Livro conta a trajetória do Pe. Ernesto Camillo Barreto
Personalidade destacada nas origens da Educacão em Mato Grosso, tem sua movimentada e controversa trajetória de vida publicada
“Padre Ernesto Camillo Barreto é produto de seu tempo,” nos conta o professor doutor e pós-doutor em História, Vitali Joanoni Neto, que assina o prefácio do livro que será lançado início de março, na Casa Barão de Melgaço, pela Entrelinhas Editora. “Sua formação eclesiástica lhe deu as competências em Teologia, Filosofia, História... Sua competência pode ser reconhecida quando de sua titulação como Protonotário Apostólico, concedida pelo Papa Pio IX, algo notável. Os membros do clero envolviam-se intensa e profundamente na vida política do país. E no caso de Mato Grosso, a segunda metade do XIX e o início do XX, foi um tempo pródigo em conflitos e escaramuças, como o leitor poderá ler esta obra”, conta o professor Vitali, aguçando a curiosidade dos que se interessam pelo tema e pela história.
O leitor encontrará neste livro o registro documental do seu envolvimento afetivo com Dona Maria do Rosário Pires, com quem teve sete filhos – fato recorrente no clero brasileiro nesse período –, dando origem a um grande tronco da Família Barreto. E justamente um dos descendentes do Pe. Ernesto Camillo Barreto, o coautor Luiz Ernesto da Silva Barreto, é quem se aprofundou na pesquisa durante anos, juntamente com sua esposa Neila Maria de Souza Barreto, atual presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, membro da Academia Mato-grossense de Letras e autora de diversos livros.
Luiz Ernesto Barreto, descendente de Pe. Ernesto, coautor da pesquisa e do livro, fala de sua satisfação pelo trabalho publicado: “Escrever a biografia de um antepassado ilustre nos ajuda a resgatar o alicerce que sustenta a identidade familiar, transformando memórias dispersas em um legado concreto. Esse registro atua como uma ponte geracional, permitindo que os mais jovens compreendam suas raízes e se inspirem nos valores e superações de quem os precedeu. Ao imortalizar essa trajetória, a família preserva sua essência contra o esquecimento, oferecendo às novas gerações um senso de pertencimento e propósito. É, acima de tudo, um ato de amor e reverência que transforma a história individual em um patrimônio afetivo compartilhado. Assim, a memória deixa de ser apenas passado para se tornar um guia vivo que orienta o futuro do clã.”
Neila Barreto, esposa de Luiz Ernesto, coautora do livro e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, nos conta “o padre Ernesto foi um homem além do seu tempo. Ousou desafiar a sua época ao percorrer outros caminhos, além das tarefas da Igreja. Pensou na saúde integral dos jovens ao introduzir na Educação Pública a ginástica, hoje a Educação Física. Entendia que o governo deveria investir mais na Educação do que nos presídios. Na política entendeu que deveria denunciar os assuntos de relevância da sociedade, mesmo que fosse preciso enfrentar poderosos corruptos. Combatente, nunca se omitiu em percorrer os caminhos espinhosos. É um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e da Academia Mato-grossense de Letras. Escreveu compêndios se destacando na Educação, sendo o único mato-grossense a constar do Dicionário Brasileiro da Educação. Corajoso, reconheceu em seu testamento, e no leito de morte, a família que constituiu em Cuiabá. Eu o considero um intelectual iluminado, muito importante para a Cultura e a Educação cuiabana e mato-grossense.” Neila agradece o apoio recebido da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Seciteci), para a publicação do livro.
A professora doutora Maria Adenir Peraro, que apresenta o livro e acompanhou as pesquisas e escritura do livro, explica que a obra “é resultado de uma vida de procuras e de investigações aguçadas pela constância da convivência familiar a respeito da memória do personagem histórico de quem são descendentes. A imagem do referido personagem foi sendo construída mediante as memórias de família e de longos anos de pesquisa em arquivos públicos, privados e eclesiásticos, locais, regionais e nacionais. Assim, o presente livro é resultado de dois contrapontos: o primeiro, a oralidade trazida pelos familiares, dos membros da Família Barreto, detentores de documentos impressos e fotográficos (inventário, escrituras, disponibilizados para a pesquisa e/ou já de posse dos autores) e o segundo contraponto: as pesquisas realizadas em diferentes espaços guardadores de memória, como os autores apontam na introdução e dentre os quais destacamos: o Arquivo Público de Mato Grosso (APMT), Arquivo da Cúria Metropolitana de Cuiabá (ACMC), Arquivo da Casa Barão de Melgaço (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso e Academia Mato-Grossense de Letras), o Arquivo da Câmara Federal, Arquivo Eclesiástico da Bahia, Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, onde localizaram diversificada documentação impressa, fotográficas e jornais da época.”
OS AUTORES
Neila Maria Souza Barreto (Rosário Oeste, 21 de janeiro de 1955) é mestre em História pela UFMT (2005), na linha de pesquisa sobre Territórios e Cidades. Graduada em Jornalismo pelo Instituto Várzea-grandense de Educação (1995) e em Letras pela UFMT (1978). Foi professora do Governo do Estado do Mato Grosso. É escritora, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) desde 2017 e presidente da instituição no período de 2020-março de 2026. É membro da Academia Mato-grossense de Letras (AML) desde 2019. Entre os livros que publicou pela Entrelinhas, estão: Sarita Baracat: Vida e trajetória política (2017); Gente que fez, gente que faz: inventário de famílias pioneiras cuiabanas (2019); Água de Beber: Abastecimento e uso no espaço urbano de Cuiabá (2022).
Luiz Ernesto da Silva Barreto (Cuiabá, 7 de maio de 1955) é economista, servidor público estadual aposentado da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT). Memorialista, jornalista, blogueiro, documentarista. Diretor e redator do jornal A Imprensa de Cuyabá. Dentre as lojas maçônicas jurisdicionadas ao GOB-MT que fundou no Estado de Mato Grosso, junto com outros membros, encontra-se a Loja “Padre Ernesto Camillo Barreto”, em homenagem ao seu trisavô. Redesenhou o jornal “A Imprensa de Cuyabá”, criado pelo Pe. Ernesto Camillo Barreto e João de Souza Neves, em 23 de julho de 1859. O jornal teve um total de 232 edições, das quais 134 podem ser acessadas por meio do sítio eletrônico da Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional Digital do Brasil.







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