Asfalto esfarela antes de obra ser concluída em MT; empresa culpa chuvas
Obra recebeu aporte de R$ 3 milhões da Sinfra-MT
Obras de drenagem realizadas desde o ano de 2024, e que atualmente conta com um prazo de conclusão mais do que quatro vezes maior do que sua previsão inicial de 180 dias, vêm dando dor de cabeça aos habitantes de Chapada dos Guimarães (64 km de Cuiabá).
Uma moradora do mítico município que representa um dos principais cartões postais do Cerrado Brasileiro, procurou o FOLHAMAX relatando os problemas enfrentados não só por quem mora em Chapada, como também os milhares de turistas que frequentaram a cidade nos últimos dois anos.
Um vídeo enviado pela moradora para a redação na última terça-feira (18) revela um “asfalto esfarelado” na Avenida Rio da Casca, sentido bairro/centro, que segundo ela foi pavimentado para os eventos de Réveillon 2026 em Chapada dos Guimarães. Em menos de 6 meses, entretanto, a via se deteriorou ao ponto de em alguns trechos ser “metade asfalto, metade terra”.
“Há mais de dois anos essas obras de drenagem não são concluídas. Hoje está assim, esse ‘poeirão’ com asfalto esfarelado de um lado e terra do outro”, reclama ela.
Há uma placa do Governo do Estado no canteiro de obras informando um investimento de R$ 3 milhões da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra), com prazo inicial de 180 dias, num projeto realizado pela empresa Sollus Construtora.
Apesar da placa do Governo do Estado ao lado do “asfalto esfarelado”, entretanto, o contrato com a empresa foi fechado pela prefeitura de Chapada dos Guimarães no mês de junho de 2024. Ao longo dos anos diversos termos aditivos foram publicados atrasando a conclusão dos trabalhos.
Conforme o contrato nº 55/2024, fechado entre a prefeitura de Chapada dos Guimarães e a Sollus Construtora, a vigência inicial a partir de junho de 2024, de 180 dias, subiu para 748 dias - mais do que quatro vezes -, e agora tem “previsão de conclusão” para novembro deste ano.
No último parecer jurídico da Procuradoria Municipal de Chapada dos Guimarães sobre o pedido da empresa por ainda mais prazo para a conclusão das obras, o Poder Público local aceitou a "justificativa" da organização, que colocou a culpa pelo atraso de mais de dois anos no “período chuvoso” e nos “turistas”.
“A paralisação de 91 dias decorrente de fatores climáticos sazonais (período chuvoso) somada à necessidade de desimpedimento das vias centrais para o turismo e tráfego municipal configura perfeitamente o ‘fato da administração’ e o ‘fato excepcional superveniente’ previstos na lei e no contrato, afastando a culpa exclusiva da contratada e autorizando a dilação temporal para a entrega dos 30% remanescentes da obra”, diz o parecer da Procuradoria Municipal.
Mesmo tendo assinado o contrato com a construtora, a contrapartida da prefeitura de Chapada dos Guimarães foi de apenas R$ 30 mil - enquanto a Sinfra investiu R$ 3 milhões nas obras de drenagem.







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