Começa a valer tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros; veja itens afetados
Cobrança adicional de 25% começa a valer nesta quarta-feira (22), afetando produtos exportados como vestuário, equipamentos agrícolas, papel, entre outros.
Passa a valer nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país entra em vigor.
Entre os principais itens atingidos pelo novo tarifaço estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, roupas, papel, equipamentos de mineração e produtos químicos.
A medida foi anunciada na última quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e já era prevista para entrar em vigor nesta semana. A decisão foi tomada após uma investigação comercial aberta há um ano pelo governo de Donald Trump.
As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política.
Dentre as justificativas do governo americano, está a de que o mecanismo do tarifaço permite ao governo americano investigar práticas de outros países que considera prejudiciais ao comércio dos EUA.
No relatório final, o USTR afirmou que algumas políticas brasileiras seriam “irracionais” ou “restritivas” e que poderiam “onerar ou restringir” o comércio com os EUA. Alguns temas analisados nesse sentido são: PIX e serviços de pagamento, regulação de plataformas digitais, acordos comerciais, desmatamento ilegal, mercado do etanol, entre outros.
Impactos do tarifaço ao Brasil
Segundo levantamento preliminar da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a cobrança pode afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano. Mais de 4 mil produtos estavam sob risco de sofrer aumento tarifário durante o processo.
Apesar do amplo alcance, itens importantes vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos foram poupados. Carne bovina, café, laranjas, suco de laranja, petróleo, gás natural, aeronaves civis e determinados produtos farmacêuticos estão entre as principais exceções.
Veja os produtos brasileiros taxados e os que ficaram de fora
Etanol, calçados e máquinas agrícolas estão entre os itens sujeitos à tarifa adicional de 25%. Carnes, café, frutas, combustíveis e aeronaves aparecem na lista de exceções.
🟢 Produtos que ficaram fora do tarifaço
Toque ou clique em cada categoria para conferir a relação de produtos isentos.
🥩 Produtos de origem animal e carnes
Carne bovina: carne fresca, refrigerada ou congelada; carcaças; meias-carcaças; cortes com e sem osso; cortes de alta qualidade e carnes processadas.
Miudezas e preparados: línguas, fígados, outras miudezas bovinas e carne preparada ou preservada, como corned beef.
Peixes e crustáceos: tilápia fresca, refrigerada ou congelada, exceto filés em alguns casos; atuns albacora e patudo; cavala; espadarte; lagosta e lagostins-do-mar.
Outros produtos: mel natural orgânico certificado, coral e conchas.
🥭 Produtos vegetais e alimentos preparados
Hortaliças e legumes: tomates, com períodos específicos de entrada; jicama; fruta-pão; chuchu; brotos de bambu; castanhas-d’água; alcaparras e cogumelos secos, como orelha-de-pau e shiitake.
Raízes e tubérculos: feijão Bambara, mandioca, taro, inhame, yautia, dasheens e araruta.
Frutas e nozes: cocos; castanha-do-pará; castanha de caju; macadâmia; noz-de-cola; areca; pinhões; bananas; abacaxis; abacates; goiabas; mangas; mangostões; laranjas; limas; etrogs; papaias; marmelos; kiwis; duriões e bagas.
Café, chá e especiarias: café torrado ou não, descafeinado ou não; chá verde; chá preto; erva-mate; pimenta; páprica; baunilha; canela; cravo; noz-moscada; macis; cardamomo; coentro; cominho; gengibre; açafrão; cúrcuma; louro; curry e endro.
Cereais, moagem e bebidas: cevada; alpiste; fonio; triticale; amidos; farinhas; sucos de laranja, de outros cítricos e de abacaxi; além de água de coco.
🛢️ Minerais, químicos e combustíveis
Minérios e minerais: grafite; caulim; fosfatos; sulfato de bário; magnésite; amianto; mica e minérios de ferro, cobre, níquel, cobalto, alumínio, zinco, estanho, cromo, tungstênio, urânio e titânio.
Combustíveis e óleos: carvão; linhite; turfa; coque; benzeno; tolueno; xilenos; naftaleno; petróleo bruto e refinado; óleos para motores e lubrificantes; biodiesel; gás natural; propano e butanos.
