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Lula libera R$ 278,3 bilhões em ações do governo em ano eleitoral

Levantamento aponta que recursos foram direcionados a programas sociais, financiamentos e subsídios; governo afirma que medidas podem gerar empregos e ampliar a arrecadação

Da Redação - Folha do Estado
Lula libera R$ 278,3 bilhões em ações do governo em ano eleitoral Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 278,3 bilhões em iniciativas consideradas de forte apelo eleitoral ao longo de 2026, ano marcado pela disputa presidencial. O levantamento foi divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo. 

Entre as medidas estão financiamentos habitacionais, linhas de crédito e subsídios destinados a caminhoneiros e motoristas de aplicativo. Também aparecem na relação programas sociais como o Pé-de-Meia e o Gás do Povo, além da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com rendimentos de até R$ 7 mil mensais. 

De acordo com o levantamento, parte das ações envolve recursos e mecanismos que não passam diretamente pelo orçamento federal. Entre os exemplos citados estão o uso de fundos públicos no Desenrola Brasil e a transferência do custo da gratuidade do programa Luz do Povo para a conta de energia de consumidores de maior renda.  

A dimensão dos valores ocorre em um momento de intensificação do calendário político, com Lula buscando a reeleição. Em julho, durante uma agenda no Rio Grande do Norte, o presidente criticou as restrições impostas pela legislação eleitoral e chamou as regras de “papagaiada desgraçada”. A legislação estabelece limitações para determinadas ações do governo durante o período eleitoral, incluindo doações, repasses de emendas e participação de autoridades em inaugurações de obras. 

Governo defende impacto econômico

A equipe econômica do governo nega que as medidas representem prejuízo às contas públicas. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, os recursos foram aprovados pelo Congresso Nacional e devem ser analisados também pelos possíveis efeitos econômicos. 

Estudos do Ministério do Planejamento citados pela Revista Oeste estimam que os incentivos podem acrescentar R$ 110,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), além de contribuir para a abertura de aproximadamente 1,9 milhão de postos de trabalho. 

A pasta também calcula que as medidas podem resultar em R$ 45,4 bilhões adicionais em arrecadação para o Estado. 

O levantamento, porém, coloca em evidência o volume de recursos mobilizados pelo governo federal em um ano de eleição presidencial, período em que políticas de transferência de renda, subsídios, crédito e benefícios costumam ganhar maior peso no debate político. 

A discussão envolve justamente o equilíbrio entre a adoção de políticas públicas e o risco de utilização de medidas de forte impacto popular em um cenário eleitoral. O governo sustenta que as iniciativas possuem justificativas econômicas e sociais, enquanto críticos questionam o volume de recursos mobilizados às vésperas da eleição.

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