13 de Julho de 2024

OPINIÃO Segunda-feira, 21 de Março de 2022, 18:05 - A | A

Maria da Glória Vieira de Alencar

neila vestido azul

Neila Barreto

Mestra da alta costura em Cuiabá-MT, modista, conhecida na alta sociedade cuiabana como Maria Vieira de Aguiar, contadora, nasceu em 15 de agosto de 1926 e faleceu em 20 de fevereiro de 2016, uma das pioneiras das atividades da alta costura. Iniciou suas atividades na capital na década de 1940. Criativa, Maria Vieira, como registrou a sua grife, confeccionava modelos black-tie para ocasiões especiais tais como casamentos, aniversários de 15 anos, noivas, mães de noivas, madrinhas, para misses do estado de Mato Grosso, do interior e rompeu as fronteiras para o Brasil. Onde passou a frequentar os grandes centros da moda do país, bem como, os desfiles nacionais dos grandes costureiros brasileiros.

Para Renato Ortiz, as representações no modo de vestir-se e de portar-se em público não decorrem de uma mera vontade pessoal. São regidos por uma trama de valores simbolicamente construídos e alimentados ao logo do tempo, por elementos materiais, intelectuais e espirituais característicos de uma sociedade, onde o conceito de civilização rege a multiplicidade das ações do mundo aristocrático, prescrevendo uma prática social.

Casada com Alberto Borges de Aguiar, um dos mais importantes empresário e comerciante de tecidos finos na cidade, Maria fez da loja e dos tecidos um sucesso em sua vida. Maria era filha de Laurinda Ribeiro, professora, desenhista, pintora de telas a óleo e José de Souza Vieira, farmacêutico, português de nascimento, brasileiro e cidadão cuiabano. Morou em Poconé-MT. Ali nasceram os primeiros filhos, Augusto Cesar, médico e outros seis nasceram em Cuiabá. De seu casamento com Alberto Aguiar nasceu José Alberto Vieira de Aguiar, um dos fundadores da Câmara de Dirigentes Lojistas, o atual CDL. De modista passou a ser estilista da moda. Maria Vieira conseguiu visualizar naquela época, “ o vestuário na vertente da cultura material, nesse caso específico, enquanto signo vinculado aos interstícios do poder, presentes na mobilidade material dos desejos e relações humanas.

De acordo com a historiadora Simone Zanelatti de Cubas Enoui, na Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, tem-se notícia que, por muito tempo, Antonio Gomes de Faria, 51 morto em 1793, teve sua presença marcada como comerciante que partilhava significativamente do processo de circulação dos tecidos manufaturados das praças europeias, presentes no cotidiano da Vila Real.

Na década de 1950 quando surgiram os primeiros carros a motor na capital, Maria Vieira tratou logo de aprender as artes da direção, dirigia o seu carro pelas ruas da capital, uma vez que o seu marido declinou dessa tarefa, preferiu ater os seus olhos para o comércio de tecidos finos.

Além do ateliê Maria Vieira dedicou a sua vida a diversas outras atividades. Foi presidente do Clube Feminino em Cuiabá no período de 1951 a 1952. Fez parte da Comissão organizadora do “Miss Mato Grosso em 1955”. Em 1958 fez parte do “corpo de jurados” do mesmo concurso. Foi escolhida como acompanhante da miss Mato Grosso 1958, senhorita Moacir Metelo, ao Rio de Janeiro, onde a mesma concorreu ao título de “Miss Brasil”. Maria Vieira era uma artista no delicado metier da alta costura cuiabana e mato-grossense.

Religiosa, fazia parte das comissões de festas, dentre elas, a do Divino Espirito Santo, dos festejos da Semana Santa, entre outras. Era provedora da “Sociedade Cuiabana de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra”. Participou da campanha em prol da Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho.

Neila Barreto, é jornalista, mestre em História, membro da AML e do IHGMT e escreve para o site : www.aimprensadecuiaba.com.br   

 ***Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.aimprensadecuiaba.com.br 



Comente esta notícia