confiáveis de verificação de idade, medida prevista no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).
A ofensiva da agência ocorre em meio a uma série de medidas contra grandes plataformas digitais que operam no país.
No último dia 12 de agosto, a ANPD determinou que o Discord suspendesse a função de transmissões ao vivo no Brasil, após a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão na plataforma.
Segundo a agência, o sistema automatizado utilizado pelo Discord falhou na avaliação de um episódio grave envolvendo uma menor e a empresa não demonstrou possuir mecanismos suficientes para identificar e interromper situações de risco envolvendo usuários menores de 18 anos.
Na segunda-feira (24), o Discord recorreu da decisão e pediu a suspensão da medida. A plataforma apresentou à ANPD a possibilidade de estabelecer um plano de conformidade, com ações que poderiam ser adotadas imediatamente e outras que dependeriam de desenvolvimento técnico.
A empresa também informou que discutia uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com outras autoridades federais.







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