19 de Julho de 2024

POLÍTICA Segunda-feira, 09 de Maio de 2022, 07:30 - A | A

PROJETO ALENCASTRO 2024

"Sonho em ser prefeito de Cuiabá e tenho condições de disputar"

Presidente da Assembleia falou ainda sobre eleições, comando da Mesa e relação com o governador

CÍNTIA BORGES - Midia News

eduardo botelho gde

 o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (União Brasil)

Um dos nomes mais expressivos da política mato-grossense, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (União Brasil), revelou que tem o sonho de ser prefeito de Cuiabá.

 E ele já definiu que tentará colocar o projeto em prática nas eleições municipais de 2024. 

 “Hoje as pessoas já conhecem meu trabalho e eu tenho condições de colocar meu nome para disputar. É um dos meus sonhos”, disse en entrevista exclusiva ao MidiaNews.

 Antes de disputar a Prefeitura, porém, Botelho precisará passar pelo crivo popular em outubro deste ano e garantir a permanência na Assembleia Legislativa.

 Ele integra uma chapa densa no União Brasil com nomes como Dilmar Dal’Bosco, Sebastião Rezende e Xuxu Dal’Molin. 

 Botelho ainda afirmou que, se reeleito, vai tentar conquistar um novo mandato na presidência da Assembleia.  

Hoje as pessoas já conhecem meu trabalho e eu tenho condições de colocar meu nome para disputar. [...] É um dos meus sonhos

“Acho que estou fazendo um bom trabalho. Criei uma independência na Assembleia, criei a cultura da devolução de recurso (aos cofres do Governo do Estado) . Agora, não pretendo ficar eternamente como presidente. Eu acho que tem uma hora de sair. No próximo mandato, se eu ficar um biênio, não tenho intenção de nem participar mais da Mesa”, afirmou.

 O presidente ainda falou sobre a expectativa de uma baixa renovação na Assembleia, o trabalho dos deputados junto ao Executivo e a relação com o governador Mauro Mendes (União Brasil).

 Confira os principais trechos da entrevista: 

 MidiaNews - O senhor está no segundo mandato como deputado estadual e deve ir à reeleição. Não se sente desafiado a tentar outros cargos na política?

 Eduardo Botelho – Eu vou perguntar para Deus, porque só ele sabe o que irá acontecer com a gente. Agora, a minha pretensão é fazer o melhor enquanto estiver aqui, ter mais um mandato de deputado, ter outras oportunidades e fazer minha missão. Eu também não pretendo ficar aqui envelhecendo como deputado estadual. Eu tenho que dar minha contribuição. Eu não sou político de carreira.

 Estou tentando fazer o melhor nessa minha passagem, trazendo uma contribuição da experiência que tive na sala de aula, trabalhando nas ruas, como empresário, como engenheiro e funcionário público – porque eu trabalhei na Cemat, e na época ela era do Estado – e da iniciativa privada.

 MidiaNews - Há comentários nos bastidores que daqui há dois anos tem interesse em disputar a Prefeitura de Cuiabá. Admite isso?

 Eduardo Botelho – Sim, claro. Se eu tiver oportunidade de colocar meu nome para participar. Por que eu não quis participar nas eleições passadas? Porque achava que tinha que mostrar algum trabalho, as pessoas tinham que me conhecer melhor.

 Hoje, as pessoas já tem esse conhecimento e eu tenho condições de colocar meu nome para disputar a Prefeitura. Agora, se vou ganhar ou não, não sei. Depende da vontade de Deus e do desejo do povo. Agora é possível, sim. É um dos meus sonhos.

 MidiaNews -  Em 2018, a Assembleia Legislativa teve uma renovação de 58%. À época, o senhor atribuiu isso a quantidade de votos dispersos, sem concentração de votos. Qual a expectativa para as eleições de 2022? 