Produtos químicos: iodo; gases raros; ácidos clorídrico, sulfúrico e fosfórico; óxidos metálicos; hidrocarbonetos; derivados halogenados; álcoois; fenóis; éteres; cetonas; ácidos carboxílicos; vitaminas; hormônios e antibióticos.
💊 Produtos médicos, farmacêuticos e fertilizantes
Sangue e vacinas: plasma humano; soro bovino fetal; produtos imunológicos; vacinas humanas e veterinárias e toxinas.
Medicamentos: produtos contendo penicilinas, insulina, corticosteroides, alcaloides e vitaminas.
Fertilizantes: fertilizantes de origem animal ou vegetal; ureia; sulfato de amônio; nitratos e superfosfatos.
🪵 Materiais industriais
Plásticos e borracha: polímeros de etileno, propileno e vinila; silicones; tubos; mangueiras; pneus, especialmente para aeronaves, e juntas.
Madeira e papel: madeira em bruto ou serrada, como mogno, teca e meranti; compensados; painéis; pastas de madeira e produtos de papel para aeronaves.
⚙️ Metais, máquinas e equipamentos
Metais: ferro fundido; ferroligas; sucata; tubos de aço; cobre; níquel; alumínio; zinco; estanho e metais raros.
Máquinas: motores de aeronaves, incluindo turbojatos e turbopropulsores; bombas; compressores; ventiladores; aparelhos de ar-condicionado; refrigeradores e extintores.
Informática e eletrônicos: computadores e unidades de processamento de dados; notebooks; teclados; unidades de disco; circuitos integrados; monitores; projetores e smartphones.
✈️ Aeronaves, instrumentos e outros produtos
Aeronáutica: balões; helicópteros; aviões; drones; hélices e trens de pouso.
Instrumentos: lentes; prismas; bússolas; pilotos automáticos; termômetros; barômetros e multímetros.
Arte e antiguidades: pinturas; esculturas; selos e coleções de interesse histórico ou botânico.
Também estão fora da nova cobrança produtos que já recebem tarifas específicas com base na Seção 232 da legislação americana. Nesse grupo aparecem determinados artigos de aço, alumínio e cobre, veículos, autopeças, máquinas, semicondutores e produtos de madeira.
Tarifa de 25% pode se somar a outras cobranças?
A nova tarifa foi criada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo usado pelo país para responder a práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
Parte das exportações brasileiras, no entanto, já estava submetida a outras medidas. Produtos de aço, alumínio e cobre, por exemplo, chegaram a receber tarifas adicionais de até 50% com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial.
Como os artigos já atingidos pela Seção 232 estão entre as exceções da nova medida, não haverá uma soma automática dos 25% sobre todos esses produtos. A cobrança final dependerá da classificação tarifária de cada mercadoria e das regras específicas aplicáveis ao setor.
Antes da decisão, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicavam que aproximadamente 46% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não tinham tarifas adicionais. Outros 25% estavam sujeitos à sobretaxa global de 10%, enquanto 29% eram alcançados pelas tarifas da Seção 232.
Outra investigação pode elevar tarifa para 37,5%
O governo americano conduz paralelamente uma investigação envolvendo 60 economias, entre elas o Brasil. O processo avalia a possível aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% contra países que, na visão de Washington, não adotaram medidas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Na avaliação do governo brasileiro, essa taxa poderia ser aplicada junto à nova tarifa de 25%, elevando a cobrança adicional para até 37,5% sobre parte das exportações.
A soma, porém, não está confirmada. A tarifa final dependerá da conclusão da segunda investigação, dos códigos de cada produto e de possíveis exceções definidas pelos Estados Unidos.
Governo prepara pacote de apoio
O governo federal começou nessa terça-feira (21) uma série de reuniões com representantes dos setores que poderão ser afetados pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Os encontros serão coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e devem contar com a participação do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A intenção é identificar as principais dificuldades enfrentadas por cada segmento e definir medidas para proteger empresas, preservar empregos e reduzir os efeitos do tarifaço sobre a economia brasileira.
Entre as respostas estudadas está a ampliação do Plano Brasil Soberano, criado no ano passado para atender empresas prejudicadas pelas primeiras tarifas impostas pelo governo americano.
Na última semana, Dario Durigan afirmou que o governo já possui mecanismos para auxiliar os segmentos atingidos. Conforme o ministro, o plano será reforçado para oferecer apoio às empresas e aos trabalhadores afetados pelo tarifaço.







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