20 de Julho de 2024

OPINIÃO Sexta-feira, 16 de Junho de 2023, 09:49 - A | A

As Famílias em Cuiabá

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 Neila Barreto

No Brasil, os estudos sobre a família, alçaram terreno fértil durante as décadas de setenta e oitenta do século XX apoiados em fontes escritas e seriadas fornecidas pela Igreja Católica. Seguiram as tendências historiográficas de países do Ocidente Europeu como Inglaterra, França e Portugal e contaram com enfoques e metodologias originados da demografia histórica e de estudos interdisciplinares, conforme a historiadora Maria Adenir Peraro, professora doutora da Universidade Federal de Mato Grosso.

Tais estudos contribuíram decisivamente para a construção do objeto específico na medida em que trouxeram à tona, aspectos da vida familiar da grande massa da população.

Maria Luíza Marcílio, em seu livro, A cidade de São Paulo, povoamento e população (1751-1800), de 1973, pode ser considerada uma das pioneiras na adaptação da metodologia francesa de reconstituição de famílias à população brasileira do século XVIII, a partir dos registros paroquiais de batizado, casamento e óbito.

O avanço do conhecimento sobre família, com enfoque demográfico, aplicado para regiões do Sudeste e Sul do país, a exemplo de São Paulo e Paraná, permitiu que viessem à tona no meio acadêmico, novas reflexões que redundaram na elaboração de formas de constituição familiar assentadas na chefia de mulheres, conforme Eni de Mesquita Samara, em “A Família Brasileira”, nas coleções “Tudo é História”, e no menor número de agrupamentos humanos, em contraposição à família patriarcal do Nordeste brasileiro, conforme modelo atribuído à Gilberto Freyre em seu clássico livro, Casa Grande & Senzala.

Uma variedade de pesquisas foi a partir de então realizadas, tendo como foco a família e temáticas a ela relacionadas como: estratégias de sobrevivência e de reprodução de grupos sociais e sua transformação em diferentes contextos econômicos, composição das unidades domésticas e sua transformação nas áreas urbanas, mulheres, dotes, casamento, adultério, filhos ilegítimos e expostos, uniões consanguíneas, e parentesco espiritual, sociabilidades, dentre outras.

Tais pesquisas foram viabilizadas graças a utilização de massas documentais inéditas localizadas em acervos eclesiásticos públicos e privados e, igualmente, foram favorecidas e motivadas pela criação de programas de pós-graduação tanto nas regiões Sul e Sudeste quanto nas regiões do Norte e Centro-Oeste do país.

Dentre as pesquisas com temáticas relacionadas acima que fazem interface com família, chama-nos atenção estudos sobre sociabilidades.

O trabalho elaborado por Cacilda da Silva Machado, intitulado, De uma família imigrante: sociabilidade e laços de parentesco, lança luz para novos estudos sobre família em diferentes regiões do Brasil que visem acompanhar a trajetória de membros de uma mesma família ao longo de várias gerações, como o presente estudo, que elaborei em Cuiabá-MT, intitulado “Gente que Fez, Gente que Faz e, que se encontra à disposição das famílias catalogadas, na secretaria municipal de cultura, esportes e lazer, da prefeitura municipal de Cuiabá, de forma gratuita.

(*) NEILA BARRETO é jornalista, historiadora e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. 

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.aimprensadecuiaba.com.br



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