20 de Julho de 2024

OPINIÃO Domingo, 17 de Julho de 2022, 14:21 - A | A

Nossas festas

neila barreto

 Neila Barreto

Em Cuiabá-MT muitas famílias têm orgulho de levar para os seus descendentes as festas organizadas pelos seus ancestrais. Para eles é considerada um patrimônio para a família que se sente honrada em passar a tradição e a devoção para os seus descendentes. Elas podem ser religiosas, folclóricas, carnavalescas. Essas festas são praticadas em Cuiabá, em Mato Grosso e, em outros estados brasileiros.

Entre nós, é forte por exemplo as festas de famílias em homenagem a Nossa Senhora de Santana, conforme Roberto Loureiro em Cultura Mato-grossense: Festas de Santos e outras tradições, segundo a tradição católica-romana, Santa Ana ou Sant’Ana é a mãe da virgem Maria, avó de Jesus, esposa de São Joaquim e é considerada a padroeira dos idosos.  O seu dia é comemorado pela Igreja Católica no dia 26 de julho.

No Ocidente a comemoração de Sant’Ana tornou-se forte após o século X, sendo que no Oriente era venerada desde o século IV. Sant’Ana e São Joaquim com idade avançada não tinham filhos. Sant’Ana rezou a Deus e ficou grávida de Maria. Em agradecimento jurou a Deus que entregaria a filha para ser criada no templo e assim receber a preparação para ser a mãe do Salvador. 

As festas populares e o folclore brasileiro são um dos mais expressivos e ricos do mundo, manifestando-se nas canções, lendas, danças, crendices e na literatura. A mistura das raças e povos na formação da nação brasileira diversifica as festas e os eventos folclóricos em todas as regiões do país. São tantas as práticas folclóricas brasileiras! Algumas chegam a interferir no cotidiano da população. As fases da lua, por exemplo, determinam a época do plantio e da colheita.

Nas regiões Norte e Nordeste do país, o bumba-meu-boi está inserido no calendário cultural. O bumba é uma brincadeira tradicional das festas juninas do Brasil, com personagens vestidos de índios e vaqueiros dançando e cantando ao som de zabumbas, matracas, pandeiros e orquestra.

O Festival Folclórico de Parintins, uma cidade do estado do Amazonas é o maior espetáculo da região, tendo como motivo a disputa entre dois grupos de bumba-meu-boi. Em Pirenópolis, cidade histórica de Goiás, a festa do Divino Espírito Santo, conhecida como Cavalhadas, lembra a luta de conversão dos mouros ao cristianismo.

Na Bahia, no Nordeste, o sincretismo religioso é praticado nas festas de Nosso Senhor do Bonfim, com a lavagem das escadarias da igreja, e de Iemanjá, senhora dos ventos e das tempestades que recebe flores em alto mar. Na Região Sul, no estado do Rio Grande do Sul, é forte a tradição dos fandangos, bailes campestres de danças sapateadas ao som de músicas regionais. A Festa de Reis, uma homenagem aos reis magos que anunciam a chegada do Messias, está no calendário de várias regiões do país.

O folclore está presente no teatro, com os autos populares; na música, com as cantigas de roda e de ninar; e na dança, com o frevo, maracatu, maxixe, a folia de Reis e a congada; no vestuário, nos trajes das baianas e dos dançarinos dos maracatus e da chula.

Personagens fantásticos do folclore brasileiro povoam o imaginário popular, como o Saci Pererê, o moleque das pradarias gaúchas que anda numa perna só, o Lobisomem, que se transforma em monstro em noite de lua cheia, e o Boto, que surge das águas amazônicas sob a forma de um belo rapaz para seduzir as mocinhas. Em todas as suas manifestações, é evidente a presença do folclore no ambiente brasileiro.

A maior festa popular do Brasil é o Carnaval. A região sudeste para durante três dias em função dos folguedos de Momo, com o deslumbrante e longo desfile das escolas de samba na avenida.

Na Região Nordeste, especialmente no Carnaval do estado da Bahia, o que reúne o povo nas ruas são os trios elétricos, invenção baiana, arrastando multidões pelas ruas da cidade.

Em contrapartida ao período carnavalesco, na região norte do país, o brasileiro festeja com reverência as festas religiosas. Em Belém, no Pará, cerca de 2 milhões de pessoas participam do Círio, uma procissão de fé que se realiza em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.

Nas regiões Norte e Nordeste, as festas juninas preservam a cultura interiorana, com cantigas de roda, e a tradicional quadrilha, que é uma sátira aos costumes do roceiro. São também realizados os chamados forrós, bailes populares tradicionais organizados ao redor de fogueiras que ardem e de variadas comidas típicas.

No Sul do país, as festas populares revivem os costumes e a cultura do imigrante. A Oktoberfest, festa tradicional da cerveja realizada na cidade de Blumenau, em Santa Catarina, exibe danças e trajes típicos da Alemanha. No Rio Grande do Sul, dezenas de festas populares homenageiam a arte e a tradição do gaúcho e de seus antepassados europeus, conforme publicação do Ministério do Turismo.

(*) NEILA BARRETO é Jornalista. Mestre em História. Membro da AML e atual presidente do IHGMT escreve para o "A impensa de Cuiaba" 



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