20 de Julho de 2024

OPINIÃO Sexta-feira, 08 de Julho de 2022, 07:06 - A | A

O centenário de José Garcia Neto

gilton garcia

 Gilton Garcia

Foi o Acadêmico José Ferreira de Freitas, da Academia Mato-Grossense de Letras, quem melhor dimensionou a trajetória de vida e a grande obra de José Garcia Neto. Ei-lo dizendo:

“ O autor do livro “ Três Governadores Sergipanos”, o Acadêmico José Anderson Nascimento, Presidente da Academia Sergipana de Letras traz ao horizonte literário, uma obra que aborda, com propriedade, a vida exemplar dos irmãos Luiz Garcia e José Garcia Neto, e a de Gilton Garcia, filho do primeiro e sobrinho do segundo, todos sergipanos, governadores de três Estados da Federação”.

“Governar Mato Grosso – estado com dimensões continentais de 1.231.549 km² – equivalendo às áreas territoriais da França, Itália, Portugal, Inglaterra, Bélgica e Suíça, juntas – não é tarefa fácil. Traz-nos à lembrança um comandante de navio em águas revoltas: dele se exige visão aguçada, leme às mãos, bússola à frente, rumo escolhido, ouvido atento, olhos abertos, destreza no embate com as ondas, a fim de chegar a um ponto em terra firme...”

O gigantesco desafio que José Garcia Neto enfrentou, ultrapassando todos os obstáculos colocados diante de si, é inerente aos homens decididos e obstinados pelo seu ideal.

O ilustre e conceituado Deputado Carlos Avalone, autor da proposta da sessão solene comemorativa do Centenário do ex-Governador José Garcia Neto, reuniu no plenário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso centenas de amigos e familiares. Foi, deveras, um momento emocionante, levada a efeito no início do mês corrente. Presente a nata da política Mato-Grossense, o discurso mais denso e comovente foi o da ex-primeira dama do Estado de Mato Grosso, Maria Ligia de Borges Garcia. Na ocasião foi denominada de eterna primeira dama, em razão de sua eficiente participação na área social do governo, sempre amparando os mais carentes.

Além de ter sido um Prefeito (Cuiaba) inovador na década de 50, José Garcia Neto foi eleito vice-Governador na chapa de Fernando Correia da Costa. Nessa ocasião, foi convocado por seu irmão Luiz Garcia, então Governador de Sergipe (1959-1962) para dirigir o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-SE), além da Companhia de Saneamento de Sergipe.

Retornando a Cuiabá, elegeu-se Deputado Federal em 1966 e 1970. Foi em ambas as eleições o parlamentar mais votado do Estado do Mato Grosso. Apesar de deputado da base do governo, fez um discurso histórico na sessão que cassou o então deputado Marcio Moreira Alves, em defesa da imunidade parlamentar. Aliás, foi de autoria de um deputado mato-grossense, Dante de Oliveira, a emenda constitucional que propunha o restabelecimento das eleições diretas do pais. Por sinal, nesta época, eu exercia o mandato de deputado federal, eleito pelo Estado de Sergipe. Os Anais da Câmara de Deputados registram o meu voto favorável as eleições diretas.

Homem ético, cordial, sensato e correto na aplicação dos recursos públicos, a história de Garcia Neto, quando exposta, causa admiração nos mais jovens que não tiveram oportunidade de com ele conviver. Gestor público consciente, ético e destemido, foi quem construiu a infraestrutura necessária do Estado do Mato Grosso, impulsionando o futuro glorioso que já se vislumbrava.

(*) GILTON GARCIA foi parlamentar estadual e federal, procurador-geral da Justiça, secretário-chefe da Casa Civil, secretário de Segurança Pública, governador do Amapá e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Sergipana de Educação.



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