21 de Julho de 2024

POLÍCIA Quarta-feira, 03 de Janeiro de 2024, 09:40 - A | A

No lago do manso

Juiz nega prisão de filho de procuradora federal acusado de feminicídio contra empresária Elaine Estelatto

Por JB News

cleber lacreca

 Foto do acusado Cleber Figueiredo Lagreca

Mesmo com indícios fortes de feminicídio o juiz da Chapada dos Guimarães não decreta prisão de servidor suspeito de matar empresária e bacharel em Direito Elaine Stelatto.

A morte da empresária Elaine Estelatto  de 45 anos, caminha para mais uma impunidade por parte do judiciário mato-grossense, como a maioria das mortes de feminicídios que acontecem por todos os cantos todos os dias.

Elaine é mais uma vítima que se transforma em um monte de números enfileirados das estatísticas de mortes  de mulheres não resolvidas.

A empresária conheceu pelas redes sociais o servidor público  Cleber Figueiredo Lagreca, lotado na Secretaria de Meio Ambiente Estadual com quem manteve alguns encontros antes de ser morta. Mas segundo Lagreca em seu depoimento, ela teria amarrado uma corda em sua cintura e pulado  enquanto o barco onde eles estavam no Lago do Manso era rebocado. O caso aconteceu em 19 de outubro deste ano.

O depoimento de Cleber não foi acolhido pela família de Elaine, que buscou juntos as as autoridades que as investigações e diligências sobre o caso fossem aprofundadas.  Argumentando que o corpo da empresária teria vários hematomas inclusive no pescoço. e na cabeça, e que ela possivelmente teria sido agredida. Foram feitos outros laudos para identificar o verdadeiro motivo de sua morte. Inclusive foi feito uma reconstituição do caso na mesma lagoa utilizando os as mesmas embarcações  para confrontar o depoimento de Cleber. Que segundo o delegado  da Polícia Civil  Marlon Luís, da  Delegacia de Chapada dos Guimarães, chegou a comentar  que o depoimento não batia com os laudos apresentados pela perícia técnica.

Os laudos apontam que Elaine teria sido asfixiada mecanicamente. O que força a tese de feminicídio.

Mesmo assim vários outros laudos foram feitos, e que ainda não foram divulgados. Muito menos o resultado da reconstituição. O caso segue em segredo de justiça.

O JB News fez uma série de investigações a respeito do caso, inclusive apresentou boletins de ocorrência contra Cleber feito pela sua ex-esposa, que relato sérias agressões, uso de drogas, e ameaças contra ela feitas por ele. Em 2019 ele ficou preso por cerca de um mês e 15 dias em regime semiaberto por conta das agressões da atual esposa na época.

Ele responde a outros processos, inclusive de agressão contra policiais. Cleber é filho de uma procuradora federal aposentada.

Diante da investigação os investigadores da Polícia Civil teriam pedido a prisão temporária de Cleber. O pedido do delegado foi encaminhado para o Ministério Público Estadual,  e ficou parado por cerca de 15 dias por conta de um pedido de declínio de competência do caso, por se tratar de um caso de feminicídio.

A promotora Solange Linhares Barbosa, decidiu que não faria o acompanhamento do caso, sendo o caso passado para o promotor Leandro Volochko, que estaria de férias, e só foi decido após sua volta.

No seu parecer o promotor  substituto analisou o caso,  e não pediu a prisão de Cleber, o que foi acolhido pelo Juiz  Renato José de Almeida Costa Filho da Comarca de Chapada dos Guimarães.

Na sua decisão o juiz o juiz optou por não pedir a prisão preventiva do único suspeito de ter cometido o crime, porque segundo entendeu que verificou os autos do processo, e que a prisão temporária não é caso imprescindível para a investigação do crime. E que o representado tem residência fixa e está colaborando com as investigações.

 

Na página das redes sociais, Cleber encontra-se com o status de casado, e mesmo assim mantinha encontros através de um perfil na internet.

No dia que ocorreu a morte da empresária no Lago do Manso, ele estava afastado das suas funções na secretaria de Meio Ambiente por força de um tratamento de saúde. O que caberia a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), para apurar a conduta do servidor. O que também não foi feito.

A família de Elaine também contesta que, mesmo sabendo da morte da empresária, e em posse de seu telefone, Lagreca não atendeu as insistentes chamadas realizadas para o seu aparelho, para comunicar sobre seu óbito. E só foi comunicar a policia sobre a sua morte três horas após o ocorrido.

Em conversa com o JB News, uma das amigas de Elaine que pediu para não ser identificada para que também não venha ser perseguida, comentou que o ano de 2023 será fechado com uma sensação de impunidade por conta da decisão do juiz. “Eu acho que tínhamos que falar sobre o a insatisfação e tristeza de fechar o ano e mesmo após 70 dias do ocorrido, e com muitas provas do feminicídio, ainda nada ter sido feito”. Destacou.

Ela era muito conhecida e querida, essa indignação é muito grande por todos. Decisão como esta  só fortalecem o aumento de crimes contra a mulher”. Pontuou.

O caso corre sobre segredo de justiça.



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