24 de Julho de 2024

OPINIÃO Domingo, 10 de Abril de 2022, 09:11 - A | A

DUNGA RODRIGUES

Divulgação

Gabriel Novis Neves

 Gabriel Novis Neves

Foi minha professora de literatura francesa antes de viajar para estudar no Rio.

 Fiz os dois primeiros anos do segundo grau no Colégio Estadual de Mato Grosso.

 Voltei médico no 2º semestre de 1964.

 Em 1968, quando a minha professora Dunga Rodrigues ministrava a disciplina de sociologia no Centro Educacional Nilo Póvoas, eu era Secretário de Educação do Estado.

 Fomo vizinhos na rua Major Gama, no Porto.

 Ela morou em um dos primeiros prédios residenciais com quatro andares.

 Dunga não era mais nenhuma adolescente e sofria muito para chegar ao seu apartamento no último andar do prédio.

 O prédio não possuía elevadores, e o trajeto era feito subindo as escadarias.

 Nas suas últimas inúmeras viagens, precisava de ajuda para descer e subir as escadas com as volumosas e pesadas malas, pois o seu tempo de permanência fora era sempre prolongado.

 Era quase uma mudança, como costumava dizer-lhe.

 Dunga tinha uma vida social intensa.

 A última vez que encontrei com a minha professora foi quando levei o arquiteto Sergio Bernardes para jantar no restaurante da Therezinha Vieira, ao lado da rua que separava da Igreja da Boa Morte.

 Therezinha (Telê) Vieira convidou a Dunga para tocar piano, na qual era especialista, para um dos maiores arquitetos do Brasil durante a sua visita à nossa universidade.

 Dunga foi uma mulher muito avançada para seu tempo.

 Era da Academia Mato Grossense de Letras, numa época que aquele ambiente era quase exclusivamente masculino.

 Pertencia também ao Instituto Histórico e Geográfico de Mato-Grosso.

 Escreveu livros relacionados à Cuiabá antiga e seus costumes.

 Dunga tinha um jeito peculiar de escrever, com muita alegria e humor.

 Em 1981 eu ainda era reitor, quando editamos o seu romance Marphysa, ora relançado pela gráfica do Senado Federal.

 Tive a oportunidade, como seu ex-aluno, de prestar-lhe as justas homenagens quando Secretário de Educação e Cultura, reitor da UFMT e seu vizinho no Porto.

 Não deixou descendentes, porém, um grande legado na educação dos nossos jovens, nas artes e na vida da nossa Cuiabá.

 A imagem que ficou para mim dessa grande mulher, é de vê-la aos domingos, vindo de ônibus do Porto, cheia de amigas, para assistir a banda de música do 16º BC tocar, enquanto passeava pelos jardins da Praça Alencastro!

 Era a famosa e saudosa retreta da Cuiabá antiga!

 Gabriel Novis Neves



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DEOLINDO BENEDITO PEREIRA 10/04/2022

Eu também alcancei a Professora Dunga Rodrigues. Também fui aluno dela no Curso Científico no Colégio Estadual nessa disciplina: Literatura Francesa. Prova oral com ela não era fácil. Os versos das poesias em francês tinha que estar na ponta da língua. Se escorregasse, ela mandava repetir. Ela me apelidou de "miudinho", porque de fato era um pingo de gente no meio de homens praticamente feitos e ainda usava farda semelhante à usada no Colégio Pedro II do RJ. Dr. Gabriel fez um relato preciso dessa ilustre cuiabana.

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