19 de Julho de 2024

OPINIÃO Terça-feira, 07 de Fevereiro de 2023, 13:10 - A | A

Fevereiro Laranja: mês de combate às leucemias

andre crepaldi

 Dr. André Crepaldi

Ouço muito as pessoas dizerem, todo mês tem uma cor e um significado dentro da oncologia, qual a necessidade disso? Pois bem, o câncer nem sempre dá sinais claros e muitas vezes é descoberto em estágio avançado, o que dificulta o tratamento. Por isso, é preciso lembrar a população, em diversas oportunidades, como ficar alerta aos mínimos sinais da doença, ou mesmo como tratá-la.

Fevereiro é escolhido como o mês laranja, cor que simboliza a conscientização sobre a leucemia e a importância dos doadores de medula óssea. Recentemente escrevi um artigo sobre a medula óssea, que é a fábrica que produz o sangue em nosso corpo: os glóbulos vermelhos (hemácias) que transportam o oxigênio dos pulmões para as células de todo o nosso organismo e o gás carbônico das células para os pulmões, os glóbulos brancos (leucócitos) que nos defendem das infecções e as plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

A leucemia acontece quando essa produção sai do controle e perde o equilíbrio, especificamente dos glóbulos brancos. As células imaturas do sangue (aquelas células que estão “nascendo”) sofrem uma mutação ainda na fabricação, e passam a se multiplicar desenfreadamente, ocupando o lugar das células saudáveis. Por isso a leucemia é conhecida como o câncer no sangue.

Existem mais de 12 tipos de leucemias que são divididas pela gravidade, que são crônicas (que se desenvolvem mais lentamente) ou agudas (mais agressivas), e pelos tipos de glóbulos brancos afetados, linfoides ou mieloides. A linhagem mieloide dá origem às hemácias, plaquetas, granulócitos e monócitos, já a linhagem linfoide dá origem aos linfócitos (parte de um grupo de células que forma os glóbulos brancos).

A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) aponta as variedades mais comuns no país e suas incidências: a Leucemia linfoide crônica (LLC), que costuma acometer pessoas com mais de 55 anos; a Leucemia mieloide crônica (LMC), mais comum em adultos; a Leucemia linfoide aguda (LLA), mais prevalente em crianças, mas pode atingir adultos; a Leucemia mieloide aguda (LMA), mais observada em idosos, mas pode ocorrer em crianças e adultos.

A origem que causa essa mutação ainda é desconhecida e não existe uma ligação tão clara quanto o tabagismo e o câncer de pulmão, por exemplo. Alguns fatores são apontados como potenciais riscos, como o tabagismo, exposição à radiação e até doenças hereditárias. Além desse desafio, não existe um exame de rastreamento populacional para a detecção precoce da leucemia.

O ideal é ficar atento aos sintomas e procurar um médico caso note algo suspeito. Segundo a Abrale, os principais sintomas, tanto em crianças quanto em adultos, são: infecções graves recorrentes, anemia, cansaço, palidez, fraqueza, hemorragia na gengiva, sangue na urina e hematomas pelo corpo que não doem, aumento dos gânglios, febre, dores nos ossos e nas articulações e perda de peso sem motivo aparente.

Os exames de sangue, que são os hemogramas, já podem dar uma pista da doença. O médico, identificando possíveis alterações, deve encaminhar o paciente para um Hematologista, que confirmará, ou não, a doença ao solicitar um exame da medula óssea (mielograma), em que se retira sangue de dentro do osso para analisar as células mais de perto. Em alguns casos também é feita a biópsia da medula óssea.

Ao identificar o tipo de leucemia, o tratamento se inicia. É muito bom saber que a tecnologia na medicina tem se desenvolvido muito nos últimos anos e as chances de cura têm aumentado significativamente. Os tratamentos podem ser medicamentosos, quimioterápicos e até mesmo o transplante de medula óssea, essa só indicada em situações específicas, como quando o paciente não responde bem ao tratamento convencional.

Então fica o conselho: observe seu corpo, tenha um médico confiável que cuide de você e, caso descubra a leucemia, acredite na medicina e nos profissionais, eles farão de tudo para dar certo!

(*) ANDRÉ CREPALDI é Diretor do Serviço de Onco-hematologia do HCanMT.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.aimprensadecuiaba.com.br



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