19 de Julho de 2024

OPINIÃO Sábado, 24 de Setembro de 2022, 08:36 - A | A

A mestra com carinho: Vera Iolanda Randazzo

Se viva estivesse, a historiadora estaria completando 95 anos de idade

Luiz Ernesto

Neila preto e branco

 Neila Barreto

Se viva estivesse, a historiadora Vera Iolanda Randazzo estaria completando 95 anos de idade, agora em 2022. E neste seu aniversário quero agradecer por tudo que fez pela história no Estado de Mato Grosso, desde os arranjos de arquivos até a sua entrada na Academia Mato-grossense de Letras (AL), na Cadeira 19, cujo Patrono é o escritor, político e cientista José Vieira Couto de Magalhães e, onde você foi a última ocupante.

 E hoje Vera! Cá estou eu ocupando a sua cadeira. Quanta honra! Quanta emoção! Do lado de cá procuro desempenhar as funções da melhor forma possível. Não é fácil substituir você, mas, estou tentando não decepcionar. Proteja-me daí desse céu azul!

Você faleceu na capital aos 14 dias de fevereiro de 2019. No entanto continua eterna, pois é uma imortal! Imortal porque você deixa importantes contribuições, tanto na cultura quanto na história. As vezes em silêncio penso: tomara que eu hoje ocupando a sua Cadeira 19 não a decepcione! Esforço-me muito. Acredite!

 Deus conduziu-me na hora certa para entrar na AML, após dores e lagrimas proporcionadas pelos próprios seres humanos. Poderoso, conduziu-me para continuar o seu legado. Venho aprendendo. As vezes apanho, mas, logo me levanto.

Após a sua partida, lá foi eu ocupar o seu lugar. Quanta Honra querida Mestra! Quanto orgulho! Quanta emoção! Lá cheguei no dia 29 de novembro de 2019, o mesmo ano de sua partida. Mas por aqui tem parceiras e parceiros que me ajudam muito! Isso é importante querida Mestra! Muitas vezes tropeço, mas, levanto e sigo em frente.

 A Vera era historiadora, escritora e funcionária pública. Nasceu em Caxias do Sul-RS, aos 21 de setembro de 1927, descendendo de Roberto Edmundo Randazzo e Cecília Campagnoni Randazzo. Seus estudos fundamental e médio foram realizados junto ao Grupo Escolar Municipal de Criuva-RS e no Colégio Nossa Senhora da Conceição, de Porto Alegre -RS, e o superior incompleto em História, na Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT.

 Veio para Mato Grosso a partir de 1955, estado que adotou como seu e onde prestou relevantes serviços. Profissionalmente, ocupou os cargos de Oficial Administrativo da Biblioteca do Arquivo Público de Mato Grosso; Professora primária interina em Rosário Oeste, Diretora do Arquivo Público de Mato Grosso; Técnica em arquivística, pela Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso; Organizadora do Instituto Memória do Poder Legislativo, em seus primórdios; Membro da Comissão de Estudos de Fronteira, para exame de questões de milites entre os estados de Mato Grosso e Goiás; Autora do projeto de pesquisa das Leis no período de 1835 a 1889, apresentado à Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.

 Possuía Registro de Profissional em Arquivística, havendo sido também jornalista, colaborando em periódicos regionais. Em reconhecimento ao seu trabalho e produção intelectual, é sócia fundadora da Sociedade Amigos de Rondon, sócia efetiva do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso - IHGMT, sócia correspondente da Academia Paulistana de História, membro da Ordem dos Bandeirantes de São Paulo.

 Imortal da Academia Mato-Grossense de Letras, Iolanda ocupava a cadeira nº 19. Em 28 de abril de 1982, recebeu também o título de Cidadã Cuiabana, pelos relevantes serviços prestados à Capital. Contribuiu com artigos nos jornais: O Estado de Mato Grosso, A Tribuna Liberal, O Social Democrata, Diário de Cuiabá, Correio da Imprensa, Revistas do IHGMT e da AML.

Escreveu os seguintes livros: Pajemeira, pajemeira!; As cartas do grande chefe à sua esposa; Quando morreu Pascoal Moreira Cabral; Catálogo de Documento Históricos de Mato Grosso; Catálogo da exposição de documentos históricos em homenagem a Corumbá, pelo seu bicentenário; Catálogo da exposição de documentos históricos em homenagem a Diamantino (por ocasião do penta centenário); Contribuição à história do Arquivo Público de Mato Grosso: catálogo da exposição de documentos mato-grossenses da Proclamação da República: 91º aniversário; Catálogo da exposição de documentos históricos em homenagem a Poconé – bicentenário; Integridade territorial de Mato Grosso e o acordo com Goiás, dentre outros e, Verbete na obra Vozes Femininas, v. 6, da coleção Obras Raras da Literatura Mato-Grossense.

 Entre os anos de 1974 e 1987, Iolanda assumiu a diretoria do departamento de Documentação e Arquivo, setor que antecedeu a criação do Arquivo Público de Mato Grosso. Para a historiadora Vanda da Silva, Superintendente do Arquivo Público de Mato Grosso – APMT -, “Vera foi extremamente importante para a constituição do Arquivo Público de hoje. Foi uma das pessoas que mais lutaram, na década de 70, para a criação de um espaço onde fosse possível preservar a memória do Estado de Mato Grosso”, afirmou Silva.

 Vera deixa um legado importante de contribuição cultural e histórica para o Estado, além de 4 filhas, 13 netos e 22 bisnetos.

 Obrigada pela oportunidade do aprendizado querida Mestra!

Neila Barreto é jornalista, mestre em História, membro da AML e atual presidente do IHGMT e escreve para o A Imprensa de Cuiaba 



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