13 de Julho de 2024

OPINIÃO Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2023, 16:06 - A | A

Meus 50 anos no jornalismo

onofre ribeiro

 Onofre Ribeiro

No último dia 3 de fevereiro completei 50 anos trabalhando exclusivamente como jornalista. Admito que tem sido uma longa trajetória. Lembranças ótimas. Lembranças angustiantes. Grandes acertos. Grandes erros. Vi e pude acompanhar grandes mudanças e transformações no mundo, no Brasil e em Mato Grosso. Imaginava parar aos 50 anos na profissão. Penso que ainda não é tempo. O banco de dados das vivências é muito grande. Talvez sirva como referência nesses tempos atuais tão transformadores.

Comecei no Jornal de Brasília, em Brasília, em 1973, como repórter geral na Editoria de Cidade. Foi uma oportunidade para excelente aprendizado. De lá, mudei-me 3 anos depois para Mato Grosso. Vim convidado pela gestão do governador José Garcia Neto pra ajudar lidar com as crises na imprensa em consequência da divisão do Estado. Foi um tempo de imenso aprendizado político, de conhecimento da história de Mato Grosso, fora a articulação de imprensa tanto no Norte como no Sul do Estado. E de grandes amizades conquistadas nas lutas.

Passada a divisão veio a fase dificílima de consolidação de Mato Grosso. O Estado era grande, pobre e puro desafio. Meti-me no meio disso tudo como jornalista, graças às experiências adquiridas no governo. Algumas coisas foram muito marcantes e em agrada muito lembrá-las. Uma delas foi a Revista Contato, um veículo nascido pra retratar a cara real do Mato Grosso que saíra da divisão muito machucado e descrente. Ali foi trabalho duro, pesado e desafiador, ao lado de poucos amigos. Quase não havia profissionais na imprensa escrita.

De luta em luta, cheguei ao agora. Sem parar um dia de ser jornalista. Escrevo artigos nas imprensa desde 29 de junho de 1990. Durante 26 anos diariamente no jornal A Gazeta, e nos últimos 11 anos, uma vez por semana. Hoje também publicados em alguns sites. Relatos duros ou agradáveis nas lutas do cotidiano deste Estado. Muitos destes artigos explodiram na minha cabeça na forma de represálias de governantes. Outros mostraram portas que mais tarde se abririam. Admito que, às vezes, até proféticos.

Acrescento que nunca parei de estudar. Imagino que o presente é fantástico como resgate de uma história que vai nos acompanhar no futuro. Gosto dessa trajetória. Por isso leio, leio, leio. Viajo, viajo. Converso, converso...! Presto a atenção em tudo e registro!

Hoje, cabelos brancos, alguma rugas teimosas, guardo um banco excepcional de relacionamentos. Vi Mato Grosso sair quebrado da separação de Mato Grosso do Sul em 1979, e contemplo esse gigante vencedor. Cavalguei nas dificuldades junto com quem ousou fazer o que fez. Meus quatro filhos casaram-se e se foram. Dois moram no Nordeste. Um em Cuiabá, e outro no Oriente Eterno. Olho a minha história e acabo com lágrimas nos olhos. Ficamos Carmem e eu. Trajetória longa. Mas feliz e realizadora.

Até que as cortinas se fechem, imagino a cabeça do jornalista revirando arquivos da memória em busca desse trem louco, chamado de futuro! De algum modo quero estar nele...

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
[email protected] www.onofreribeiro.com.br



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