15 de Julho de 2024

OPINIÃO Sexta-feira, 09 de Setembro de 2022, 11:23 - A | A

Fuxicos Danados e Chamegos Safados

neila barreto

 Neila Barreto

Ao longo da nossa aprendizagem na vida e na escola algumas coisas foram permitidas e outras proibidas. Não sabíamos muito bem como funcionavam. Em casa seguia os ensinamentos da mãe, na escola a orientação dos professores. E ainda tinha que ouvir: “se chegar uma parte da escola, você apanha”. Hoje os tempos mudaram. Alunos batem em professores e alguns pais ainda apoiam. Tempos difíceis.!

Assim permeia a caminhada de milhares de seres humanos nesse processo de aprender. Nesse caminhar de aprendizagem conheci “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre, somente na vida adulta, apesar de ter sido lançado em 1933. Aí eu ainda não havia nascido. Conheci quando fiz a primeira faculdade, Letras – na Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.

Lá conheci os professores Padre Pimentel, Cesário Neto, Getúlio Arraes, Ivo de Lusa, Emilinha Miraglia, Marilu Canavarros Palma, Elza Gonçalves, entre outros e, também Gilberto Freyre. Eram talentosos professores e muita literatura: brasileira, portuguesa, mato-grossense, inglesa, americana, latina. Quanta aprendizagem! Bons tempos!

Ao percorrer os espaços dessa obra de Freyre foi interessante conhecer as descrições dos hábitos sexuais dos senhores de engenhos, famosos patriarcas em relação as negras e mulatas que o período compreende, conhecendo o cotidiano das mulheres, além de outras informações.

Nesse momento, também, conhecemos a iniciação sexual dos meninos brancos e a preservação da integridade das Sinhás. E hoje? Quanta diferença! E os pais como procedem nesse emaranhado de “receitas” de como ensinar aos seus filhos e filhas estes caminhos que não tem fronteiras nos dias atuais. Um caminho privado de cada família, porém, escancarado com as novas tecnologias e a criançada grudada nelas. Como fazer? Como comportar? Só Deus no comando!

Sabe-se por muitos estudiosos que Freyre foi inovador pela importância que atribuiu ao sexo na formação da sociedade e da cultura. E como fazer os jovens de hoje lerem Gilberto Freyre? Tentei por vários anos quando do exercício do magistério. O sucesso foi muito pouco. Hoje, pior ainda. Não leem. Recorrem ao google.

Gostaria que esses jovens soubessem que Gilberto Freyre inovou o objeto de estudo, o método e o estilo. Investigou a família patriarcal oriunda dos grandes latifúndios e da escravidão. Teve coragem de expor a intimidade das famílias e o dia-a-dia doméstico nos tempos do Brasil colônia, não escondendo a mulher, a criança e o escravo, além de não ter esquecido de mostrar a arquitetura das casas, as tradições da culinária brasileira, as práticas sexuais, as brincadeiras das crianças, as roupas e as vestimentas.

Não se esqueceu também dos poemas, das orações, dos provérbios, além de ser um precursor da nova história, da história da vida privada, se assim posso dizer. Senhores pais, olhem seus filhos e acompanhem os seus caminhos nas escolas. Não terceirize suas obrigações. Eles vão agradecer no futuro.

(*) NEILA BARRETO é Jornalista. Mestre em História. Membro da AML e atual presidente do IHGMT, e escreve para o "A Imprensa de Cuiabá".



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