Maurí­cio Barbant/ AL

Eduardo Botelho

O presidente Eduardo Botelho: Os deputados não estão só dizendo “amém”. Estão colocando mudanças, aprimoramento, nesses projeto que vem do Executivo

Eduardo Botelho – Eu acho que terá uma renovação bem menor, porque em 2018 houve o efeito Bolsonaro que acabou elegendo muitas pessoas, e para Assembleia veio muitas pessoas dessa ala, como Ulysses Moraes, [Delegado] Claudinei...

 Hoje, os deputados estão fazendo muito mais entregas, realizações, mais projetos importantes. Além disso, o Estado está melhor e, com isso, acaba sendo melhor para todos. E isso inclui os deputados. Então, acredito que haverá uma renovação muito baixa. Acredito que volte em torno de 18 ou 20 deputados.

 MidiaNews – Gosta desse corpo de deputados?

 Eduardo Botelho – É uma equipe que dá resultado, que está entregando. É uma composição boa, tem uma oposição muito boa formada pelos deputados do PT [Lúdio Cabral e Valdir Barranco], o Ulysses Moraes também é um bom deputado. A oposição é boa, faz parte do parlamento, porque sem oposição fica ruim. 

 

MidiaNews -  Alguns membros da AL chegaram a ser criticados pelo Governo por espalhar fake news nas redes sociais e em alguns casos a questão chegou a parar na Justiça. Acha que alguns parlamentares ultrapassaram os limites no uso das redes sociais?

 Eduardo Botelho – Evidentemente, o governador fica chateado com algumas posições, em especial com as fake news, porque ninguém gosta, mas o debate dentro da Assembleia foi e está sendo bem equilibrado. Hoje, a oposição tem voz e vez, os projetos todos estão sendo discutidos intensamente, e isso também graças a oposição. 

 É ela que força isso. Porque se você tem uma situação que só diz “amém”, os projetos acabam sendo aprovados rapidamente e sem discussões.  A oposição é importante, mas também há posição dos deputados de situação e de independência. Tem se modificado muitos projetos com emendas de deputados da base. Os deputados não estão só dizendo “amém”. Estão colocando mudanças, aprimoramento, nesses projeto que vem do Executivo.

 MidiaNews – Mas isso por quê? É pela independência dos parlamentares da base?

 Eduardo Botelho – Por uma mudança de postura do Legislativo. Porque o legislativo até 2014, aprovava projetos prontos. Tinham poucos debates. Veja bem, a emenda da Lei Orçamentária  Anual (LOA) praticamente não havia. Chegava aqui, era aprovada e acabou. Isso não existe mais. Hoje, a LDO e a LOA têm 300, 400, 500 emendas de modificações. 

 Isso porque o legislativo ficou maior. E hoje, digo a você, que a Assembleia tem sido importante e fundamental em todas as discussões. Não se discute nada no Estado sem passar por aqui, sem haver um grande debate. Acabou aquele negócio que o cara sentava com o presidente e pronto, fechou e acabou. Agora não tem nada disso. O presidente influencia muito pouco, e o que vale é os colégios dos deputados. 

Se tiver oportunidade eu ficaria [como presidente], porque acho que estou fazendo um bom trabalho. Criei uma independência na Assembleia

MidiaNews - Na gestão anterior, os deputados eram muito incisivos na cobrança das emendas parlamentares. E agora, voltou a tona essa discussão...

 Eduardo Botelho – Nós não estamos discutindo isso, mesmo porque o Governo está pagando e se dispondo a pagar. Nós estamos discutindo a celeridade. E por quê? Por conta do período eleitoral. Porque o Governo tem feito e pago praticamente todas as emendas. Nós criamos a secretaria de acompanhamento, que tem acompanhado e dado toda atenção. Não temos o que reclamar disso. Mas queremos celeridade, porque tem o período eleitoral.

 MidiaNews - O senhor chegou a deixar a cadeira de presidente da Assembleia por conta de uma decisão do STF. Depois, a Casa de Leis aprovou uma lei que proíbe a recondução do presidente e primeiro-secretário para qualquer cargo da Mesa Diretora dentro da mesma legislatura. Mas a partir de 2023 se inicia uma nova legislatura. Caso reeleito, pretende se manter no comando da Assembleia? Pretende disputar um cargo lá dentro?

