13 de Julho de 2024

OPINIÃO Quinta-feira, 10 de Agosto de 2023, 13:30 - A | A

Excesso de notícias

gabriel novis neves gde

 Gabriel Novis Neves

Quando tenho excesso de notícias, sinto dificuldades de escrever.

Ontem à noite, pouco antes de dormir, recebi uma mensagem sobre uma crônica que publiquei em meu blog no dia 14-02-2022.

Era sobre “O Índio Branco que vivia em Cuiabá”.

A moça interessada pelo assunto, assim se identificou:

“Meu nome é Ysani, sou indígena do povo Kalapalo. Queria muito conversar com o senhor sobre essa matéria e anexou a página do blog do bar-do-bugre.blogspot.com.br”.

Eu respondi dizendo que era criança e me lembrava de um “índio branco” que vivia em Cuiabá.

A sede do antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), ficava na rua de Cima e os fundos com amplos portões de ferro, para a rua do Campo, onde eu morava.

Via diariamente o índio que nasceu com uma doença genética chamada de albinismo, caracterizada pela ausência total ou parcial da melanina (pigmento responsável pela coloração da pele, dos pelos e dos olhos).

Ainda não se conhece a cura do albinismo.

Devido a sua doença, não caçava, pescava, nadava, pois não podia ficar exposto ao sol.

Ysani me interrompe:

“Caramba! Eu conheço a história dele. Até hoje a família dele procura por ele, sabe. Ele nasceu com albinismo e inventaram a história que ele era filho do neto do coronel Facewt.

O nome dele era Taniper (é assim que se pronuncia).

Ele foi arrancado literalmente do braço da família.

Eu quero muito conversar contigo”.

Disse que aqui ele era chamado por Ydulipe.

O Marechal Rondon só o chamava de “tripé”.

Bebia muito, era mulherengo, morou na casa do Dr. Benjamim Monteiro Duarte, Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, pai do Desembargador Leônidas Duarte Monteiro, irmão de Álvaro Duarte, Presidente do SPI de MT.

Morreu assassinado no bordel do beco Quente, no Porto.

Seu corpo foi encontrado pela polícia, dias após atrás da Casa Orlando, na cidade.

Via diariamente o índio que nasceu com uma doença genética chamada de albinismo, caracterizada pela ausência total ou parcial da melanina (pigmento responsável pela coloração da pele, dos pelos e dos olhos)

“É muito triste saber que ele morreu dessa maneira.

Até hoje a sua família não sabe se ele morreu.

Por acaso ele se chegou a casar, formou uma família? ”

Respondo: nunca ouvi falar.

“Onde o senhor mora exatamente hoje? Dependendo do lugar eu posso tá indo até o senhor para te entrevistar, para você me contar todas essas coisas. Acho que seria melhor.

Adorei teu blog. Muito legal.

Muito obrigada por me passar essas informações. Vou tá repassando para a família dele. Muito obrigada mesmo.

Que idade o senhor tem hoje?

Vou acompanhar o seu blog.

Tugipé assim que escreve o nome dele.

Vamos gravar pelo Zoom”.

A Ysani é uma índia famosa, que deseja fazer um filme sobre o Tugipé.

No Youtube ela tem mais de 750 mil seguidores, é uma formadora de opinião e fala coisas que o branco não diz.

Para não ser repetitivo, procurem mais detalhes sobre “O Índio Branco que vivia em Cuiabá”, no meu blog.

O assunto foi o encontro jamais programado com a extraordinária Ysani Kalapalo. 

GABRIEL NOVIS NEVES é médico em Cuiabá e ex-reitor da UFMT

 


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