Lideranças do agro criticam Lula por propor fim da escala 6x1
Críticas ocorreram na Expozebu, em Uberaba, principal evento da pecuária nacional
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Lideranças do agronegócio reunidas neste sábado (25) na abertura da Expozebu, em Uberaba, no Triângulo Mineiro, criticaram a proposta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de pôr fim à escala de trabalho 6x1 no país.
Principal evento da pecuária nacional, a feira é organizada pela ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), formada por 22 mil associados, e realiza anualmente a exposição pecuária, que neste ano prevê mais de R$ 200 milhões em negociações envolvendo bovinos nos 41 leilões e 11 shoppings de animais que acontecerão até o próximo dia 3.
Presidente da associação, o pecuarista Arnaldo Manuel de Souza Machado Borges afirmou em seu discurso na abertura, que contou com os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, e Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, que é necessário discutir "com a devida seriedade" assuntos como o fim da escala 6x1, levando em consideração "todas as consequências possíveis".
"Para o bom funcionamento da economia do setor produtivo do Brasil. Pedimos aos nossos parlamentares que apoiem contrariamente essa pauta tão nociva da nossa economia, com consequências graves e sem precedentes ao nosso agro", afirmou ele, que foi aplaudido pela plateia, formada por entidades do setor e pecuaristas.
Em seguida, o presidente da Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), Tirso Meirelles, também questionou a proposta do governo federal, ao criticar atuais políticas públicas e dizer que há outras prioridades antes de debater a mudança na jornada de trabalho.
"Nós arrecadamos R$ 3 trilhões em impostos, ficamos mais de cinco meses pagando imposto, e o que é trazido para a sociedade? Mais imposto. Tem uma reforma tributária que vai concentrar mais ainda os recursos da mão do governo federal, dificultando os municípios, dificultando os governos. [...] E depois, simplesmente, vai um senhor na TV e diz o seguinte 'Vocês, sociedade mais simples, estão trabalhando tanto que não estão tendo condições de ficar com seus filhos'. Arruma o transporte, dá segurança, precisa resolver primeiro a estruturação do país em vez de mexer no 6x1", disse.
Em seguida, ele elogiou Caiado e Zema por estarem na pré-disputa presidencial, dizendo que colocaram seus nomes num momento difícil de polarização no Brasil, e afirmou ainda que é preciso criar um projeto de país.
"Coreia do Sul, em 1965, produzia 25% a menos do PIB do Brasil. Depois de 60 anos, eles cresceram 700%, o Brasil cresceu 100% [...] Quero agradecer Caiado e Zema por vocês terem oferecido o nome de vocês para que nós possamos escutar vocês, para que nós possamos acompanhar os debates, para que nós possamos estruturar", disse.
No momento, governo e Congresso disputam em torno de detalhes de texto e formato de tramitação da proposta de redução da jornada de trabalho na Câmara. Na quarta-feira (22), a Comissão de Constituição e Justiça da Casa aprovou o relatório favorável à tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da jornada 6x1. A PEC é um formato de proposta com tramitação mais lenta e que não pode sofrer veto do presidente da República.
Por conta disso, o governo defende que a proposta tramite por meio de PL (projeto de lei), na contramão das intenções do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O texto aprovado na quarta não trata do conteúdo da emenda, apenas da constitucionalidade da proposta. São duas PECs tramitando juntas, dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), que propõem a redução da jornada semanal das atuais 44 horas para 36 horas.
A proposta de Hilton também altera a escala, fixando-a em 4 dias de trabalho por três de folga. Esse desenho de jornada é considerado superado pelo governo, que vem defendendo a adoção de um limite de 40 horas semanais, sem a fixação de um regime de escala, que deve ficar para as negociações entre categorias e empresariado.
A redução da jornada de trabalho semanal é uma das apostas do governo para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral.







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