 Eduardo Botelho – Não sei. Mais uma vez vou perguntar para Deus. Depende dos deputados que virão para cá, depende da avaliação que os deputados têm em relação a mim. Porque tenho um sentimento, mas pode ser que os deputados não tenham. Preciso aguardar, vamos passar primeiro pela fase de eleição. Estou em uma chapa duríssima, que não tem moleza para ninguém. Então, primeiro tenho que passar por isso, depois começar o debate da Mesa.

 MidiaNews – O senhor falou sobre “ter um sentimento” em relação a candidatura à reeleição para presidente da Casa, qual é ele?

 Eduardo Botelho – Se tiver oportunidade eu ficaria, porque acho que estou fazendo um bom trabalho. Criei uma independência na Assembleia. Criei uma situação de não haver gastos desnecessários, criei a cultura da devolução de recurso. Foi eu que criei. Fizemos uma evolução.

 Agora, não pretendo ficar eternamente como presidente. Eu acho que tem uma hora de sair. No próximo mandato, se ficar um biênio não tenho a intenção nem de participar mais da Mesa.

 

  MidiaNews - Como ficou sua relação com o deputado Max Russi após o embate judicial pela Mesa Diretora?

 Eduardo Botelho – Não tive nenhum problema com Max. Nem antes, nem durante, nem depois. O problema que tivemos foi eleitoral, por exemplo, um entrando na base do outro... Mas não em relação a presidência, nem a Casa. 

 MidiaNews - Qual análise faz da gestão do governador Mauro Mendes? É uma gestão bem sucedida ou há falhas?

 Eduardo Botelho – É uma gestão bem sucedida, bem avaliada e reconhecida por todos. Não precisa nem falar, os resultados mostram por si. Hoje, o Mauro Mendes vive um momento de graça, porque está sentado, só assinando convênio, lançando obras, porque tem recurso. É uma gestão que teve avanços e conseguiu resultados significativos. Agora, graças a Assembleia.

 É bom lembrar que todas as mudanças foram passadas pela Assembleia, modicadas e sustentadas dentro da Assembleia. Quem sofreu maior pressão não foi Mauro Mendes, foi a Assembleia.

 E a Assembleia enfrentou as pressões duramente, com coragem, e fez as mudanças que precisava.

 As pressões não eram no Palácio. Ninguém cercou o Palácio, ninguém sediou ou invadiu o Palácio, mas invadiu a Assembleia. Cercou a Assembleia. Houve ataques aos deputados. Esses resultados de hoje, eu diria, são graças a muita coragem da Assembleia e dos deputados. 

Eu acredito em uma eleição tranquila, com grande chance de reeleição. Mas se tiver segundo turno, não tem problema nenhum. Faz parte do processo

Agora, se o governador que é o maestro maior não quisesse mandar os projetos, evidentemente, nada teria acontecido. E ele teve coragem de segurar muita coisa. Ele teve seu valor. O Governo é bem avaliado.

 Precisa melhorar? Precisa. Nós precisamos melhorar constantemente. Uma delas é a relação política, outra é a relação com os servidores. Já houve melhoras grandes. Eu acredito que esse aprimoramento já estamos tendo, e se tiver um outro mandato acredito que será bem melhor que esse.

 MidiaNews – Estamos a praticamente dois meses das convenções e não há pré-candidatos ao Governo pela oposição.

 Eduardo Botelho – Mas nem de situação [risos].

 MidiaNews –  Mas sabemos que o Mendes é “candidatíssimo”.

 Eduardo Botelho – Eu acho que é. Eu diria a você que é 99,99%. Mas ele não anunciou ainda, não está como pré-candidato. A tendência é essa, nós estamos trabalhando para isso, o partido está trabalhando, e creio que todos aqueles que entendam que a gestão foi boa está trabalhando também para isso.

 MidiaNews - Acredita que Mendes possa ser reeleito por W.O.?

 Eduardo Botelho - Não acredito, nem queremos, nem é bom ao Estado, ao povo. É muito importante ter outros candidatos, ter candidato de oposição, os debates, é necessário mostrar o que foi feito.

 MidiaNews – Acredita que ele será eleito no primeiro turno?

 Eduardo Botelho – Eu acredito em uma eleição tranquila, com grande chance de reeleição. Mas se tiver segundo turno, não tem problema nenhum. Faz parte do processo.

 MidiaNews - Sobre a candidatura ao Senado, o União assim como o Mendes, deve apoiar a reeleição do Wellington Fagundes?

 Eduardo Botelho – O União Brasil até agora não definiu se terá candidato [para a Presidência] ou não. Se tiver, as coisas podem se complicar um pouco. Não tendo candidato, acredito que o melhor, hoje, é caminhar com a ala que apoia o Bolsonaro.

 Não que eu seja contra o Lula e o PT. Eles têm sua importância, têm eleitores que apoiam o PT, mas para o Governo e a eleição do Mauro, fortaleceria mais a campanha apoiar Bolsonaro.

 MidiaNews – Então, o União pode abrir o palanque ao Bolsonaro em Mato Grosso?

 Eduardo Botelho - Pode, claro. Principalmente, se o União não tiver candidato a presidente.

 MidiaNews – Como vê essa aliança do Bolsonaro com Mendes?

 Eduardo Botelho – Para a campanha e eleição do Mauro é positiva, para o Bolsonaro também. Porque o Mauro tem uma avaliação muito boa, forte, e os dois se apoiando estarão muito fortalecidos dentro do Estado. Um ajuda o outro.

 

Para o Governo e a eleição do Mauro, fortaleceria mais a campanha apoiar Bolsonaro

MidiaNews - O que seria melhor ao País: a continuidade da gestão de Bolsonaro ou o retorno do ex-presidente Lula?

 Eduardo Botelho – Vamos aguardar o segundo turno e definir na frente. Eu estou aguardando essa definição partidária, vamos acompanhar isso, e o que o partido definir nós iremos nessa linha. 

 MidiaNews - Recentemente, teve vários protestos em relação a má qualidade e a quantidade dos ônibus do transporte público intermunicipal. A empresa que presta esse serviço é da sua família, a União Transportes. Como parlamentar, como vê isso? Não deve renovar a frota?

 

Eduardo Botelho – O maior problema está no intermunicipal, não está dentro de Várzea Grande, mas sim quando vem para Cuiabá. A população está certa, está ruim mesmo. Convoquei o prefeito Kalil Baracat para irmos ao governador e falei: “Eu estou apanhando, Kalil está apanhando, e nós não temos nada a ver com isso, porque quem determina isso é a Ager. Queremos que o senhor[Mauro Mendes]  interfira nisso e converse com Ager para aumentar o número de ônibus para população”.

 É preciso ter mais ônibus e a Ager precisa autorizar no contrato, porque o contrato é limitado. Isso é claro. Eu não estou escondendo nada, não tenho o que esconder, e a população está certa mesmo. Está com pouco ônibus, eles estão sofrendo.

 O governador ligou para o presidente da Ager [Luis Alberto Nespolo] e pediu para ele estudar uma forma de aumentar o número de ônibus. 

 O que é preciso entender é que a empresa que é contratada e precisa cumprir o contrato. A empresa não pode chegar lá e dizer: “Fui contratada para 60 ônibus, mas vou colocar 80”. Sabe o que eles falam? “Se colocou 20 a mais, é por sua conta”.

 Por que está tendo essa discussão? Porque o número de ônibus impacta a tarifa. E o Executivo não quer que a tarifa seja majorada, que haja alteração e por isso não autoriza. Aí fica a história de um sofrendo e outro segurando, mas tem que haver uma solução. 



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